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	<title>Sententia &#187; opus</title>
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	<description>"As paixões tendem sempre a diminuir, enquanto o tédio tende sempre a crescer.” [D’Aurevilly, Jules]</description>
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		<title>Ê, Machadão</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 14:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada me tira a ideia de que o que Capitu queria mesmo era um ménage à trois.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada me tira a ideia de que o que Capitu queria mesmo era um ménage à trois.</p>
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		<title>and</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Oct 2008 20:52:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[suck my metaphor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>suck my metaphor.</p>
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		<title>Liber conformitatum</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 20:48:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[(Texto já antes publicado que me faz pensar no quanto eu já fui mais inspirado.) Escrever – ou tratar, de qualquer forma – de temas médios é atividade invariavelmente aborrecedora (claro está, logo, o desconforto da classe-média) e o mesmo aplica-se a assuntos normalmente tidos como de valor – neste caso não pelo assunto em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><em>(Texto já antes publicado que me faz pensar no quanto eu já fui mais inspirado.) </em></p>
<p align="justify">Escrever – ou tratar, de qualquer forma – de temas médios é atividade invariavelmente aborrecedora (claro está, logo, o desconforto da classe-média) e o mesmo aplica-se a assuntos normalmente tidos como de valor – neste caso não pelo assunto em si mas, antes, pelo denotado trabalho. Isto posto, torna-se fácil explicar a comum preferência por temas menores e, especialmente, este <em>meu</em> hábito de dar relevo a certas pequenices.</p>
<p align="justify">Estimo um milhão de vezes mais falar da diferença de tom entre meu braço e meu antebraço – disse que não posso com sol – do que comentar sobre a economia norte-americana. Tópicos que <em>atinjam diretamente</em> vida de pessoas não me interessam, bem como não me interessa tratá-los (<em>aqui faço hoje um adendo: não me interessa tratá-los particularmente, no âmbito da minha vida pessoal. Profissionalmente é outra história</em>).</p>
<p>Um cavalheiro, <em>mes braves</em>, deve antes de tudo evitar lágrimas sentimentais. Se por um lado há a inconveniência de se ser homem – digo no sentido amplo ou, devo dizer, bíblico – e correr o risco de se emocionar (compaixão é o que quero dizer) com, digamos, reportagens sobre pessoas que habitam espaços sob viadutos, como uma a que assisti por esses dias, há, por outro lado, a possibilidade de calar a tevê e pegar na estante próxima qualquer livro que não um de auto-amparo e aquietar-se. Ademais, todo gênero de insurreição carrega em si o ônus da deselegância.</p>
<p>Claro, sempre há o feito dito religioso ao qual pagãos recorrem tão constantemente: a oração. A beleza de desejar bem a outrem não está em supostas conseqüências do ato, mas no ato, bem como patinar não é divertido porque me poderia levar a algum lugar, mas, antes, pelo fato de eu estar a deslizar por aí, a esmo, mesmo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>L’expérience intérieure</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Apr 2008 04:53:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>
