in bed
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May 26, 2008
Categoria: cotidiano | 6 comentários
Ainda me estou a recuperar de uma gripe desgraçada que me acometeu na última quarta e me deixou in bed até ontem, quando minha pequena veio, cheiro de talco e uniforme engomado, cuidar de mim.
O que é ter uma mulher para cuidar de você. Quando ela chegou eu já me sentia razoavelmente bem, mas fiz uma questãozinha de estender um pouco o meu lastimável estado a fim de estender também as diligências a mim dedicadas. Quando o jantar me é servido na cama ou quando me compram danoninho eu juro que entendo as crianças mimadas.
O instinto maternal de uma mulher é algo mesmo bonito, e por isso é que eu não consegui esbravejar quando ela chegou e abriu as cortinas para deixar entrar o sol (para “arejar”, ela disse). Mas eu ainda resistia, ou desistia, na cama, com as mãos sobre os olhos, protegendo-me da luz, quando ela, numa voz que mais me pareceu um trovão, imperativamente, disse : “Levanta-te e anda” (sorry se romeceei demais, não pude evitar). Obedeci. Fui ao banho, almoçamos e ela me propôs irmos às compras. Compramos roupas e fomos comer pizza.
Se você me visse lá, sentado na praça de alimentação, conversando e tomando coca-cola gelada, eu certamente lhe pareceria muito bem. É que é saudável ficar doente às vezes.
Φιλοσοφία
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May 22, 2008
Categoria: oh | 8 comentários
O que separa a filosofia da pornografia é a pausa para o cigarro.
Olá, Aloysius
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May 16, 2008
Categoria: Literatura | 15 comentários
“Açougueiros, por exemplo: tornam-se parecidos com bifes crus.” [JOYCE, James. Ulysses.]
É um tanto usual acharmos, vez por outra, aquele velho e querido amigo um grande e incorrigível chato. Após mais de um mês debruçado sobre Joyce, é com esse mesmo sentimento que largo agora o irlandês para, a fim de reparar os danos que me causou o Ulysses, retirar uma vez mais da estante o Brideshead Revisited. Sinto-me como se tivesse acabado de deixar uma palestra maçante para ir ter com uma pequena diante de uma mesa de chá – e falar com algum desdém sobre autores dublinenses, quem sabe, ou a respeito de simpósios aborrecedores.
aquela música dos doors
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May 8, 2008
Categoria: blogs | 4 comentários
Minha paz, a que encontro ao engraxar os sapatos à 1h da manhã, foi abalada pela notícia de que o Wunderblogs chegou ao fim. É mesmo uma pena, digo de coração; mas é tarde e tenho que terminar o outro pé.
Houellebecq
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May 7, 2008
Categoria: Literatura | 5 comentários
Conhecemos as pessoas durante anos, até mesmo dezenas de anos, habituamo-nos a evitar os problemas pessoais e os assuntos verdadeiramente importantes, mas guardamos a esperança de que, mais tarde, em circunstâncias mais favoráveis, se possam justamente abordar esses assuntos e esses problemas. A esperança, sempre adiada, de um relacionamento mais humano e mais completo nunca desaparece completamente, porque nenhuma relação humana se contenta com limites definitivos, restritos e rígidos. Permanece, portanto, a esperança, de que haja um dia uma relação «autêntica e profunda». E permanece durante anos, até mesmo décadas, até que um acontecimento definitivo e brutal (em geral, uma coisa como a morte) vem dizer-nos que é demasiado tarde, que essa «relação autêntica e profunda», cuja imagem tínhamos amado, também não existirá; não existirá, tal como as outras.
[Michel Houellebecq, in ‘As Partículas Elementares’ ]
média aristocracia
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May 6, 2008
Categoria: cotidiano | 5 comentários
Causa-me embaraço a minha linhagem nobiliárquica quando, ao chegarem casa, noite já avançada, não encontro pronto o jantar.
às voltas com
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May 1, 2008
Categoria: música | 5 comentários

sardenta
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May 1, 2008
Categoria: Uncategorized | 5 comentários

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April 29, 2008
Categoria: oh | 8 comentários
Entre a Casa Grande e a Senzala o que é que há? O terrerinho?
maison
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April 29, 2008
Categoria: cotidiano | Um comentário
Há coisa de seis anos eu não fazia muita idéia do que era o casamento. Hoje também não faço, mas já me inclino a saber. Desde ontem que venho fazendo cá uns rabiscos - sabeis que sou desenhista nas horas vagas -, dando forma ao que será o meu lar; onde poderei pôr os pés sobre mesa e, por isso mesmo, não fazê-lo; onde, segundo as condições singelamente sugeridas por minha pequena, terei o meu “quartinho da bagunça” - leia-se “escritório” - , espaço para os meus muitos papéis, livros e revistas, toda essa tralha na qual ela diz ver, ok, “alguma utilidade”, mas que lhe faz espirrar.
