às voltas com

Postado em May 1, 2008
Categoria: música | 5 comentários

sardenta

Postado em May 1, 2008
Categoria: Uncategorized | 5 comentários

Kate Austen

::

Postado em April 29, 2008
Categoria: oh | 8 comentários

Entre a Casa Grande e a Senzala o que é que há? O terrerinho?

maison

Postado em April 29, 2008
Categoria: cotidiano | Um comentário

Há coisa de seis anos eu não fazia muita idéia do que era o casamento. Hoje também não faço, mas já me inclino a saber. Desde ontem que venho fazendo cá uns rabiscos - sabeis que sou desenhista nas horas vagas -, dando forma ao que será o meu lar; onde poderei pôr os pés sobre mesa e, por isso mesmo, não fazê-lo; onde, segundo as condições singelamente sugeridas por minha pequena, terei o meu “quartinho da bagunça” - leia-se “escritório” - , espaço para os meus muitos papéis, livros e revistas, toda essa tralha na qual ela diz ver, ok,  “alguma utilidade”, mas que lhe faz espirrar.

Claro que estou a esboçar a coisa toda de uma maneira geral; formas, medidas, quantidade de quartos. Para as especificidades do acabamento precisarei d’alguma orientação, er, profissional - costumo discriminar quem quer que ocupe o cargo de design de interiores, mas prometo abrir uma concessão.

homens práticos

Postado em April 29, 2008
Categoria: opinião | Um comentário

Não coxeasse, o que chamam melhor idade seria ainda melhor.

jouissance

Postado em April 28, 2008
Categoria: Literatura | Um comentário

Quando vejo alguém feliz motivado a escrever um romance feliz, todo ele feliz, dá vontade de aconselhar divórcio. Para o bem do romance.

L’expérience intérieure

Postado em April 26, 2008
Categoria: opus | Comente

Enquanto preenchia sua xícara com o chá, preparado minutos antes com folhas de Camellia sinensis, fez uma pequena mesura e disse, com delicada afeição:

 

– Talvez você devesse relacionar-se mais e mais abertamente; esses trejeitos vitorianos a nada podem levar senão a esse furor reprimido, ave de rapina sem garras. A minha sugestão é que se encontre com outras pessoas, que mantenha, como dizer?, contato com mais homens, um, dois ou três – ao mesmo tempo, digo. Creio poder ajudar-lhe nesse sentido.

 

– Você é mesmo um cavalheiro, não é?

 

– Às suas ordens.

“era uma coisa que adorava acontecer”

Postado em April 26, 2008
Categoria: Literatura | 3 comentários

A única desvantagem da futilidade é ser fútil, porque, salvo isto, a coisa toda tem um charme desgraçado.

 

Blogues são um bom exemplo disso. Memes, idem. Tanto que o estimado Cleber Corrêa, que há poucos meses reclamava de um meme que eu lhe havia passado, acaba de iniciar um desses sobre literatura, do qual nos inclinamos, eu e a minha insônia, a participar.

 

Devo citar as minha últimas linhas favoritas e, idéia do Sr. Corrêa, omitir o nome do autor para que sejais este por vós descoberto - claro está que os bastardos farão uso do google, no entanto os bastardos são bem-vindos. Minhas últimas linhas, as diletas, são:

Se só tens riso, ri-te! É a mesma coisa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.

Afastou o cinzeiro e os cigarros, depois retirou a colcha de algodão da cama onde estivera sentada, descalçou os chinelos e meteu-se na cama. Durante alguns minutos, antes de cair no sono, num profundo sono sem sonhos, ela se manteve imóvel, sorrindo para o teto.

E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado.

Aproximou-se de mim para que eu lhe ensinasse os prazeres da vida e da arte. Talvez eu tenha sido escolhido para ensinar-lhe algo bem mais maravilhoso - o significado do sofrimento e toda a sua beleza.