		<category><![CDATA[o pornógrafo]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto preenchia sua xícara com o chá, preparado minutos antes com folhas de Camellia sinensis, fez uma pequena mesura e disse, com delicada afeição: &#160; – Talvez você devesse relacionar-se mais e mais abertamente; esses trejeitos vitorianos a nada podem levar senão a esse furor reprimido, ave de rapina sem garras. A minha sugestão é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Enquanto preenchia sua xícara com o chá, preparado minutos antes com folhas de <em>Camellia sinensis</em>, fez uma pequena mesura e disse, com delicada afeição:</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">– Talvez você devesse relacionar-se mais e mais abertamente; esses trejeitos vitorianos a nada podem levar senão a esse furor reprimido, ave de rapina sem garras. A minha sugestão é que se encontre com outras pessoas, que mantenha, como dizer?, <em>contato</em> com mais homens, um, dois ou três – ao mesmo tempo, digo. Creio poder ajudar-lhe nesse sentido.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">– Você é mesmo um cavalheiro, não é?</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">– Às suas ordens.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>comique de la reine</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 13:04:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Creio mesmo haver uma distinção especial entre as senhoritas que encontramos por razões puramente ocasionais e aquelas por quais procuramos ou, sendo simples, tencionávamos encontrar.  Nos meus tempos de pasmaceira ousei, e nem sei se ousar é a palavra certa, mas me corrijo depois, ousei contrair namoro com uma pequena evangélica (que é muitas vezes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>Creio mesmo haver uma distinção especial entre as senhoritas que encontramos por razões puramente ocasionais e aquelas por quais procuramos ou, sendo simples, tencionávamos encontrar.</span><span> </p>
<p></span><span>Nos meus tempos de pasmaceira ousei, e nem sei se ousar é a palavra certa, mas me corrijo depois, ousei contrair namoro com uma pequena evangélica (que é muitas vezes diferente de uma cristã; eu adoro as cristãs). Digo nos tempos de pasmaceira não por tê-la namorado, mas por não tê-la corrompido. Chamava-se (e ainda deve chamar-se) Elisa. Moça alta, descarnada, inocente, irritantemente casta. Conheci-a no meu primeiro trabalho, numa época em que eu mesmo era um tanto modesto e aparvalhado. Apaixonamo-nos pelos motivos os mais obtusos e prosaicos: ela por achar-me “romântico” e “inteligente” e eu por ela achar-me “romântico” e “inteligente”. Com a polidez que me sempre caracterizou, perguntei-lhe um dia se ela gostaria de me namorar, ao que ela assentiu como se se tratasse de uma <em>provação</em>, no sentido que alguns evangélicos dão ao termo. O que então pensei foi: namorando-a, poderei enfim ir além desses beijos desérticos. </span><span> </p>
<p></span><span>A nossa afinidade durou cerca de um ano e teve seu ponto alto num dia como esses que aí estão, chuvosos. Como andávamos pela rua que levava à sua casa e tínhamos apenas um guarda-chuva, o acaso nos uniu num mesmo objetivo: não molhar o pulôver. Chegando ao portão de sua residência, quis lhe abraçar e o fiz, num arremesso inadvertido. Enquanto minha mão esquerda segurava com alguma firmeza o cabo do objeto que nos livrava relativamente da chuva, a outra, aflita, tocou-lhe o pescoço esguio e foi aos poucos descendo por um caminho por mim, naquele corpo, nunca outrora experimentado. Em seu arrebatamento, Elisa não percebeu de pronto a minha intenção: com os dedos consegui, através da gola rolê apertada (imaginem o meu prélio), pôr a mão sob o seu agasalho e, enfim, com um prazer desesperado e, depois soube, imbecil, consegui, vejam vocês, tocar-lhe o ombro esquerdo.</span><span> </p>
<p></span><span>Rompi com Elisa semanas depois, através de uma carta <em>cruel</em> inspirada num livro que lia na época, em que a personagem, uma atriz que interpretava Julieta, tal qual a personagem de Shakespeare, tomava veneno após ser desprezada pelo amado. </span><span> </p>
<p></span><span>***</span><span> </p>
