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	<title>Sententia &#187; jornalismo</title>
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	<description>"As paixões tendem sempre a diminuir, enquanto o tédio tende sempre a crescer.” [D’Aurevilly, Jules]</description>
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		<title>Todo otimista é um mal-informado</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 23:27:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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<p align="justify">Outro dia me pediram para escrever um artigo sobre o café. Depois de cravado o último ponto final, notei que a melhor frase do texto era “a única provável diferença entre o café do rico e o café do pobre é a qualidade da xícara” – uma sentença no mínimo espirituosa, jovial. Dias depois comprei a edição do jornal para ver lá o meu texto e, vejam vocês, a referida frase fora descaradamente extirpada do texto, e lá se foi o charme do autor.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Depois me vêm dizer que os jornais estão vendendo menos, que a internet é uma ameaça ao jornalismo. Ora. A maior ameaça ao jornalismo são hoje os próprios jornalistas – em especial os editores, esses senhores com 30 anos de experiência e tato zero para o <em>novo aeon</em> da comunicação, por assim dizer. Bons tempos aqueles de Nelson Rodrigues, Paulo Francis.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Ou noutros termos: os nossos jornais querem jornalistas articulados, que tenham estilo. Mas não muito.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"> </p>
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		<title>o id suprimido da esquerda</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Nov 2007 01:49:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[citação]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não assisto tv, tampouco sei do que tratam as novelas. Por esses dias, através do Fábio, fico sabendo que a Globo está a exibir uma &#8220;novela de direita&#8221;. Achei o negócio pitoresco, mas ainda não o suficiente para me fazer ocupar um lugar na poltrona da sala. Mas então, agorinha, pondo-me a par da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não assisto tv, tampouco sei do que tratam as novelas. Por esses dias, <a href="http://nottupy.blogspot.com/2007/11/por-que-eu-acredito-no-brasil.html">através do Fábio</a>, fico sabendo que a Globo está a exibir uma &#8220;novela de direita&#8221;. Achei o negócio pitoresco, mas ainda não o suficiente para me fazer ocupar um lugar na poltrona da sala. Mas então, agorinha, pondo-me a par da política via <a href="http://narizgelado.apostos.com/archives/2007/11/aguinaldo_silva.html">Nariz Gelado</a>, dou com um link para o blog do escritor <a href="http://bloglog.globo.com/blog/post.do?act=loadSite&amp;id=2515&amp;permalink=true">Aguinaldo Silva</a>, autor da referida telenovela. O que leio deixa-me boquiaberto:</p>
<p>“<em>Em 1978, quando a ditadura já seguia em velocidade de cruzeiro e muitos intelectuais de esquerda haviam dado um jeito de mamar de novo nas tetas do governo que supostamente ainda condenavam, eu ganhei o I Prêmio Abril de Jornalismo no gênero “melhor reportagem individual”, com uma matéria intitulada “Pobres Homens de Ouro”.</em></p>
<p><em><br />
<em>Os Homens de Ouro, se vocês não sabem, era o ovo da serpente do qual nasceu o Esquadrão da Morte e seus afiliados da época, todos de sinistra memória. Então, aos olhos de todos, inclusive os meus, os mocinhos (ou seja, a polícia) eram os bandidos. </em></em></p>
<p><em><br />
<em>Esse foi um cacoete que adquirimos naqueles tempos difíceis, e do qual muitos não se livraram até hoje: para estes, a polícia não presta. E os bandidos, mesmo aquele psicopata sedento de sangue do ônibus 174, são apenas heróis românticos, justiceiros dispostos a expropriar o que lhes pertence e que nós, a chamada “elite”, lhes roubamos, porque temos o atrevimento de trabalhar e ganhar dinheiro.</em></em></p>
<p><em><br />
<em>Naquela época, os Homens de Ouro, que eram sete e incluíam o famoso Mariel Mariscot, era o que havia de mais temível. Ao escrever sobre eles, e mostrar como eles progrediram na vida através do terror e da mão grande, eu fui premiado, mas causei preocupação aos amigos, que me perguntavam a toda hora: “você não tem medo?”</em></em></p>
