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	<title>Sententia &#187; filosofia</title>
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	<description>"As paixões tendem sempre a diminuir, enquanto o tédio tende sempre a crescer.” [D’Aurevilly, Jules]</description>
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		<title>de liberalitate et parsimonia</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Oct 2007 20:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[humn.]]></category>

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		<description><![CDATA[A tratar das qualidades de um príncipe, ou, noutras palavras, de um chefe de Estado, Maquiavel nos diz que é bom ser tido por liberal, no sentido de generoso, mas não de modo que não o pareça. Urge certo cuidado para não ostentar demasiado luxo, sob risco de necessitar agravar o seu povo com impostos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>A tratar das qualidades de um príncipe, ou, noutras palavras, de um chefe de Estado, Maquiavel nos diz que é bom ser tido por liberal, no sentido de generoso, mas não de modo que não o pareça. Urge certo cuidado para não ostentar demasiado luxo, sob risco de necessitar agravar o seu povo com impostos e outros meios de se conseguir lucros.</span><span> </p>
<p></span><span>Um príncipe que não possa fazer uso da liberalidade sem danos à sua figura precisa fazer pouco caso da fama de mesquinho. Em nossos tempos, somente os mesquinhos e avaros é que realizam grandes feitos.</span><span> </p>
<p></span><span>Portanto, um príncipe que não queira despojar e extorquir seus súditos, que não queira ter fama de rapace, mais que precisar, deve ser, intimamente, mesquinho, porque este é um vício que faz reinar.</span><span> </p>
<p></span><span>O príncipe que parte com seus exércitos, que se mantêm com as presas, os saques e impostos, que maneja o que é dos outros, precisa usar de toda generosidade, porque, de contrário, as tropas nã0 o seguiriam. Gastar o que é dos outros dá-nos reputação, gastar o que é nosso, por outro lado, nos arruína.</span><span> </p>
<p></span><span>Nada mais há que consuma a si mesma que a liberalidade, porque, enquanto dela fazemos uso, perdemos a faculdade de usá-la, e nos tornamos pobres e desprezíveis, ou, para fugir da pobreza, trapaceiros e odiosos. E um príncipe deve precaver-se sempre de tornar-se ou mostrar-se odioso ou desprezível; e a generosidade exacerbada a uma destas coisas conduz.</span><span> </p>
<p></span><span>É muito mais prudente, pois, se passar por mesquinho, o que dá má fama sem ódio, do que, por outro lado, na liberalidade, ser obrigado a incorrer no nome de rapace, que acarretará má fama com ódio.</span></p>
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		<title>aisthetiké</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Aug 2007 19:43:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[O termo estética deriva do grego aisthetiké, e por definição refere-se a tudo aquilo que pode ser percebido pelos sentidos. Com base nessa etimologia, Kant definiu a estética, há algum tempo, como a ciência que trata das condições da percepção pelos sentidos. Kant, sempre ótimo com as frases de efeito. Contudo, é o alemão Alexander [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span>O termo <em>estética</em> deriva do grego <em>aisthetiké</em>, e por definição refere-se a tudo aquilo que pode ser percebido pelos sentidos. Com base nessa etimologia, Kant definiu a estética, há algum tempo, como<em> a ciência que trata das condições da percepção pelos sentidos</em>. Kant, sempre ótimo com as frases de efeito. Contudo, é o alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) o responsável pelo sentido que se dá hoje à estética: <em>teoria do belo e das suas manifestações através da arte</em> (sentido que, aliás, vê-se muito confundido por aí).</span><span> </span><span> </span></p>
<p><span></span><span>Como ciência e teoria do belo, pretendia-se com a estética alcançar um gênero específico de conhecimento: <em>aquele que é captado pelos sentidos</em>. De tal forma, ela se difere e se contrapõe à lógica e à matemática, disciplinas que têm a <em>razão</em> como premissa e que pretendem estabelecer o conhecimento <em>claro e distinto</em>, conforme o ideal de saber cartesiano. A estética parte da experiência sensorial e seu principal objeto de investigação é a obra de arte.</span><span> </span></p>
<p><span></span><span><span>A fim de despertar-me esses mesmos sentidos, proporcionando-me a faculdade necessária à contemplação das coisas belas, à <a href="http://semiotica.blogs.ie/2007/08/27/comovido/">minha comoção</a>, vou já pegar um café.</span></span></p>
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		<title>hedonismo/ epicurismo/ estoicismo</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Aug 2007 12:08:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Hedonismo: doutrina pregada desde a Grécia antiga por filósofos malucões como Górgias, Cálicles e Arístipo. Os hedonistas afirmavam que o bem é tudo aquilo capaz de oferecer prazer imediato, como pãozinho com queijo cheddar e chocolate. O mal é aquilo que gera sofrimento, que dispensa exemplos. Epicurismo: Elaborada por Epicuro, foi a doutrina que procurou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><strong>Hedonismo</strong>: doutrina pregada desde a Grécia antiga por filósofos malucões como Górgias, Cálicles e Arístipo. Os hedonistas afirmavam que o bem é tudo aquilo capaz de oferecer <em>prazer imediato</em>, como pãozinho com queijo cheddar e chocolate. O mal é aquilo que gera sofrimento, que dispensa exemplos.</p>