<p></span><span>Após a edificante experiência com Elisa, concentrei-me num objetivo grandioso: namorar uma bailarina. Aquelas curvas, o <em>en dehors,</em></span><span><font face="Times New Roman"> </font></span><span>aquela magreza e os movimentos à la Bolshoi intrigavam-me sobremaneira e eu não resistia à tentação de desejar ainda um pouco mais: que a bailarina fosse algo pervertida. Vários ingressos de teatro depois, fui apresentado a uma moça cuja pele, muito branca e muito lisa, me agradou profundamente. Abandonei a minha obsessão pelo universo do Quebra-Nozes quando a minha recém conhecida deliciosamente revelou-se praticante da <em>Danse du Ventre</em>, atividade condenada por Napoleão, que a considerava impura e demasiadamente libidinosa. Com a minha lasciva deusa matriarcal aprendi que ombros servem, afinal, para carregar a bolsa.</span></p>
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		<title>amargura e sua implicação</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jan 2008 11:50:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Ressentimento é algo cujo efeito vai além do sentimento desagradável que é ficar se remoendo e a pensar imprecações; quero dizer, não é algo que fica exclusivamente no campo sentimental. Se sinto qualquer tipo de consternação por uma pessoa, isso lhe irá implicar em prejuízo especialmente físico. É elementar. Magoe-me e esteja preparado: a meus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>Ressentimento é algo cujo efeito vai além do sentimento desagradável que é ficar se remoendo e a pensar imprecações; quero dizer, não é algo que fica exclusivamente no campo sentimental. Se sinto qualquer tipo de consternação por uma pessoa, isso lhe irá implicar em prejuízo especialmente físico. É elementar. Magoe-me e esteja preparado: a meus olhos suas orelhas irão aumentar exponencialmente, de maneira que compará-lo àquele elefante voador do desenho seria nada mais que gentileza da minha parte; sua boca entortará como a da figura pintada por Basil Hallward; as sardas em sua pele que antes eu não via agora se tornarão tão distinguíveis quanto manchas de petróleo na mais límpida das águas; seu andar me parecerá tão coxo quanto ao daquela personagem do Machado e sua voz, um grasnar de um corvo agourento. Entretanto, maneira há de reverter efeitos tão degradantes: agrade-me. Dê-me presentes que me satisfaçam. Bajule-me. Só assim poderá ter a vossa imaculada beleza de volta – ou assim me parecerá.</span></p>
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		<title>sexus</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jan 2008 19:22:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[À mulher chamá-la puta tem duas vantagens muito práticas: ofende-a e excita-nos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>À mulher chamá-la <em>puta </em>tem duas vantagens muito práticas: ofende-a e excita-nos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>o impudico</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jan 2008 11:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se Erythroxylum amplifolium vale como uma árvore. Em caso positivo, falta-me publicar um livro (tenho para mim que escrever não basta; é preciso publicar), ter um filho e, o que é adendo meu, realizar um ménage à trois. Minha contribuição à flora talvez já tenha morrido, enquanto que o opus literário e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>Não sei se <em>Erythroxylum amplifolium </em>vale como uma árvore. Em caso positivo, falta-me publicar um livro (tenho para mim que escrever não basta; é preciso publicar), ter um filho e, o que é adendo meu, realizar um <em>ménage à trois</em>. Minha contribuição à flora talvez já tenha morrido, enquanto que o opus literário e o filho ainda não nasceram. O último item, que não é necessariamente uma tarefa, mas, antes, uma proposta, tramita na cabecinha <em>inda</em> imaculada de minha mulher – que, num artifício capcioso, com o fim de enganar-me, disse-me sentir-se <em>duas mulheres, </em>ao que respondi “meu bem, para essas coisas convém não usar de imaginação”.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title></title>