<p><em>Eu tinha. Então eu era – desculpem a falta de modéstia – uma das “estrelas” dos jornais alternativos Opinião e Movimento, para os quais fazia matérias semanais Muitas vezes eu saía de madrugada de minha casa no então ameno bairro de Santa Teresa para entregar meus textos na redação dos jornais no Jardim Botânico. E enquanto atravessava a Rua das Laranjeiras, o Cosme Velho e o Túnel Rebouças no meu Fusca, tinha a nítida sensação de que estava sendo seguido. Em geral estava. Mas as ameaças nunca passavam disso.</em></p>
<p><em><br />
<em>Então eu já tinha sido preso (fiquei 70 dias na Ilha das Flores, 45 dos quais incomunicável), e também fui processado três vezes, sempre por delitos de opinião, que permitiam ao então Ministro da Justiça, o dr. Armando “no coments” Falcão, me enquadrar na Lei de Imprensa.</em><br />
<em>Podia, por causa da prisão e dos processos, ter pedido indenização ao governo atual, como fizeram muitos. Mas não acho que o povo tenha que pagar pelos agravos que sofri em virtude de minhas convicções políticas. Por isso prefiro viver às minhas próprias custas. E se tem alguma coisa da qual vou me orgulhar na hora da morte é de sempre ter vivido do meu trabalho e jamais ter mamado nas tetas de nenhum governo.</em></em></p>
<p><em><br />
<em>Sim, na época eu tinha medo. Mas por mais sangrenta que fosse a ditadura, as aflições que então sofríamos por causa disso não tinham tanto peso quanto têm as aflições de hoje, quando somos supostamente livres. É que na época os militares até podiam impor arbitrariamente sua vontade. Mas pelo menos não eram fundamentalistas, não achavam que tinham a missão divina de reorganizar e assim salvar o mundo. E agora… </em></em></p>
<p><em><br />
<em>Agora os que não concordam com o que está aí também sentem medo. E são seguidos na calada da noite. E são ameaçados. E têm suas contas bancárias secretamente devassadas. E recebem telefonemas sinistros disparados de celulares com IDs privados. E morrem sim, porque alguns, como aquele prefeito lá de Santo André, são mortos nunca se sabe porquê nem como.</em></em></p>
<p><em><br />
<em>Digo a vocês sem maiores rodeios. Neste momento eu sinto medo, e tenho sérias razões pra isso. A julgar pelo que dizem os telefonemas disparados dos tais celulares com IDs privados, por motivos alheios à minha vontade posso até nem terminar a novela DUAS CARAS, que tanta discussão está gerando. </em></em></p>
<p><em><br />
<em>Mas fica o aviso: se eu parar não será por minha própria vontade. E embora, no final de contas, o que eu faço seja “apenas Chinatown”, ou seja, uma novela, se eu não puder terminá-la porque amanheci, como dizem os tais telefonemas: “com a boca cheia de formigas”, espero que um dia Mamãe História se pronuncie e alguém venha a ser responsabilizado por isso.</em></em></p>
<p><em><br />
<em>Mas não se preocupem. Isso ainda não é uma despedida. Até o próximo texto!”</em></em></p>
<p>***</p>
<p>A resposta do Rei Juan Carlos, da Espanha, à estupidez de Hugo Chávez na <em>17ª Cúpula Ibero-americana de chefes de Estado e de Governo</em> não cabe a toda a esquerda?</p>
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		<title>decadência do mito</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Oct 2007 16:45:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[ A Veja aqui e a Atlântico em Portugal. Resolveram, para a alegria das direitas, achincalhar de vez com o Che. De minha parte, agradeço.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="188" src="http://farm2.static.flickr.com/1123/1464503792_3246ec345a_m.jpg" height="240" /></p>
<p> A <a href="http://arquivoetc.blogspot.com/2007/09/che-guevara-quarenta-anos-de-um-mito.html">Veja aqui</a> e a <a href="http://www.atlantico-online.net/blogue/2007/10/01/contra-o-politicamente-correcto/">Atlântico</a> em Portugal. Resolveram, para a alegria das direitas, achincalhar de vez com o Che. De minha parte, agradeço.</p>
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		<title>bah</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Sep 2007 12:14:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
