Todo otimista é um mal-informado

Outro dia me pediram para escrever um artigo sobre o café. Depois de cravado o último ponto final, notei que a melhor frase do texto era “a única provável diferença entre o café do rico e o café do pobre é a qualidade da xícara” – uma sentença no mínimo espirituosa, jovial. Dias depois comprei [...]

o id suprimido da esquerda

Eu não assisto tv, tampouco sei do que tratam as novelas. Por esses dias, através do Fábio, fico sabendo que a Globo está a exibir uma “novela de direita”. Achei o negócio pitoresco, mas ainda não o suficiente para me fazer ocupar um lugar na poltrona da sala. Mas então, agorinha, pondo-me a par da [...]

decadência do mito

 A Veja aqui e a Atlântico em Portugal. Resolveram, para a alegria das direitas, achincalhar de vez com o Che. De minha parte, agradeço.

bah

Uma discussãozinha da qual não participei, uma indignação ingênua da qual não compartilho. Ainda assim fui citado no Estadão de ontem, numa reportagem de Marili Ribeiro e Renato Cruz, sobre o que chamam blogosfera. Óbvio: com a pena da galhofa, fiz uma observação superficial, cheia de witty e desprezo pela causa dos blogueiros mais, err, [...]

pesar

Eu sou um mau exemplo de jornalista: não ouço rádio e ao chegar em casa passo da sala ao quarto sem nem direcionar um olhar para a tv, e para isso dou de ombros, mas isso não é o que eu queria dizer; o que eu quero dizer é que só fiquei sabendo há pouco do acidente [...]

conditio sine qua non

O mundo atual é um mundo pessimista, e isso deve-se, claro, ao homem. Há no pensamento contemporâneo uma debilidade romântica que é vulgarmente utilizada como pano de fundo para a literatura. Uma literatura horrorosa, diga-se. Só os livros escritos em bons tempos, tempos de glórias e vitórias, tempos de pós-guerra num país vencedor, somente esses [...]

(re) forma ortográfica

Andei lendo por esses dias uma antiga edição européia de A Relíquia, do senhor Eça de Queiroz, em português clássico, de Portugal. Divirto-me lendo os portugueses, gosto das diferenças lingüísticas sutis (ou subtis, como lá se diz) entre brasileiros e lusitanos. E os blogs; parte dos blogs que leio diariamente é portuguesa. Outro dia mesmo, [...]

afetação

Há uma crítica ao jornalismo cultural brasileiro que tem como base o fato de as editorias de cultura publicarem apenas o que já vem enlatado pela indústria cultural. A crítica é válida, mas pressupõe que todos dependam dos jornais para ter acesso às artes, à literatura, etc, o que, a meu ver, é uma tremenda [...]

Do que eu não gosto em um texto jornalístico

Não gosto de tanta objetividade, não gosto do lead clássico. Onde está o drama? E por que eu, achando um acontecimento terrível, não posso chamá-lo terrível? Vou dizer: até entendo a tentativa do jornalista de ser imparcial, passivo de opinião própria – que os leitores somente e tão somente possam achar o que quiserem da [...]

07.02.07

Clodovil chamou Chinaglia de mal-educado, como se todos no plenário fossem educadíssimos e letrados. * Na China já estão à venda balões em formato de porcos rosas em homenagem ao ano do suíno, que começa no dia 18. Agora você entende porque no Brasil vendê-se balões de todos os formatos, de todos os bichos. * [...]

ONU (óbvio, nações unidas)

Leio que a ONU está culpando o homem pelas mudanças no clima, o efeito estufa, essas coisas. Quanta novidade! É como se minha mãe me culpasse pelo derretimento da margarina que deixei fora da geladeira.

Je suis Blasé

Permitam que eu não fale do caso YouTube/ Cicarelli. Já cansou e, no fim das contas, não deu muita coisa mesmo. Já desbloquearam a coisa toda. *** Tempo tresloucado por aqui: sol do 5º inferno pela manhã e, agora, está para desabar o céu lá fora. Digo, muita chuva, no duro mesmo. *** E deixem [...]

“ O casamento nos dá ensejo a grandes excitações coletivas: se conseguíssemos suprimir o complexo de Édipo e o casamento, o que nos restaria para contar?” (Barthes)

Vidas Paralelas – Cinco Casamentos Vitorianos, livro de Phyllis Rose, professora de literatura inglesa da Wesleyan University, vale não pela autora, mas pelos autores nele retratados. Em seu livro, ela busca retirar lições sobre casamento (ou relações de união, etc) analisando as relações de cinco escritores ingleses da era Vitoriana: John Stuart Mill, John Ruskin, [...]