		<link>http://breviario.org/sententia/2007/08/31/386/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 18:35:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[-Você vem sempre aqui? -Sim. -E por que eu nunca lhe vi antes? -Você vem sempre aqui? -Não.  Há umas gentes muito engraçadas. Gentes que lhe perguntam coisas pelo simples prazer de perguntar, como se houvesse no ato algum prazer. E há: a pergunta sem propósito é um retorno inconsciente à infância, época na qual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>-Você vem sempre aqui?<br />
</span><span>-Sim.<br />
</span><span>-E por que eu nunca lhe vi antes?<br />
</span><span>-Você vem sempre aqui?<br />
</span><span>-Não.</span><span> </span><span> </span></p>
<p><span></span><span><span>Há umas gentes muito engraçadas. Gentes que lhe perguntam coisas pelo simples prazer de perguntar, como se houvesse no ato algum prazer. E há: a pergunta sem propósito é um retorno inconsciente à infância, época na qual a preocupação analítica ainda não nos aborrece, ainda não – como dizer? – nos enche o saco.</span></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>neo-darwinismo social</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Aug 2007 11:42:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Esqueça o Darwinismo Social, que não é do que falo. Não se trata exatamente de pessoas superiores a outras. O que eu quero dizer é que há pessoas mais, err, largas. Far-me-ei entender: imaginem uma linha do tempo, da era geológica à, vá lá, modernidade. Visualize, localize-se nestes tempos, neste século, neste ano. Há, antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><span>Esqueça o Darwinismo Social, que não é do que falo. Não se trata exatamente de pessoas superiores a outras. O que eu quero dizer é que há pessoas mais, err, <em>largas</em>. Far-me-ei entender: imaginem uma linha do tempo, da era geológica à, vá lá, <em>modernidade</em>. Visualize, localize-se nestes tempos, neste século, neste ano. Há, antes do ponto que marca o século vinte e um, culturas, hábitos, civilizações etc. extremamente interessantes à vida nestas paragens moderninhas. Faça um esforço, imagine agora, sobre o ponto 2007, uma mancha que represente a sociedade contemporânea, aliás, imagine várias e minúsculas manchinhas. O homem dotado de interesse pelo passado, pela história, pela literatura, pelos períodos Precambriano, Farerozóico e Cenozóico, pela Pré-história e pela Antigüidade, este homem terá, logicamente, sua mancha bastante arrastada para trás na nossa linha do tempo, e, por conseguinte, sua noção dos princípios fundamentais e das origens lhe permitirá a capacidade de projeção do futuro, ou seja: sua mancha poderá se arrastar também além do ponto onde ele próprio se encontra; daí, percebo agora, a expressão <em>estar à frente do seu tempo</em>. São homens largos.</span></p>
<p align="justify">Os outros, parvos, que por aí andam aos montes, estarão para sempre fadados não a serem manchas, mas somente e tão somente <em>sardas desbotadas</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>mea culpa</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Aug 2007 11:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio que a ONU está culpando o homem pelas mudanças no clima, o efeito estufa, essas coisas. Quanta novidade. É como se minha mãe me culpasse pelo derretimento da margarina que deixei fora da geladeira. Artigo que escrevi para o Painel sobre Aquecimento Global, no 1001 Gatos. Vão lá, ok?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Leio que a ONU está culpando o homem pelas mudanças no clima, o efeito estufa, essas coisas. Quanta novidade. É como se minha mãe me culpasse pelo derretimento da margarina que deixei fora da geladeira.</em></p>
<p><a href="http://1001gatos.org/painel-de-opinioes-sobre-aquecimento-global-edson-junior/">Artigo que escrevi para o Painel sobre Aquecimento Global, no 1001 Gatos</a>. Vão lá, ok?</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>thereby hangs a tale</title>