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		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma discussãozinha da qual não participei, uma indignação ingênua da qual não compartilho. Ainda assim fui citado no Estadão de ontem, numa reportagem de Marili Ribeiro e Renato Cruz, sobre o que chamam blogosfera. Óbvio: com a pena da galhofa, fiz uma observação superficial, cheia de witty e desprezo pela causa dos blogueiros mais, err, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>Uma discussãozinha da qual não participei, uma indignação ingênua da qual não compartilho. Ainda assim fui citado no Estadão de ontem, numa reportagem de Marili Ribeiro e Renato Cruz, sobre o que chamam <em>blogosfera</em>. Óbvio: com a pena da galhofa, fiz uma <a href="http://breviario.org/sententia/2007/08/30/pff/">observação superficial, cheia de <em>witty</em> e desprezo </a>pela causa dos blogueiros mais, err, ofendidos, e os editores do jornal adoraram. Em meio a outros citados, como o <a href="http://www.alfarrabio.org/">Alfarrábio</a> e o <a href="http://www.linguadetrapo.blogspot.com/">Língua de Trapo</a>, estranhei a ausência do caro <a href="http://subsolo.org/hermenauta/">Hermenauta</a>, cujo comentário vi publicado por <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/cruz/?title=debate_do_estadao_na_blogosfera&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">essas paragens</a>.</span></p>
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		<title>pesar</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jul 2007 11:21:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu sou um mau exemplo de jornalista: não ouço rádio e ao chegar em casa passo da sala ao quarto sem nem direcionar um olhar para a tv, e para isso dou de ombros, mas isso não é o que eu queria dizer; o que eu quero dizer é que só fiquei sabendo há pouco do acidente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou um mau exemplo de jornalista: não ouço rádio e ao chegar em casa passo da sala ao quarto sem nem direcionar um olhar para a tv, e para isso dou de ombros, mas isso não é o que eu queria dizer; o que eu quero dizer é que só fiquei sabendo há pouco do acidente em São Paulo e que, por isso, estou de boca aberta atrasado, se me permitem. <a target="_blank" href="http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL72131-5605,00.html">O G1 divulgou a lista com os nomes das vitimas</a>, o que é uma coisa extremamente triste se se pensar que alguém encontre um conhecido lá.</p>
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		<title>conditio sine qua non</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jul 2007 19:40:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[O mundo atual é um mundo pessimista, e isso deve-se, claro, ao homem. Há no pensamento contemporâneo uma debilidade romântica que é vulgarmente utilizada como pano de fundo para a literatura. Uma literatura horrorosa, diga-se. Só os livros escritos em bons tempos, tempos de glórias e vitórias, tempos de pós-guerra num país vencedor, somente esses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo atual é um mundo pessimista, e isso deve-se, claro, ao homem. Há no pensamento contemporâneo uma debilidade romântica que é vulgarmente utilizada como pano de fundo para a literatura. Uma literatura horrorosa, diga-se. Só os livros escritos em bons tempos, tempos de glórias e vitórias, tempos de pós-guerra num país vencedor, somente esses livros têm o direito de ser pessimistas. Vejo que há uma certa confusão entre o jornalismo e a literatura; o primeiro tende a ser um reflexo da sociedade, um espelho, enquanto que uma literatura que se limita a narrar o mundo à sua volta não está fazendo o seu papel realmente. O douto Capote, a exemplo, escreveu um grande livro que é na verdade uma grande reportagem. Até no realismo mais seco são necessárias umas doses de fábula, que muitas vezes vem travestida em mentirinhas inofensivas. </p>
