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	<title>Sententia &#187; Vergonha</title>
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	<description>"As paixões tendem sempre a diminuir, enquanto o tédio tende sempre a crescer.” [D’Aurevilly, Jules]</description>
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		<title>Nigger again</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2007 12:48:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Vergonha]]></category>

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		<description><![CDATA[O branco é canalha às escondidas, já o negro o prefere ser às claras mesmo - principalmente perante câmeras,  microfones e outros aparatos de gente moderninha. Racismo é um negócio fascinante. O que faz espantar é a aura mitológica que há em volta do preto, negro, moreno, whatever. Acho que o mais prudente seria mesmo fazer pose de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O branco é canalha às escondidas, já o negro o prefere ser às claras mesmo - principalmente perante câmeras,  microfones e outros aparatos de gente moderninha. Racismo é um negócio fascinante. O que faz espantar é a aura mitológica que há em volta do preto, negro, moreno, <em>whatever</em>. Acho que o mais prudente seria mesmo fazer pose de <em>normal</em>, assim como fazem brancos e amarelos. São tantas quotas, programas especiais, auxílios, empurrãozinhos que me fazem pensar no Estado como um pai que, tendo o filho uns 2000 anos, ainda o ensina lições sobre como andar de bicicleta. Domingo último passava no Fantástico uma reportagem sobre um tal novo tipo de preconceito: a obrigatoriedade de o negro ter <em>boa aparência</em> para se conseguir um emprego. (Microfone ligado e o negro a falar, como um coitado, que o fizeram cortar o cabelo, retirar os <em>dreadlocks,</em> só por causa de um trabalho. Dizia que o estilo de se vestir, o cabelo e tal era para <em>reforçar sua identidade cultural.</em> Ora, essa premissa da boa aparência vale para todos, não é?) Imagino o negro a trocar o terno por um bermudão após um dia de trabalho, colocar no pescoço uma corrente, modificar o modo de andar e sair à rua dizendo coisas como <em>Yo!</em> e <em>Mano </em>e o vizinho a perguntar: &#8220;Aonde vai vestido assim?&#8221;</p>
<p>__Vou alí, reforçar a minha identidade cultural.</p>
<p>E por favor, eu suplico, não me venham falar que eu me esqueci da história, do quanto os negros foram açoitados no passado, do quanto sofreram. Não me venham falar da <em>Ku Klux Klan</em>. Ou direi que justamente por isso, exatamente por terem passado por tantos percalços, eles têm a obrigação de se igualar moralmente não por meio de programas de governo ou por cabelos impermeáveis, mas através do intelecto. Mais que isso não peço nem espero.</p>
<p>*</p>
<p>Ainda sobre isso, um ótimo texto <a target="_blank" href="http://www.duvido.com/?p=149" title="Duvido!">aqui</a>.</p>
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		<title>Predileções</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Feb 2007 11:37:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vergonha]]></category>

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		<description><![CDATA[Ouço falar de gente que se diz &#8220;eclética&#8221; e me dá um certo nojo. Gente que se diverte &#8211; de verdade &#8211; em casas de forró, axé, funk carioca, pagode e todo esse tipo de apelação. É comum encontrar pessoas assim por aí, elas estão por toda parte. Ainda que eu evite qualquer contato, ocasionalmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouço falar de gente que se diz &#8220;eclética&#8221; e me dá um certo nojo. Gente que se diverte &#8211; de verdade &#8211; em casas de forró, axé, funk carioca, pagode e todo esse tipo de apelação. É comum encontrar pessoas assim por aí, elas estão por toda parte. Ainda que eu evite qualquer contato, ocasionalmente é preciso ser no mínimo educado com essas pessoas, como por exemplo dentro do elevador ou na fila do supermercado (com educado quero dizer que você não tem que cuspir na pessoa). Eu já perguntei a uma dessas figuras:</p>
<p>-Você gosta mesmo dessas músicas?</p>
<p>E é engraçado que ela &#8211; a pessoa &#8211; olha você com aquela expressão &#8220;&#8216;tá me tirando, heim?&#8221; e pergunta o motivo da dúvida. Eu, fingindo simplicidade, geralmente digo:</p>
<p>-Ah, não há conteúdo algum nas letras, umas coisas sem sentido, vulgares até.</p>
<p>E agora a parte que eu mais acho cretina:</p>
<p>-É, mas &#8216;tô nem aí pra letra. O ritmo é muito bom pra dançar, lava a alma, sabe?</p>