		<link>http://breviario.org/sententia/2007/08/18/thereby-hangs-a-tale/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Aug 2007 17:18:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu era Julien Lain, um francês riquinho. Morava com meu avô numa mansão e era herdeiro de uma boa fortuna. Eu vivia bem: não trabalhava, estudava artes durante o dia e ia à ópera à noite. Às vezes acompanhado de moças atiladas, também francesinhas, sempre lindas, sempre inteligentes demais para uma mulher. A família Lain [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span>Eu era Julien Lain, um francês riquinho. Morava com meu avô numa mansão e era herdeiro de uma boa fortuna. Eu vivia bem: não trabalhava, estudava artes durante o dia e ia à ópera à noite. Às vezes acompanhado de moças atiladas, também francesinhas, sempre lindas, sempre inteligentes demais para uma mulher. A família Lain era abastada e renomada, de modo que Julien era reconhecido em todos os lugares, tendo acesso livre a todas as rodas da alta sociedade francesa.<span>  </span>O ano era 1914 . Alfred Lain, meu avô, homem muito respeitado, era também temido na cidade. Dono de ações valiosíssimas e influente na política, sempre conseguia tudo o que queria. Eu idem, por conseguinte. Meu avô, homem misterioso e reservado, não saia ao sol. Entre os poucos amigos realmente próximos da família, corria um boato um bocado sinistro sobre Alfred Lain. Dizia-se que ele já vivia há mais de 200 anos, e que a partir dos 50 parara de envelhecer. Eu, cético, achava graça daquilo, fazia troça. Alfred realmente não saia ao sol, mas talvez porque não gostasse. Certo dia chegou à nossa casa uma convidada de meu avô: mulher, jovem, bonita, olhar fulminante, rica. Tratava-me com certa doçura, de uma maneira que eu não gostava de ser tratado; como um imberbe, preferia os modos mais grosseiros da juventude. Disse-me aquela senhora que eu tinha muito a aprender, que a vida ainda me reservava muito, que eu tinha um futuro promissor. Eu só tinha olhos para os seus seios, que se projetavam de dentro do vestido, provavelmente encomendado a algum famoso alfaiate da região, que ela vestia. Não me lembro do seu nome, no entanto não me esqueço do seu cheiro<span>  </span>amiscarado. Passava horas trancada num cômodo da mansão com meu avô, em conversas que duravam o dia todo, a noite toda. Um dia meu avô, chegando até mim, disse-me que havia algo que queria mostrar-me. Eu disse que tudo bem, e então fui levado para cima, para os quartos mais afastados da propriedade. Segui-o sem muita curiosidade – o que haveria de ser?, um novo cômodo?, um livro que terminara de escrever? Após termos subido alguns lances de escada, me disse ele que eu haveria de conhecer um segredo de família, e que isso afetaria a minha vida de alguma forma, de forma irreversível. Pensei comigo que Alfred, afinal, estava sendo muito dramático, e disse que andássemos logo com aquilo. Chegamos às portas de um cômodo que até então eu não conhecia, a oeste da construção, numa área pouco iluminada. Alfred olhou-me com um olhar grave e abriu a porta para que eu entrasse. Entrei e a porta fechou-se atrás de mim, com o meu avô do lado de fora. Olhei à frente. Velas acesas formavam uma penumbra, uma meia luz. Não havia móveis no quarto, exceto por uma mesa redonda no meio do cômodo espaçoso. Nela, encostada, estava a mulher, com o mesmo vestido de quando a ví pela primeira vez, uma alça pendia à direita. No olhar, lascívia. Sobre a mesa, um pequeno punhal talhado em letras que eu não conhecia, e uma taça – vazia. Num misto de susto e excitação, perguntei do que se tratava, imaginando que meu avô havia armado para que seu neto se tornasse deveras e finalmente homem. Com um olhar a mulher me atraiu, de forma que eu não pude evitar ir até ela. Andei em sua direção e era como se eu estivesse entorpecido, fascinado. Ela me mostrava suas pernas enquanto afastava o vestido, me guiava e me tinha sob controle. Quando cheguei até ela fui novamente atacado pelo perfume e algo não me permitia manter abertos os olhos. Eu apenas desejava aqueles lábios, aquela língua, aqueles seios. Beijou-me como jamais imaginei possível um beijo; me subia a espinha dorsal um sentimento de êxtase a ardor. Ela me beijava, me aliciava, percorria com