não contem a ninguém

Postado em December 30, 2008
Categoria: cotidiano | 3 comentários

Meus amigos querem organizar uma festa para a virada do ano, ou antes: já a organizaram e querem que eu lá compareça, levando a minha pequena e, se calhar, as suas amigas. Não gritem agora, mas eu não vou. Desculpem. Sinto desapontá-los. Sei que sou bom para falar das gafes das gentes nas poucas festas a que compareço. A quantas fui neste 2008? Duas, três? Não sei. Também esta não contará com a minha presença ou com o meu investimento – que a coisa não é de graça nem haveria de ser. Mas o que fazer na noite de 31 de dezembro? Tenho mesmo de fazer algo de muito distinto?, algo muito fora do usual? E se eu quiser ficar aqui mesmo, com ela, a assistir Californication tendo ao lado, sobre o criado-mudo, um vinho tinto qualquer (um bom vinho tinto qualquer) e a comer panetone? Ela até prefere, eu vos garanto. Na verdade íamos para uma pousada dessas nas montanhas (temos aqui muitas montanhas) – era o plano. Mas o trabalho a privou de planos para a semana inteira. E o clima nos escritórios da Vale a impede de qualquer gripe assim repentina. Well, o bom dessa indecisão é que me já decidi acerca disso: ninguém vai começar o novo ano comprando cerveja com o meu dinheiro.(E vos desejo um bom ano – posto que trato do porvir.)  

breve

Postado em December 28, 2008
Categoria: cotidiano | Um comentário

Esperam-me na estante, mal folheados, David Foster Wallace, Philip Roth e Nelson Rodrigues. Espera-me também um Mainardi, que me olha com aquela feição com a qual o Gato de Botas engana os incautos no Shrek, mas este terá de esperar por um milagre. Compartilhar com um autor posições políticas não é o bastante para lê-lo, pois sim? Sou um bom aluno: presenteei uma minha professora, cujo nome tirei no amigo-oculto, com Bartleby, O Escrivão. Sou também um bom conversador: no dia de Natal descobri que quem me tinha por metido e enjoado hoje vê em mim uma grande personalidade.

ijustdon’tknow

Postado em December 22, 2008
Categoria: cotidiano | 5 comentários

Ah, pois sim, chegaram os meus presentes de Natal: Breves Entrevistas com Homens Hediondos [DFW] e Fantasma Sai de Cena [P. Roth]. Mas não sei quando os poderei ler. Nas próximas semanas, ociosas, precisarei pôr em dia algumas prioridades, como o sono, por exemplo.

ana beatriz barros

Postado em December 18, 2008
Categoria: cotidiano | 15 comentários

ana-beatriz-barros-picture-2.jpg

Acabo de passar numa banca de revistas à toa e, não à toa, comprei a última edição da Homem Vogue de cuja capa salta aos olhos Ana Betriz Barros. Ao pagar, ouço o vendedor, falando num tom algo orgulhoso, mas sem espalhafato: “essa menina é parente minha”. Demonstro interesse e ele continua: “filha de uma prima, lá de Itabira”. Eu, louco para pedir o telefone da moça, me saio com um “linda ela, não?” e quase esqueço o meu troco.

millôr

Postado em December 17, 2008
Categoria: citação | 3 comentários

“E COMO SE ESGANIÇAVA, COM TODA A RAZÃO, A MULHER DE PITÁGORAS:
“Eu não agüento mais! Não é mais possível viver com você! Outra vez a toalha da mesa toda riscada, toda suja! Quantas vezes eu já lhe falei para não fazer tábuas de logaritmos na toalha?! E com essa tinta, de pó de pedra, que não sai! Olha aí, tudo riscado, traçado, uma porcaria! Mamãe é que tinha razão, eu devia ter casado com o dono da fábrica de escudos e não com um professorzinho de aritmética! E além disso só inventa besteira. Olha aqui só: A hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos! Ah, ah, ah, ah, que engraçadinho! Só besteira! Só bobagem! Só pensa em bobagem!”.”

civilização

Postado em December 16, 2008
Categoria: cotidiano | Um comentário

Apraz-me muito mais cereal ao leite e sapatos com cadarço, mas para luxos tais tempo não me tem sobrado. De maneira que sigo, barras nutri e pés sem laços. Mas vamos à história dos subúrbios.