Claro que estou a esboçar a coisa toda de uma maneira geral; formas, medidas, quantidade de quartos. Para as especificidades do acabamento precisarei d’alguma orientação, er, profissional - costumo discriminar quem quer que ocupe o cargo de design de interiores, mas prometo abrir uma concessão.
homens práticos
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April 29, 2008
Categoria: opinião | Um comentário
Não coxeasse, o que chamam melhor idade seria ainda melhor.
jouissance
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April 28, 2008
Categoria: Literatura | Um comentário
Quando vejo alguém feliz motivado a escrever um romance feliz, todo ele feliz, dá vontade de aconselhar divórcio. Para o bem do romance.
L’expérience intérieure
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April 26, 2008
Categoria: opus | Comente
Enquanto preenchia sua xícara com o chá, preparado minutos antes com folhas de Camellia sinensis, fez uma pequena mesura e disse, com delicada afeição:
– Talvez você devesse relacionar-se mais e mais abertamente; esses trejeitos vitorianos a nada podem levar senão a esse furor reprimido, ave de rapina sem garras. A minha sugestão é que se encontre com outras pessoas, que mantenha, como dizer?, contato com mais homens, um, dois ou três – ao mesmo tempo, digo. Creio poder ajudar-lhe nesse sentido.
– Você é mesmo um cavalheiro, não é?
– Às suas ordens.
“era uma coisa que adorava acontecer”
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April 26, 2008
Categoria: Literatura | 3 comentários
A única desvantagem da futilidade é ser fútil, porque, salvo isto, a coisa toda tem um charme desgraçado.
Blogues são um bom exemplo disso. Memes, idem. Tanto que o estimado Cleber Corrêa, que há poucos meses reclamava de um meme que eu lhe havia passado, acaba de iniciar um desses sobre literatura, do qual nos inclinamos, eu e a minha insônia, a participar.
Devo citar as minha últimas linhas favoritas e, idéia do Sr. Corrêa, omitir o nome do autor para que sejais este por vós descoberto - claro está que os bastardos farão uso do google, no entanto os bastardos são bem-vindos. Minhas últimas linhas, as diletas, são:
Se só tens riso, ri-te! É a mesma coisa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.
Afastou o cinzeiro e os cigarros, depois retirou a colcha de algodão da cama onde estivera sentada, descalçou os chinelos e meteu-se na cama. Durante alguns minutos, antes de cair no sono, num profundo sono sem sonhos, ela se manteve imóvel, sorrindo para o teto.
E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado.
Aproximou-se de mim para que eu lhe ensinasse os prazeres da vida e da arte. Talvez eu tenha sido escolhido para ensinar-lhe algo bem mais maravilhoso - o significado do sofrimento e toda a sua beleza.
– Poderíamos ter sido tão felizes juntos!
Diante de nós, um policial em uniforme cáqui, a cavalo, dirigia o tráfego. Ergueu o bastão. O carro diminuiu a marcha, bruscamente, atirando Brett de encontro a mim.
– Sim - disse eu. — É sempre agradável pensar nisso.
O inconveniente do reino da opinião, que de resto traz a liberdade, é imicuir-se no que não lhe diz respeito, por exemplo, na vida privada. Daí a tristeza da América e da Inglaterra. Para não tocar na vida privada, o autor invetou uma cidadezinha, Verrière, e, quando precisou de um bispo, de um júri, de um tribunal, situou tudo isso em Beçanson, onde nunca esteve.
Aí estão; algumas óbvias demais que, todavia, aqui, cumprem o papel essencial: agradar-me.
profanum vulgus
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April 26, 2008
Categoria: cotidiano | Comente
Não ouso sempre travar conversa com estranhos dentro, ou mesmo fora, de veículos do transporte urbano. Sou do tipo que acha que uma conversa é, no mais das vezes, um desperdício de si mesmo; entretanto, por esses dias, aconteceu de eu ser perguntado acerca de um assunto de meu interesse, a literatura. Ademais, quando se é perguntado, por uma questão de boa educação, deve-se responder, nem que seja com um aceno de cabeça.
Era um senhor, estava sentado ao pé de mim e, desde que o notei, lia algo com displicente desatenção, olhando a todo instante para os lados, especialmente para onde eu me encontrava. A certa altura, pareceu-me, ele perdeu a calma e, ansioso, tocou-me o braço a fim de chamar a minha atenção. Com alguma simpatia, alinhei aos dele os meus olhos apertados, como quem, sem dizer palavra, aceita o convite à tola conversação.
Tinha um hálito de caverna o senhor. Felizmente, falou pouco. Fez uma pergunta muito simples, do tipo que eu faria a um qualquer se fosse mais sociável. Apontando-me o título do livro, que eu tenho uma vaga idéia de já lido por aí, perguntou-me se eu já o havia lido. Nesse ponto, o estranho parecia inclinar-se cada vez mais diante do meu rosto, dos meus olhos, de maneira a exibir imensurável interesse, o que não fazia qualquer sentido. Eu disse que não.
Ante a minha negativa, exortou: “Pois deveria ler, quem sabe assim você passa a reconhecer as pessoas que já cuidaram de você, com quem por tanto tempo conviveu.”
O título do livro era “As Cinco Pessoas Que Você Encontra no Céu” ou coisa assim. Não li, nem pretendo, posto que seja no mínimo um desses de auto-amparo. Quanto ao senhor, ainda hoje não faço idéia de quem se tratava. Ou eu não entendi a piada.
« go back — keep looking »