a língua cálida o meu pescoço, e eu me entregava, me doava, lhe cedia. Num certo momento permitiu que eu arrancasse a parte de cima de seu vestido, e alí despejei todo o meu desejo e a minha gana; eu estava louco, extasiado; e enquanto eu lhe possuia, sedento, ela tomou nas mãos a taça – que agora eu via, estava cheia – e bebeu um pouco, derramando o restante nos próprios seios os quais eu tinha na boca e nas mãos. Lambendo aquele líquido alí, na penumbra, vendo o contraste entre a cor magenta da bebida e a sua pele alva e fria, foi o momento mais excitante de toda a minha vida, um prazer inimaginável, impensável, improvável; um prazer humanamente<span>  </span>inalcançável. E, de repente, tombei ao chão; não sentia as minhas pernas, mas um júbilo insuportável ainda me dominava. Antes de desmaiar, lancei um último olhar à mulher. Ela estava de pé, à minha frente, e seu pulso esquerdo sangrava através de um corte. Em seus lábios, um sorriso jubiloso. Aquilo que imaginei vinho, era o seu sangue.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span></span></p>
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		<title>quintus, mais um trecho</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Aug 2007 19:20:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em uma manhã de junho o frio faz com que as casas do *** mantenham por mais tempo suas janelas fechadas, de modo que o ar no interior do lar dos Steinghts era bastante morno, pesado e, talvez se deva dizer, sujo. Marie acordou às sete, pôs o uniforme preto com golas extremamente brancas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>Em uma manhã de junho o frio faz com que as casas do *** mantenham por mais tempo suas janelas fechadas, de modo que o ar no interior do lar dos Steinghts era bastante morno, pesado e, talvez se deva dizer, sujo. Marie acordou às sete, pôs o uniforme preto com golas extremamente brancas e perfeitamente engomadas que usava quando estava a trabalho e foi preparar o chá. A cozinha dos Steinghts era decorada com peças trazidas da Itália do último século, as paredes ostentavam azulejos vitorianos. Marie trabalhava na casa há vinte anos como criada, e há cinco cuidava apenas dos afazeres da cozinha, tendo seus próprios subordinados que se encarregavam dos demais afazeres domésticos. Os Steinghts eram uma família aristocrática de renome na região, e seus membros eram quase sempre políticos ou escritores e eles jamais, jamais se encontravam, pois eram todos, como era de se esperar, muito ocupados. Os patrões de Marie eram o senhor Alfred Steinght, um influente membro da corte de ***, e Elisa Steinght, escritora em ascensão. Aquela casa, construída nas encostas das montanhas *** há mais de 80 anos, era uma mansão espaçosa, de vastos salões e muitos quartos, somando em torno de quinze, contando os aposentos dos empregados. À ausência dos donos da casa devia-se a grande solidão do lar e o silêncio, só quebrado raramente pelas ordens que Marie dava a seus subordinados. Nesta manhã, Marie pensava especificamente na saúde do rapaz recluso no terceiro quarto do segundo andar, próximo ao hall. Há dias ele não se alimentava devidamente nem saia do cômodo, que tinha as portas e janelas fechadas. O médico da família, doutor Philip Rotard, há dias vinha examinando o jovem e promissor Quintus Steinght. Quintus apresentava um estado de letargia profunda, tinha suas vontades anuladas ao menor esforço e não sentia fome. Com 24 anos, Quintus já era formado em literatura inglesa e era conhecido nos meios literários e editoriais por suas críticas ao governo, mais especificamente às ações de seu próprio pai. Uma fresta nas cortinas de seda que adornavam as janelas permitiu que um filete de sol entrasse no quarto, indo tocar exatamente na fronte um tanto quanto suada de Quintus, que acordou aos poucos, mexendo-se incomodamente. Marie, que já não sabia mais o que fazer para acordar o rapaz, foi, uma vez mais, bater à porta do aposento do jovem.</span><span></span><span> </span><span></p>