– Poderíamos ter sido tão felizes juntos!
Diante de nós, um policial em uniforme cáqui, a cavalo, dirigia o tráfego. Ergueu o bastão. O carro diminuiu a marcha, bruscamente, atirando Brett de encontro a mim.
– Sim - disse eu. — É sempre agradável pensar nisso.

O inconveniente do reino da opinião, que de resto traz a liberdade, é imicuir-se no que não lhe diz respeito, por exemplo, na vida privada. Daí a tristeza da América e da Inglaterra. Para não tocar na vida privada, o autor invetou uma cidadezinha, Verrière, e, quando precisou de um bispo, de um júri, de um tribunal, situou tudo isso em Beçanson, onde nunca esteve.

Aí estão; algumas óbvias demais que, todavia, aqui, cumprem o papel essencial: agradar-me.

profanum vulgus

Postado em April 26, 2008
Categoria: cotidiano | Comente

Não ouso sempre travar conversa com estranhos dentro, ou mesmo fora, de veículos do transporte urbano. Sou do tipo que acha que uma conversa é, no mais das vezes, um desperdício de si mesmo; entretanto, por esses dias, aconteceu de eu ser perguntado acerca de um assunto de meu interesse, a literatura. Ademais, quando se é perguntado, por uma questão de boa educação, deve-se responder, nem que seja com um aceno de cabeça.

Era um senhor, estava sentado ao pé de mim e, desde que o notei, lia algo com displicente desatenção, olhando a todo instante para os lados, especialmente para onde eu me encontrava. A certa altura, pareceu-me, ele perdeu a calma e, ansioso, tocou-me o braço a fim de chamar a minha atenção. Com alguma simpatia, alinhei aos dele os meus olhos apertados, como quem, sem dizer palavra, aceita o convite à tola conversação.

Tinha um hálito de caverna o senhor. Felizmente, falou pouco. Fez uma pergunta muito simples, do tipo que eu faria a um qualquer se fosse mais sociável. Apontando-me o título do livro, que eu tenho uma vaga idéia de já lido por aí, perguntou-me se eu já o havia lido. Nesse ponto, o estranho parecia inclinar-se cada vez mais diante do meu rosto, dos meus olhos, de maneira a exibir imensurável interesse, o que não fazia qualquer sentido. Eu disse que não.

Ante a minha negativa, exortou: “Pois deveria ler, quem sabe assim você passa a reconhecer as pessoas que já cuidaram de você, com quem por tanto tempo conviveu.”

O título do livro era “As Cinco Pessoas Que Você Encontra no Céu” ou coisa assim. Não li, nem pretendo, posto que seja no mínimo um desses de auto-amparo. Quanto ao senhor, ainda hoje não faço idéia de quem se tratava. Ou eu não entendi a piada.

Cheville

Postado em April 26, 2008
Categoria: Literatura, cotidiano | Comente

 

 

 

Há muito tenho vivido à espera de sutis mudanças em certos aspectos de minha personalidade. Não trato de coisas práticas, mas de outras, um tanto mais sutis. À sombra da infância é vulgar acometer-nos a todos aquela idéia – hoje sei, um tanto vaga – que tão constantemente acometeu-me e inda hoje se faz viva: a idéia de que adaptar-nos-emos ao mundo à medida que abandonarmos quaisquer hábitos contrários ao intento.

 

 

 

Ora, o máximo que se pode alcançar é a aceitação desta vida que aí está; é à constatação de nossa própria impotência que nos adaptamos, e o mais são variações de um tema já gasto, ainda que sólido. De minha parte posso dizê-lo: possivelmente chegarei à velhice a esperar que o pós-vida traga-me as transformações pelas quais aguardo sem que eu tenha jamais entendido como agora entendo, ou pelo menos imagino, a insondável distância que há entre simples traços de personalidade e aquelas indisfarçáveis maneiras, qual ervas daninhas, encravadas no espírito.

