fouet

Concentração é virtude de toureadores como Antônio Ordóñez, aquele no qual inspirou-se Hemingway para criar um seu personagem de The Sun Also Rises, Pedro Romero, vocês sabem. Digo isto pois venho nos últimos dias esforçando-me algo, não muito, para dar continuidade ao meu livro; tamanha é a veracidade contida nesta afirmação que ali ao lado [...]

lolita

Ler Nabokov é um risco delicioso: a gente começa a ver ninfetas por toda a parte e a achar as mocinhas de 20 velhas demais.

a nova gnomonia

Tive conhecimento da nova gnomonia por uma conversa de café. O poeta Augusto Frederico Schimidt e o compositor Ovalle debatiam animadamente um ponto da nossa situação interna, particularmente a ação de certo homem político, quando o segundo, inclinando-se para a frente em atitude de advertência, colocou a mão direita no joelho do primeiro e proferiu [...]

produits du terroir

Gosto muito de Ian McEwan, mas creio ter sido uma maldade lê-lo tão pouco tempo depois de ter lido Chesterton. Pensando bem, foi um pecado. É como se, após uma torta de maçã, me viessem oferecer um bolo de fubá. 

stendhal

Regras básicas de avaliação do amante.

“Nunca entendi como dois homens podem se juntar para escrever um livro. Para mim, é como precisar de três pessoas para produzir um filho.” (Evelyn Waugh)

fabliau

“Há muita diferença entre uma mulher bonita e uma mulher costureira. Se uma mulher bonita, reconhecida como tal, pusesse uma touca, um vestido de guingão e um avental de seda, sua vestimenta, sem dúvida, fá-la-ia parecer uma bonita costureira. Se, porém, uma costureira se enfeita com um chapéu, uma capinha de veludo e uma saia [...]

Causerie

Não se deve ler uma obra literária com intenções analíticas, salvo em casos de crítica e/ou revisão; do contrário, despir-se de todo olhar desconfiado antes de começar a leitura de um clássico é ação razoável, sendo mais apropriado ajoelhar-se e agradecer não a Deus, mas à loucura do autor. Isso a fim de retirar de [...]

after coffee

“A maioria das pessoas só é capaz de uma quantidade moderada de felicidade; mas ninguém jamais consegue descobri-lo sem a experiência, e mesmo com esta, são poucos os que chegam a tanto: a maioria das pessoas tende sempre a atribuir a causas exteriores uma insatisfação que tem origem interna. Esperando portanto encontrar no casamento um [...]

do Lat. cuppa

Lucas Murtinho começa tudo dizendo que “é preciso ter fé para acreditar na eficiência dos prêmios literários”. Sim, muita fé, Lucas; concordo. Aliás, como eu disse no post anterior, há coisas neste país que são deveras inacreditáveis, inconcebíveis até. Mas voltando: eu gosto da literatura, convivo com ela, mas não é toda e qualquer coisa que se [...]

ainda, reparação

Escusado seja que eu fale uma vez mais de Ian McEwan. Como os parcos leitores deste mecenato bem o sabem, estou a ler o Reparação, livro do inglês lançado aqui em 2002 pela Companhia das Letras. Não o vou resenhar, nem lhe fazer prefácio, coisas já feitas, ou intentadas, por tantos outros. Como bem disse a [...]

bildungsroman

Vocês não sabem, mas eu estou em casa agora. Mais que isso: estou escrevendo do meu computador de casa, mais exatamente do meu quarto, mais especificamente com fones nos ouvidos a tocar My Bloody Valentine, que é uma banda pela qual me interessei quando assisti aquele filme, Lost in Translation, da filha do Francis Ford [...]

explico

Não sei quanto a vocês, mas eu não consigo ler um livro cuja história (ou estória) se passe muito perto de mim. É preciso um distanciamento geográfico, uma distância que garanta a minha ignorância no que toca ao local narrado. Há uns anos, por exemplo, ganhei um livro dum autor aqui de Belo Horizonte. Garimpeiro [...]

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Estou lendo concomitantemente literaruras francesa e inglesa, e nisso não vejo problema. Literarura, meus amigos, não é geografia.

Ian McEwan, reparação

Eu mal comecei, mas só pela escolha da epígrafe já valeria a pena: ” ‘Cara senhorita Morland, pense o quanto são horrorosas as suspeitas que tem nutrido. Em que se fundamentam tais julgamentos? Pense em que país e em que era vivemos. Lembre que somos ingleses, que somos cristãos. Consulte seu próprio entendimento, seu senso [...]

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