 

[obs]cenas

Postado em December 15, 2008
Categoria: cotidiano | 19 comentários

Também os pobres e desabrigados têm o seu momento de luxo e vaidade: vi por esses dias mesmo, sob um dos tantos viadutos que por aqui há nesta cidade, um mendigo a ser massageado nas costas pela companheira. Não notei se usavam creme hidratante.

chuva

Postado em December 15, 2008
Categoria: cotidiano | Um comentário

Pregam-me às pernas as calças molhadas. Não há bom humor que se mantenha inabalável.

pfui

Postado em December 11, 2008
Categoria: cotidiano | 9 comentários

Realizou-se ontem o amigo-oculto da minha turma na faculdade. Pedi uma Granta e ganhei Lula é Minha Anta, do Mainardi. A vida é cruel.

wishful thinking

Postado em December 10, 2008
Categoria: cotidiano | 9 comentários

Falei antes da alcunha de anti-social com que às vezes  me imputam já me corrijo: sou na verdade um misantropo que se adapta bem aos costumes de sociedade – mais especificamente aos da nossa sociedade. Fosse outra a nossa época e tudo seria melhor – as roupas, o clima, os livros.

Sinto-me um misantropo porque convivo com o gênero de pessoas que passa os finais de semana em boates e os dias da semana a planejar encontros em bares, clubes e toda sorte de sítios. Voz adversa pode argumentar que é caso de gosto, de preferência, que sou eu, afinal, um homem de letras. Uma verdade possível, mas que não basta. D’accord com a com a convenção, homens de letras são assíduos freqüentadores de teatros. Não o sou. São ainda frescos, com ares bucólicos de connoisseur. Não o sou. São boêmios. Fumantes. Não o sou.

Noutros termos, os espetáculos não me seduzem. Sejam acerca de vinhos ou de livros – aqui eu me excedo, é claro. Posso ser visto eventualmente nalguma feira, nalguma reunião. Mas não são para mim obrigações. Fato ilustrativo é o meu gosto por quadrinhos/ mangás/ animes e a minha constante recusa em participar dos eventos correlatos. Quem é que, não sendo otaku, pode suportar multidões de cosplays com seus cabelos cor-de-rosa? Ou quem é que consegue gostar de multidões (salvo em caso de alguns shows, como o iminente do Radiohead)? Nunca, vejam vocês, entrei em um estádio de futebol – e quando precisar fazê-lo não será para assistir a jogos.

Estreou há dias o novo do Woody Allen e eu ainda não fui ver. Falta-me tempo, é verdade, mas a vontade também não me anda aos desvarios. No último final de semana faltei a duas festas, de modo que a minha fama segue intocável.

E é assim, cheio do meu próprio espírito, que vou ao encontro de amigos na próxima sexta-feira. Vodka, refrigerante, índie rock e mulheres para as quais não posso olhar. Vou acompanhado. Além disso, o Gustavo, muito gentilmente, convidou-me para uma “tarde oldschool” no sábado, em sua casa. Quem sabe não me encontram por lá?

o mesmo, a esmo

Postado em December 9, 2008
Categoria: cotidiano | 13 comentários

Ah, esses dias de dezembro não são, em si mesmos, tão propícios à prática da dissimulação social? Dissimulação social. Inventei isso agora, mas creio traduzir bem o que quero dizer. As festinhas de “confraternização” da empresa, o amigo-oculto, as “lembrancinhas” e o diabo não são todos artifícios que tentam (e falham) mostrar como somos sociáveis e como nos damos bem em grupos (familiares, de amizade, profissionais etc.)?

 

Eu costumava faltar a esse tipo de reunião. Com freqüência era nomeado anti-social, ou “metido” – como se diz. Aí eu vi que até os personagens de Wodehouse, vez que outra, participam de algum tipo de meeting, e meu orgulho se viu desconcertado: “se um Wooster se rebaixa a tal…”.

 

 

worktable

Postado em December 5, 2008
Categoria: cotidiano | 6 comentários

livro.jpg

about a girl

Postado em December 4, 2008
Categoria: cotidiano | Um comentário

Controlar o desejo não é uma questão de razão, é uma questão de desejo.

critério

Postado em December 4, 2008
Categoria: cotidiano | 13 comentários

Gosto de julgar a inteligência das pessoas pela aparência, ser tipo assim superficial para variar. Os homens julgo pelos sapatos, pelo corte do terno, pelo jeans. Mas o que gosto mesmo é de julgar as mulheres. Hoje mesmo vi uma loura: branca, magra, linda, ocupou lugar ao meu lado no ônibus, pela manhã. Quis saber o que ela andava lendo, se tinha sotaque, se falava devagar e se tinha bom vocabulário. Na minha cabeça ensaiei todo um diálogo com a pequena, eu todo respeitoso e ela toda impressionada com a minha simpatia e erudição. Sou do tipo que, se puxo conversa com estranhas, a conquista é ato contínuo. Mas ali, no ônibus, em plena atividade de julgamento, mudo estava e mudo permaneci. Ao incluir a conversa como critério de avaliação, as chances de eu me decepcionar aumentam uns, vá lá, 100%.

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Postado em December 3, 2008
Categoria: blogs | 28 comentários

“O que existe de bom no mundo de hoje existe apesar do modernismo, não por causa dele”. Daqui.

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