<p align="justify"><span>&#8211;Entre, Marie – disse, o jovem Steinght.</span><span></span><span> </span></p>
<p></span><span>&#8211;Como sabia que era eu, senhor? – disse Marie abrindo com muito cuidado a pesada porta de carvalho e entrando no cômodo.</span><span></span><span> </span><span></p>
<p align="justify"><span>&#8211;Você tem vindo todos os dias, Marie. Eu agradeço por isso.</span><span></span><span> </span></p>
<p></span><span>&#8211;O senhor se sente bem, senhor? Consegue comer algo?</span><span></span><span> </span><span></p>
<p align="justify"><span>&#8211;Não é preciso que me trate por senhor, minha querida. Eu estou ótimo, obrigado por perguntar. O que temos para o desjejum?</span><span></span><span> </span></p>
<p></span><span>&#8211;Pães, queijo, biscoitos, Leite e chá&#8230;</span><span></span><span> </span><span></p>
<p align="justify"><span>&#8211;Traga um pouco de cada coisa, Marie, por gentileza.</span><span></span><span> </span></p>
<p></span><span>&#8211;Sim senhor – disse a criada com a resolução de uma mulher experiente, já acostumada a cuidar dos doentes da família Steinght e dos de sua própria família. Saiu, desceu as escadas de madeira com o semblante sério, não entendendo exatamente o que se passava com o jovem patrão que, há mais de três dias de cama, de repente diz sentir-se ótimo e pede toda a provisão da cozinha logo no desjejum. Marie dirigiu-se à cozinha com passos apressados, apanhou uma bandeja e, enquanto enchia-a com os pedidos de Quintus, ia pensando no quanto aquilo tudo parecia estranho e, ainda sim, familiar. Pensou em chamar o doutor Philip Rotard, mas pensou que talvez Quintus não gostasse dessa atitude desavisada. A bandeja pesou em sua mão, e ela pensou que provavelmente o jovem no quarto de cima não seria capaz de comer tudo aquilo. Deu uma olhada para os jardins através das janelas da cozinha, viu que a manhã avançava e haveria muito trabalho naquele dia. Voltou-se e seguiu para as escadas. Chegando a quarto de Quintus, encontrou-o absorto em alguma leitura, e isso fez Marie pensar que o rapaz realmente sentia-se melhor naquela manhã. Não obstante a porta estar aberta, a criada achou melhor bater para não interromper bruscamente a concentração do jovem Quintus. </span><span></span><span></span><span></p>
<p align="justify"><span>&#8211;À vontade, Marie – disse, sem se virar.</span><span></span><span> </span></p>
<p></span><span>&#8211;Aqui está, senhor. Espero estar a seu gosto. Peço licença para me retirar. Se precisar de algo&#8230;</span><span></span><span> </span><span></p>
<p align="justify"><span>&#8211;Sente-se, Marie. Eu gostaria de conversar com você &#8211; disse Quintus, apanhando um pão na bandeja e servindo-se de um pouco de chá.</span><span></span><span> </span></p>
<p></span><span>Marie sentou-se numa cadeira ao lado da cama, pousou as mãos um pouco nervosas sobre o joelho direito. Perguntou novamente se Quintus se sentia realmente bem, se não havia necessidade de chamar mais uma vez o doutor Philip. O rapaz, parecendo ignorar essas palavras, começou a falar numa voz calma, porém carregada. </span><span></span><span></span><span></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>quintus. parte I*</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Aug 2007 20:18:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estava já há muito deitado naquela cama desarrumada que era, afinal, a sua cama, lugar de poucos amores, de cheiros não muito variados, de vestígios parcos de atividades de outros tempos, de um tempo suficientemente distante para evitar qualquer sentimentalidade. Cansado de ouvir o canto dos pássaros que àquele instante se recolhiam, levantou-se; suas pernas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><span>Estava já há muito deitado naquela cama desarrumada que era, afinal, a sua cama, lugar de poucos amores, de cheiros não muito variados, de vestígios parcos de atividades de outros tempos, de um tempo suficientemente distante para evitar qualquer sentimentalidade. Cansado de ouvir o canto dos pássaros que àquele instante se recolhiam, levantou-se; suas