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		<title>(re) forma ortográfica</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jul 2007 19:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Andei lendo por esses dias uma antiga edição européia de A Relíquia, do senhor Eça de Queiroz, em português clássico, de Portugal. Divirto-me lendo os portugueses, gosto das diferenças lingüísticas sutis (ou subtis, como lá se diz) entre brasileiros e lusitanos. E os blogs; parte dos blogs que leio diariamente é portuguesa. Outro dia mesmo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Andei lendo por esses dias uma antiga edição européia de A Relíquia, do senhor Eça de Queiroz, em português clássico, de Portugal. Divirto-me lendo os portugueses, gosto das diferenças lingüísticas sutis (ou subtis, como lá se diz) entre brasileiros e lusitanos. E os blogs; parte dos blogs que leio diariamente é portuguesa. Outro dia mesmo, numa atividade profissional, eu “traduzia” para o nosso português uma espécie de manual de Gestão do Tempo quando, de repente, cheguei num ponto em que eu não encontrava de modo nenhum uma expressão equivalente para determinado verbete – provavelmente por incompetência deste que vos escreve. Vi que uma amiga portuguesa, blogueira, estava on-line e pedi auxílio. E gostei muito do que ela me disse: que em Portugal é hábito estender demais as frases, os parágrafos. Os amigos europeus adoram florear, enfeitar a frase. Observei que isso talvez fizesse bem à literatura.</p>
<p>No que toca à legislação, pelo menos, em 2009 isso deve acabar. O Acordo Ortográfico da língua portuguesa, a ponto de entrar em vigor, pretende eliminar as diferenças entre Brasil e Portugal. Segundo estima-se, a unificação da ortografia da língua portuguesa irá causar modificações no modo de escrita em 1,6% do vocabulário utilizado em Portugal, enquanto que as mudanças no Brasil serão de 0,5%. Noutras palavras, os 200 mil afortunados (incluindo, err, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau) que falam português estão fodidos e terão que entrar novamente para a escola (exagero).</p>
<p>O ponto que abrandou a minha boca torta de média desaprovação foi o que diz respeito às publicações literárias que, após a reforma, não precisarão passar por revisões e adaptações para serem distribuídas por aqui. Mas há detalhes que desagradam, como a extinção do trema – que eu acho tão simpático. O uso do hífen também será muito limitado, o que favorecerá quem já não o utilizava mesmo (“eu profetizei a mudança da língua”). Os ditongos (lembram-se deles?) &#8216;ei&#8217; e &#8216;oi&#8217; de palavras paroxítonas, como assembléia, não serão mais acentuados, o que também irá fazer sorrir o colega que os já não acentuava mesmo (“eu profetizei a mudança da língua”). Ainda na casa dos desagrados: as novas regras ortográficas obrigarão os portugueses a abandonar o uso daquele &#8216;c&#8217; simpático com o qual eles grafam palavras como “acção”, um dos detalhes mais simpáticos da grafia do português europeu.</p>
<p>O Itamaraty diz que o fato de haver dois tipos de idioma português dificulta campanhas de divulgação da língua e sua adoção em fóruns mundiais. Alguém faça o favor de dizer para essa gente do Itamaraty que, com esse argumento, eles não vão conseguir muita coisa.</p>
<p>Os lingüistas preguiçosos brasileiros (provavelmente de esquerda) já iniciaram as bravatas, dizendo que a reforma só irá confundir os estudantes. Ora, e desde quando algum estudante brasileiro domina o português que hoje é (ou deveria ser) falado?</p>
<p>Mas creio que não há com o que se preocupar. A idéia de unificar o idioma português já existe há 20 anos e, entrando ela mesmo em vigor, as mudanças não configurarão mais que a troca do gerúndio pelo particípio.</p>
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		<title>afetação</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jul 2007 11:06:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
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		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uma crítica ao jornalismo cultural brasileiro que tem como base o fato de as editorias de cultura publicarem apenas o que já vem enlatado pela indústria cultural. A crítica é válida, mas pressupõe que todos dependam dos jornais para ter acesso às artes, à literatura, etc, o que, a meu ver, é uma tremenda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma crítica ao jornalismo cultural brasileiro que tem como base o fato de as editorias de cultura publicarem apenas o que já vem <em>enlatado</em> pela <em>indústria cultural</em>. A crítica é válida, mas pressupõe que todos dependam dos jornais para ter acesso às artes, à literatura, etc, o que, a meu ver, é uma tremenda vaidade.</p>
<p>*</p>
