Macbeth

“Ser rei nada significa, é preciso ser tranquilo” é todo o Macbeth reduzido a um aforismo. E como toda a gente contemporânea de Shakespeare, tal como a nossa, possuia certa, herr, dificuldade para entender proposições de profundo significado, foi preciso manchar as mãos em sangue real para garantir que a moral da história fosse bem […]

Dry martini

Tenho moderada afinidade com os livros de Hemingway, com a canalhice de Hemingway. Só não me agrada mesmo aquele hotel, mas, sejamos razoáveis, o homem não tem culpa.

G. K. Chesterton

“I cannot understand the people who take literature seriously; but I can love them, and I do.”

À la manière

Em se tratando de convencer os amigos entusiastas menores da literatura, Baudelaire ia logo dizendo, num romântico aforismo, que um homem pode viver três dias sem pão, mas não sobrevive um dia sequer sem poesia. Uma mentirinha necessária. Outros, pouco mais destituídos do romantismo, dizem que pode-se viver sem quadros e sem música, mas não […]

“Caudfield”

Salinger não merece os fãs que tem. Isso explica o fato de tantas pessoas - uma boa parte dos que se entendem intelectuais - não gostarem d’O Apanhador. E juro que agorinha, pesquisando comunidades no orkut, num instante de iluminação,  eu me uni ideologicamente a essas pessoas. Ler algo como “para todos que se identificam […]

Notas

Então passei todo o sábado com a minha pequena. Sorvete, partidas de xadrez e algo mais que não me é permitido aqui dizer, sob risco de retaliação.
Ontem, domingo, calor infernal à tardezinha, pus-me novamente a jogar xadrez com um amigo. No media player tocava Is This It?, Strokes, enquanto eu fumava o bispo tombado do adversário. […]

D.F. Wallace

Ótima resenha sobre o livro Oblivion, de David Foster Wallace, aqui.

Keats, Wilde, Proust & me

Eu não leio poesia, como já escrevi dantes, mas muito me agrada a história de John Keats (não, não li na wikipedia): rico e ocioso, passava os dias lendo; ou seja, a vida que eu queria ter. Keats morreu de tuberculose em 1821, e sobre seu túmulo foi inscrita a famosa sentença “Here lies one […]

Literatura é política

Eu gosto de ler notícias velhas, e foi lendo uma que me lembrei que Saramago é um escritor de esquerda. Em 2003 o nobel português rompeu relações com o governo cubano, que, a mando de Fidel Castro, fuzilou dois “transgressores”. José Saramago também é membro do Partido Comunista Português e autor de manifestos famosos - […]

Os Verdadeiros Burros e os Falsos Loucos

O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontâneamente, uma vez por mês, no mínimo, se chama a si mesmo asno…, coisa que hoje em dia constitui uma raridade inaudita. Outrora dizia-se do burro, pelo menos uma vez por ano, que ele o era, de facto; mas hoje… nada disso. […]

Ao Vencedor, as Batatas

Citei Machado de Assis num post anterior, o que me fez lembrar de Quincas Borba, que, creio, é sua melhor obra. A teoria Humanitas, a idéia de que não há morte:
 — Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma é a condição da […]

O Lobo da Estepe e eu

A leitura desenvolve em nós desejos infames. É natural que uma criança, quando absorta num conto de fadas, imagine-se na história, rodando e rodando nos carrocéis da imaginação. Mas agora, eu, aos 24 anos, lendo O Lobo da Estepe, querer ser Harry Haller já é demais. Se bem que é um estilo sedutor de vida: não […]

Un amour de Swann

“E a doença que era o amor de Swann se havia multiplicado tanto, estava tão estreitamente emaranhada a todos os seus hábitos, a todos os seus atos, a seu pensamento, sua saúde, seu sono, sua vida, até mesmo àquilo que desejava para depois de sua morte, formava com ele então praticamente um todo, que não […]

Woody Allen tinha razão

Sabem, é engraçado. Quando chego em casa tarde da noite, fico pensando no que é a vida. E sei, ela não passa de uma historinha que o Wood contou em 1977:
“É uma antiga piada: duas velhinhas em um hotel fazenda. Uma diz: ‘a comida aqui é um horror’. A outra diz: ‘eu sei, porções minúsculas’. […]

Mr. Mahaffy

Foi ele quem nos ensinou que, em sociedade, cada homem e mulher civilizados devem encarar como um dever a tarefa de dizer alguma coisa, mesmo nos momentos em que pronunciar qualquer palavra pareça ser uma missão das mais difíceis. Noutras palavras, nem sempre é melhor ficar calado.
Minhas  sinceras condolências à família e amigos do Gabriel, que […]

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