pernas fraquejaram como fraquejam as pernas de quem está há três dias deitado, em jejum. Deu uns passos mórbidos pelo quarto numa meia-luz, olhou o teto, procurou pela luz e, não a encontrando, voltou a face à parte inferior de seu corpo, olhou seus pés que estavam gelados e dormentes dentro de meias que foram em algum momento brancas. Seu nome era Quintus, em errônea homenagem à quinta-feira, o quinto dia, um dia em outros tempos devotado a Júpiter, deus que hoje não o é mais. Quintus tentou, mas não conseguiu alcançar a porta a uns quatro, talvez cinco passos à sua direita. Sentiu algo, como uma grande e irresistível preguiça e, num movimento de quem se entrega à morte lançando-se de um precipício, deixou-se cair novamente em sua cama; a queda produziu um barulho oco.</span><span> </span></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><span></span></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><span></span></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><span></span></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><span>*<em>pedaço solto de um livro que começo agora a escrever. Dêem suas opiniões. Quando der na telha, posto mais uns trechos.</em></span></p>
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		<title>otimismo</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jul 2007 16:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[opus]]></category>

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		<description><![CDATA[Então é isso, gente. Vamos que vamos, que é palha esse negócio de ficar aí parado, paradão. Seja otimista, pense positivo e a kgb, quer dizer, o universo vai e deve conspirar a seu favor, como disse o nosso amigo mago e colunista do g1, mr. Rabbit. Mas não é só isso, não; o negócio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><span>Então é isso, gente. Vamos que vamos, que é palha esse negócio de ficar aí parado, paradão. Seja otimista, pense positivo e a kgb, quer dizer, o universo vai e deve conspirar a seu favor, como disse o nosso amigo mago e colunista do g1, mr. Rabbit. Mas não é só isso, não; o negócio agora é a “lei da atração”, mesma coisa que eu disse há três linhas mas com nome diferente. Está no <em>O Segredo</em>, daí você não vai duvidar, pois se trata de um trabalho sério, de pesquisa séria, de anos a fio. Tipo eu, por exemplo, agora me deito no meu leito quente e fico lá a pensar em coisas mui positivas (positivas pra mim, é lógico): penso que minha irmã mais nova bem que podia me trazer o leite quente, pois o frio está de rachar e sair da cama para ir à cozinha é atividade árdua; penso <em>otimistamente</em>, com uma força de franzir o cenho e eis que ouço bater à porta: “Um leitinho quente, Ed?” Claro, por favor. Enquanto tomo o leitinho saudável, penso nas vantagens do otimismo verdadeiro, da força que essa palavrinha traz ao meu espírito. Esperando o ônibus, bato um papo com o universo conspirador, com gentileza e esmero, e ele me dá nas costas um tapinha e diz “vai”, e vejo que vem chegando a condução bem na horinha em que eu mais precisava. Há pessoas que exageram, vê-se: já soube de um caso em que uma pessoa, confiando na força do otimismo, do pensamento positivo e da lei da atração pediu um carro, assim, simples assim. Não ganhou, evidentemente. Aqui dou uma dica que vai ajudar a melhor utilizar os livros e filmes e cartilhas de auto-ajuda: quando esperar por alguma coisa e for fazer um pedido, faça-o sempre intermediando uma pessoa, um ser ou uma entidade entre seu desejo e a <em>coisa</em> desejada. Por exemplo: não diga “eu quero um carro”, diga “bem que papai podia me dar um carro no meu aniversário”. Isso também é importante: localizar fisicamente e temporalmente o seu desejo é essencial. Quantas vezes você já viu alguém pedir alguma coisa e não ganhar? Pois é. Diga “quero hoje”, “quero no natal”, “quero no meu horário de almoço” e pronto. Otimismo é a chave, gente. Mas as portas da percepção estão bloqueadas pelo lado de dentro.</span></p>
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