<p>Leiam <a href="http://xy7htk.wunderblogs.com/archives/023100.html#more">isso</a>, e mais <a href="http://breviario.org/calculorenal/2007/07/03/reduzidos-ao-minimo/">isso</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Do que eu não gosto em um texto jornalístico</title>
		<link>http://breviario.org/sententia/2007/04/17/do-que-eu-nao-gosto-em-um-texto-jornalistico/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2007 17:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Não gosto de tanta objetividade, não gosto do lead clássico. Onde está o drama? E por que eu, achando um acontecimento terrível, não posso chamá-lo terrível? Vou dizer: até entendo a tentativa do jornalista de ser imparcial, passivo de opinião própria – que os leitores somente e tão somente possam achar o que quiserem da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>Não gosto de tanta objetividade, não gosto do <em>lead</em> clássico. Onde está o drama? E por que eu, achando um acontecimento terrível, não posso chamá-lo terrível? Vou dizer: até entendo a tentativa do jornalista de ser imparcial, passivo de opinião própria – que os leitores somente e tão somente possam achar o que quiserem da notícia. Mas nesse ponto sinto um certo conflito de ideologias: se o jornalista deve informar com fidelidade os fatos, e se tais fatos são sim terríveis, por que não dizê-los logo terríveis? Mas divago. O que eu quero dizer é que gosto do nariz de cera. Gosto das introduções literárias, tão comuns nos jornais de há alguns anos – era tão mais viva a coisa toda, mais humana e sincera e tal. Jornalistas que precisam se ater às suas regrinhas tão chatinhas (quase todos) são todos iguais. Apenas uma minoria consegue desenvolver algum estilo peculiar mesmo presa aos grilhões da profissão. E por isso os colunistas são tão lidos; a classificação de opinativa dada às colunas dos jornais quer dizer que elas não possuem classificação – a não ser os setoristas, que só sabem sobre o que sabem. Para ter uma idéia do tipo de jornalista a que me refiro, pensem em Nelson Rodrigues, Paulo Francis. Estes e alguns outros poucos são (ou eram) jornalistas que valem mesmo a pena serem lidos.</span></p>
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		<title>07.02.07</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Feb 2007 11:25:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Clodovil chamou Chinaglia de mal-educado, como se todos no plenário fossem educadíssimos e letrados. * Na China já estão à venda balões em formato de porcos rosas em homenagem ao ano do suíno, que começa no dia 18. Agora você entende porque no Brasil vendê-se balões de todos os formatos, de todos os bichos. * [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Clodovil chamou Chinaglia de mal-educado, como se todos no plenário fossem educadíssimos e letrados.</p>
<p align="center">*</p>
<p>Na China já estão à venda balões em formato de porcos rosas em homenagem ao ano do suíno, que começa no dia 18. Agora você entende porque no Brasil vendê-se balões de todos os formatos, de todos os bichos.</p>
<p align="center">*</p>
<p>E outro pacote-bomba explodiu na Grã-Betanha. Que medo do PAC.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>ONU (óbvio, nações unidas)</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Feb 2007 10:48:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio que a ONU está culpando o homem pelas mudanças no clima, o efeito estufa, essas coisas. Quanta novidade! É como se minha mãe me culpasse pelo derretimento da margarina que deixei fora da geladeira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leio que a ONU está culpando o homem pelas mudanças no clima, o efeito estufa, essas coisas. Quanta novidade! É como se minha mãe me culpasse pelo derretimento da margarina que deixei fora da geladeira.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Je suis Blasé</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jan 2007 19:10:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogs]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Permitam que eu não fale do caso YouTube/ Cicarelli. Já cansou e, no fim das contas, não deu muita coisa mesmo. Já desbloquearam a coisa toda. *** Tempo tresloucado por aqui: sol do 5º inferno pela manhã e, agora, está para desabar o céu lá fora. Digo, muita chuva, no duro mesmo. *** E deixem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Permitam que eu não fale do caso YouTube/ Cicarelli. Já cansou e, no fim das contas, não deu muita coisa mesmo. Já desbloquearam a <em>coisa </em>toda.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Tempo tresloucado por aqui: sol do 5º inferno pela manhã e, agora, está para desabar o céu lá fora. Digo, muita chuva, no duro mesmo.</p>