 

 

 

 

 

*

Após uns bons dias sem nada postar, tentarei manter a freqüência dantes – ou eu não sei aonde me levará todo este enfado. Freqüentei nos últimos dias Evelyn Waugh; além do essencial Brideshead Revisited, li também Decline and Fall – um livro leve, cômico e elegante. Passei por mais Chesterton e tentei Joyce – lá pela página 100 cessei a leitura em respeito ao senhor Stephen Dedalus e trupe; não me estava a dedicar inteiramente, de maneira que o melhor a fazer é, quando possível, trancar-me num retiro espiritual a fim de ler este Ulysses.

 

 

 

Venho agorinha de uma livraria. Aqui ao lado está aberta uma página na qual leio:

 

 

 

Em 1913, quando Anthony Patch chegou aos 25, dois anos já se haviam passado desde que a ironia, o Espírito Santo da época, descera, pelos menos teoricamente, sobre ele. A ironia foi o brilho final no sapato, a última escovadela na roupa, uma espécie de “pronto!” intelectual.

Trata-se de Fitzgerald em The Beautiful and Damned – ou Belos e Malditos, um título que soa bem em português.

 

 

 

 

 

 

O resto é um silêncio oscilante.

Postado em April 7, 2008
Categoria: Uncategorized | Um comentário

http://leimprecation.wordpress.com/

Postado em March 20, 2008
Categoria: Uncategorized | 4 comentários

Estarei ali enquanto resolvo por cá o problema com os spams.

Introibo ad altare Dei

Postado em March 11, 2008
Categoria: cotidiano | 2500 comentários

Apetecer-me-ia confessar-me aos aos catedráticos e professores da universidade e dizer-lhes que eu me recuso a submeter-me ao jornalismo se este em nada lembrar aquele que fazia Chesterton em tempos idos, mas me ocorre agora que talvez eles, os professores, jamais tenham freqüentado G. K., o que não me não surpreenderia nem um pouco, visto que hoje lê-se apenas o que manda a, er, bibliografia obrigatória – que é uma maçada. Pois vejam vocês que semestres atrás quis saber de um meu professor de História, em razão de uma aula sobre Napoleão, se ele já havia por acaso lido O Vermelho e o Negro, ao que, sorrindo, respondeu-me que não. O que é uma pena, pois trata-se de um bom homem, apesar de me ter obrigado a ler Gilberto Freyre – que é quem nos diz que os portugueses, quando da colonização destas paragens, não souberam, ou não puderam, separar suas Casas Grandes de suas Senzalas, e que, por isso, temos aí os mestiços.

Estes últimos dias os tenho passado debruçado sobre as páginas de Brideshead Revisited, o que me tem causado imensa satisfação. Como disse, precisei recorrer a um sebo a fim de procurar por Evelyn Waugh e acabei tendo alguma sorte. No dia seguinte voltei a pôr lá os pés, ou as mãos, e levei comigo uns livros dos quais precisava me livrar a fim de propor troca; disse ao livreiro: “tenho aqui a coleção completa de As Brumas de Avalon em perfeito estado” etc., como se houvesse eu algum dia lido aquela pasmaceira em quatro volumes. Assentiu o senhor e, antes que ele voltasse atrás na idéia, pus-me a perscrutar as estantes razoalvemente organizadas “pelo sobrenome do autor”. Voìla: edição de 1975 de Ulisses, James Joyce, traduzida por Antônio Houaiss. Mais alguns negócios assim e eu me torno um habitué do lugar.

Eu reconheço o poder e a capacidade que têm os temas idiotas de nos fazer corar. Precisava sentir-me apresentável para as reuniões da semana e hoje fui aparar o os cabelos. Ao chegar, como encontrasse o lugar, por sorte, vazio, o assunto introdutório limitou-se ao usual: clima, trabalho e os últimos acontecimentos cá da cidade. Em questão de minutos, apareceu outro cliente. Agora o assunto migrou para o futebol. Calei-me. Mais um cliente entrou. Assunto: reality show. Mantive-me mudo. Enquanto a conversa fluia, eu me sentia sinceramente subjugado. O cabeleireiro, profissional de conhecimentos muito além dos óbvios, ia de um tema a outro se sequer gaguejar. Ora, eu e os meus assuntos prosaicos.