<p>E me dá uma vontadezinha de vomitar, mas aguento firme. São coisas assim que me fazem pensar, quanto mais o tempo avança (em direção a sabe lá o quê), que para se ter bom gosto é preciso ter um mínimo de instrução intelectual. E aqui não me refiro somente a música, mas a tudo. Todos tem a mania enjoada de dizer que &#8220;cada um tem um gosto&#8221; e que &#8220;o que é bom pra mim pode não ser bom pra você&#8221;, e creio nisso tanto quanto creio em Alá. Não, a qualidade de uma obra musical ou literária não depende da predileção de uma ou outra pessoa. Não me diga, por exemplo, que na sua opinião &#8211; ou no seu &#8220;gosto&#8221; &#8211; Eleanor H. Porter é melhor que Virgínia Woolf, porque não é, de jeito nenhum. E eu não gosto de nenhuma. Mas há o fato: Virgínia é melhor e ponto. Aí ouço &#8220;que comparação infame&#8221;. Pois é, comparações são infames, e elas servem para isso mesmo.</p>
<p>Há algum tempo eu me divertia em discussões assim. Não é sadismo, é que é realmente divertido ver uma pessoa defendendo sem argumentos algo sem valor. Aí eu empresto um livro leve &#8211; um Salinger -, um cd leve &#8211; um Radiohead -, e digo &#8220;leia&#8221;, &#8220;ouça&#8221;, com a melhor das intenções. Sim, eu já fiz isso, ainda que me custasse bastante emprestar certas coisas.</p>
<p>Acho mesmo que o bom gosto está relacionado com o nível de intelecto do sujeito. Isso não exclui, claro, as chances de haver nas universidades e nos meios acadêmicos cultos ao mau gosto, pois são também comuns nesses lugares gente de instrução atrofiada. Essas pessoas &#8220;ecléticas&#8221; estão por toda parte, em todos os níveis socias, e é difícil discutir com elas. Por isso não discuto mais, não pessoalmente. Ou acabo dizendo, para encerrar a conversa, que eu é que sou chato mesmo &#8211; o que não é verdade, não, nem de longe.</p>
<p>Pode ser radicalismo, mas tenho a impressão de que o mau gosto da sociedade é culpado pelas injustiças socias, pelos políticos corrúptos, pelo analfabetismo presidencial, por leis como a Rouanet e por best-sellers como Sabrina.</p>
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		<title>Pessimista, mas non troppo</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jan 2007 18:02:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vergonha]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabem, estou com o Folha de São Paulo aqui sobre a mesa e ia postar umas noticiazinhas pitorescas, mas não, isso não se faz, definitivamente. Mas ver a foto do Bush chorando na cerimônia em homenagem a mais um soldado americano morto no Iraque me enjoou um pouco porque ele, Bush, ofende os cínicos natos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabem, estou com o Folha de São Paulo aqui sobre a mesa e ia postar umas noticiazinhas pitorescas, mas não, isso não se faz, definitivamente. Mas ver a foto do Bush chorando na cerimônia em homenagem a <em>mais um soldado americano morto no Iraque</em> me enjoou um pouco porque ele, Bush, ofende os cínicos natos. Eu admiro qualquer cinismo que esteja abaixo da linha onde você precise ser <em>ashohashin </em>para estar em voga. Agrada-me o cinismo intelectual, o cinismo de Voltaire, Oscar Wilde e de Nelson Rodrigues, esses sim, grandes homens. Acho que um indivíduo ofende mais com farisaísmo como o do presidente que com ironia ou sarcasmo. É lamentável a constatação de que o sentimento inerente às sociedades contemporâneas não passe, no fim das contas, de vergonha, vergonha da humanidade, vergonha de ser parte dessa raça deprimente e, cada vez mais, decadente.</p>
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		<title>I&#8217;ll lay me down in a bunker</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jan 2007 10:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vergonha]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia, escrevi uma crítica a um livro que julguei ser auto-ajuda. O autor, em sua total razão, comentou o meu post, dizendo que eu estava errado, defendendo o seu trabalho. Certo, certíssimo. Eu faria o mesmo. Mas &#8211; quanta digressão! -, eis o que eu queria dizer: meu blog foi encontrado n&#8217;algum sistema de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia, escrevi uma crítica a um livro que julguei ser auto-ajuda. O autor, em sua total razão, comentou o meu post, dizendo que eu estava errado, defendendo o seu trabalho. Certo, certíssimo. Eu faria o mesmo. Mas &#8211; quanta digressão! -, eis o que eu queria dizer: meu blog foi encontrado n&#8217;algum sistema de busca pela frase &#8211; pasmem: <em>&#8220;livro de auto-ajuda para feio&#8221;.</em> E como isso me deprime, Deus. Eu gostaria de demonstrar aqui as minhas condolências ao autor desta <em>busca </em>- quase espiritual, diga-se -, dessa odisséia por uma vida melhor, mais confortável e &#8211; por que não? &#8211; cheia de beleza.</p>
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		<title>Filosofias de Gueto, parte I</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jan 2007 10:21:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vergonha]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Ah, eu vou ao baile <em>funk*</em> porque dá muita mulher.&#8221;</p>
<p>*Leia-se também <em>&#8216;forró&#8217;, &#8216;axé&#8217;, &#8216;pagode&#8217;</em> ou coisa que o valha.</p>
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