<p align="center">***</p>
<p>E deixem eu indicar o blog do <a target="_blank" href="http://koenigsberg.wordpress.com/">&#8220;jovem economista kantiano observa o mundo, dois parágrafos de cada vez.&#8221;</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>“ O casamento nos dá ensejo a grandes excitações coletivas: se conseguíssemos suprimir o complexo de Édipo e o casamento, o que nos restaria para contar?” (Barthes)</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Dec 2006 16:18:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Vidas Paralelas &#8211; Cinco Casamentos Vitorianos, livro de Phyllis Rose, professora de literatura inglesa da Wesleyan University, vale não pela autora, mas pelos autores nele retratados. Em seu livro, ela busca retirar lições sobre casamento (ou relações de união, etc) analisando as relações de cinco escritores ingleses da era Vitoriana: John Stuart Mill, John Ruskin, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span></span><span><span><font face="Times New Roman">Vidas Paralelas &#8211; Cinco Casamentos Vitorianos, livro de Phyllis Rose, professora de literatura inglesa da <em>Wesleyan University</em>, vale não pela autora, mas pelos autores nele retratados. Em seu livro, ela busca retirar lições sobre casamento (ou relações de união, etc) analisando as relações de cinco escritores ingleses da era Vitoriana: John Stuart Mill, John Ruskin, Thomas Carlyle, Charles Dickens e George Eliot. Quando lí esse livro, algo, no começo, me cansou:<span>  </span>a linguagem e o modo como Phyllis quis contar as histórias. Como posso explicar? Ela pretendia contar sobre a vida de cada escritor e, ao mesmo tempo, escrever uma novela. Quis biografá-los sem fazer biografia. E isso, em literatura, não funciona. Um livro é o que é. E Vidas Paralelas é um livro de biografias – gênero que particularmente detesto – que vale por passagens como essa, em que Stuart Mill renuncia aos direitos que lhe caberiam após o casamento:</font></span><span><font face="Times New Roman"> </font></span></span></p>
<blockquote><p><span></span><em><span><font face="Times New Roman">Estando a ponto, se tiver a felicidade de obter sua concordância, de ingressar na relação matrimonial com a única mulher que jamais conheci com quem aceitaria entrar nesse estado; e uma vez que o caráter do casamento tal como constutuído pela lei é tal que tanto eu como ela o rejeitamos, total e conscientemente, pela razão, entre outras, de conferir a uma das partes do contrato, poder e controle legal sobre a pessoa, a propriedade e a liberdade de ação da outra parte, independentemente de seus desejos e de sua vontade; eu, não dispondo de meios de despojar-me legalmente desses poderes odiosos&#8230;creio ser minha obrigação lavrar registro de um protesto formal contra a lei existente do casamento, na medida em que ela confere tais poderes; e de uma promessa solene de nunca, em caso algum ou em quaisquer cinrcunstâncias, deles lançar mão. E, na eventualidade do casamento entre a Sra. Taylor e eu, declaro ser m,inha vontade e intenção, e a condição do compromisso entre nós, que ela conserve em todos os aspectos a mesma absoluta liberdade para dispor de si mesma e de tudo que lhe pertença ou possa vir a pertencer-lhe em qualquer tempo, que teria se esse casamento não tivesse ocorrido; e renuncio terminantemente a qualquer pretensão, além de repudiá-la, a ter adquirido quaisquer direitos em virtude de tal casamento.</font></span></em></p></blockquote>
<p><span></span><span><span><font face="Times New Roman">Suponhamos que eu acredite que os homens do século XIX – escritores ou não – fossem realmente assim. (Cá entre nós: uma carta como a supracitada tem mais efeito que “você é a minha princesa reluzente” ou “lhe amarei eternamente”.) Psicologia reversa, amigo.</font></span></span></p>
]]></content:encoded>
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