Vênia para tratar de modernices: comprei por esses dias um cd (quem ainda compra cds?) de um arstista, cantor, chamado Mika; libanês, viveu uns tempos em Paris e hoje mora em Londres. Estudou piano clássico, canto lírico, e só aos 17 anos ouviu pela primeira vez o White Album, dos Beatles. Acostumado que sou com bandas como Radiohead, Mogwai, Belle & Sebastian etc., soa-me estranho dizer que este Life in Cartoon Motion, álbum com músicas terrivelmente felizes, é muito bom.

***

Não acham vocês que deveríamos ter um serviço de previsão do Zeitgeist? Poderia ajudar nalguma coisa, talvez na moda; “amanhã fará um dia lúgubre”, “tédio será o espírito da Era de Aquário”, e vestiríamos aquele casaco acinzentado.

***

Em face dos últimos acontecimentos

Oh! Sejamos pornográficos

(docemente pornográficos).

Porque seremos mais castos

Que o nosso avô português?

Oh! Sejamos navegantes,

Bandeirantes e guerreiros,

Sejamos tudo que quiserem,

Sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste

E as mulheres podem doer

Como dói um soco no olho

(pornográficos, pornográficos)

Teus amigos estão sorrindo

De tua última resolução.

Pensavam que o suicídio

Fosse a última resolução.

Não compreendem, coitados,

Que o melhor é ser pornográfico.

[C. D. A.]

Waugh

Postado em March 5, 2008
Categoria: Literatura | 2601 comentários

Enegreceu-me os dedos aquele sebo mas de lá saí  com o Brideshead Revisited. Isto basta.

avec grâce

Postado em February 27, 2008
Categoria: cotidiano | 2562 comentários

Minha pequena e sua família convidaram-me para uma viagem  às paragens provincianas deste Estado no domingo próximo, a fim de cumprir visita a familiares. Como é notório, não suporto muito tempo sem aspirar a poluição das capitais, de modo que o que esbocei foi uma careta de desprezo, ante a qual o sorriso de mon chou murchou como uma flor que, oh,  perde as suas raízes. Ato contínuo, minha consciência foi ao chão. Ainda não contei a ela, mas reconsiderei o convite. Nada que litros de protetor solar e loção repelente não resolvam. E uns óculos de sol.

Além de configurar uma boa chance de eu pôr em prática as aulas de fotografia, já que deve haver umas boas paisagens por lá: vacas, toda espécie de eqüinos, cães, pássaros negros, trilhas, frutas em árvores etc. Todas coisas para mim invulgares.

**

Os estudos me estão agora obrigando a ler Richard Dawkins, um senhor que eu me não daria o trabalho de ler por próprio júbilo ou eventual castigo. O texto Boas e Más Razões Para Crer, em forma de uma carta besta à, sei lá, sobrinha, é uma pérola da ciência. As considerações sobre Tradição, Autoridade e Revelação são, er, mui perspicazes.

Acometeu-me ontem uma vontade bíblica de ler aquele inglês que, à maneira british, destesta a literatura inglesa: Martin Amis. Especificamente o livro intitulado Casa de Encontros, que conta a estória de um triângulo amoroso na ex-URSS. Pelo que li a respeito, é um livro pessimista, áspero etc., narrado por um ex-acólito do armée vermeil. Me apraz.

Salvo no caso de Homens em Armas, tem sido difícil encontrar Evelyn Waugh por aqui. Na última semana encomendei numa livraria o Decline and Fall e inda não o recebi. Bastards.

Assisti uma vez mais à adaptação cinematográfica de O Diabo Veste Prada. Divirto-me com esse filme, ainda que nunca tenha lido o livro.

Aquela francesinha, Marion Cotillard, que ganhou o Óscar por interpretar Piaf não é linda?

marion

 
E  O Insurgente,  parece-me, voltou.

Ah, olá, Grama.

**

Se tudo correr mal, esta há de ser a minha última semana de ócio estéril.

« go backkeep looking »