<p align="justify"><strong>Epicurismo</strong>: Elaborada por Epicuro, foi a doutrina que procurou aperfeiçoar o hedonismo. Defendia que o bem não era, humn, <em>qualquer prazer</em>, mas os prazeres <em>devidamente selecionados</em>. Há aqui uma hierarquia do prazer. Os epicuristas consideravam superiores, por exemplo, os prazeres naturais em vez dos artificiais (queijo cheddar é um bocado artificial, e trocando o chocolate industrializado pelo cacau fica tudo bem), os calmos e vez dos violentos. O supremo prazer era, entretanto, o prazer intelectual, que se obtinha mediante o domínio das paixões pela razão.</p>
<p align="justify"><strong>Estoicismo</strong>: o senhor Zenão de Citium, filósofo, é o fundador da escola estóica, que pregava um espírito de total renúncia aos desejos, considerados como a fonte de todo sofrimento humano. O bem consistia na aceitação da ordem universal, que deve ser compreendida pela razão. Foi tachado como <em>gay</em>, o que na época não configurava necessariamente um problema.</p>
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		<title>kriterion</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2007 12:21:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou em estado de époche.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou em estado de <em>époche</em>.</p>
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		<title>enquanto a filosofia não vem</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2007 16:19:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edson Junior</dc:creator>
				<category><![CDATA[filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dias em que eu acho tudo um grande porre. Uma colega da universidade me pediu emprestado A República, de Platão, e ficou com  ele uns três meses. Quando me devolveu, eu não perguntei se ela havia lido. E imagino que não. Pelo menos não completamente. Eu li esse e outros clássicos da filosofia, e pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dias em que eu acho tudo um grande porre. Uma colega da universidade me pediu emprestado A República, de Platão, e ficou com  ele uns três meses. Quando me devolveu, eu não perguntei se ela havia lido. E imagino que não. Pelo menos não completamente. Eu li esse e outros clássicos da filosofia, e pelo menos metade eu classificaria como desnecessária, obsoleta. E ninguém precisa ler A República para entender o Mito da Caverna, afinal de contas. No entanto eu concordo que a filosofia seja &#8220;inútil e indispensável&#8221;, como escreve Josef Pieper:</p>
<p><span><em>É conhecido o prazer com que Sócrates &#8211; freqüentemente e de formas muitas vezes exageradas &#8211; gostava de ostentar o quão desajustado é o filósofo: ele mal sabe onde se localiza o fórum, não tem a menor idéia das disputas partidárias dos que almejam o poder, ignora completamente as questões relativas à ascendência nobre ou plebéia e mais &#8211; ironicamente referindo-se a si mesmo: &#8220;ele não sabe sequer que ignora tais coisas&#8221;. O riso da criada trácia que zomba de Tales por ter caído num poço, enquanto, caminhando, contemplava o céu, está reservado para todos os que se dedicam à filosofia em qualquer época.</em></span><span><em>&#8220;Mas, não é o caso de ficarmos aqui repetindo o que todo mundo sabe. Além do mais, o próprio Sócrates não fala do filósofo como único objeto de riso. Também ele tem sua vez de rir quando, por exemplo, ouve &#8220;discursos pomposos&#8221; ou quando alguém louva o tirano. É então o filósofo quem ri, e, nesse caso, &#8220;a sério&#8221;, com fundamento na realidade. </em></span><span><em>Contudo, não é tão importante saber quem ri de quem e com mais ou menos razão. Mais importante é, parece-me, indagar que significado poderia caber à filosofia na vida da sociedade humana.</em></span><span><em>Quando falo aqui em &#8220;filosofia&#8221;, diga-se de passagem, não estou, é evidente, referindo-me a um determinado grupo de pessoas, nem a um grêmio de &#8220;especialistas&#8221;, cuja função social estaria em discussão. Sócrates afirmava que reconhecer a estirpe dos verdadeiros filósofos não é, de modo algum, tarefa fácil, mas &#8220;quase tão difícil como a dos deuses&#8221;. E recordemos suas palavras mais amargas: os maiores detratores da filosofia são aqueles que se autodenominam filósofos. Não estamos indagando, portanto, sobre a função de determinado grupo ou instituição, mas sobre o valor, para a comunidade humana, do filosofar em si mesmo, onde quer que ele se realize.</em></span><span><em>O platônico Aristóteles expressa sua visão da filosofia na passagem da Metafísica em que afirma serem todas as ciências mais necessárias do que ela, embora nenhuma a supere em importância: necessariores omnes, nulla dignior. Ora, a &#8220;dignidade&#8221; da filosofia e a devida importância que possui no seio da comunidade humana deriva de que só ela pode produzir uma indispensável inquietação, formulada na seguinte questão: Em que consiste &#8211; uma vez que, com notável esforço de inteligência e trabalho, já tenhamos obtido tudo que é &#8220;necessário&#8221;, a satisfação de todas as necessidades vitais, a plenitude de recursos para manter a vida (em todos os sentidos) e a seguridade do viver -, em que consiste propriamente a vida (essa vida assim possibilitada), a vida verdadeiramente humana? </em></span><span><em>Formular esta inquietante pergunta &#8211; em meio a todas as perfeições que o homem alcançou para si, no mundo -, e sustentar vigorosamente esta pergunta por um pensamento rigoroso e insubornável &#8211; esta é que é precisamente a função da filosofia e sua mais específica contribuição para o bem comum. Ainda que ela, por si mesma, não tenha capacidade de dar resposta cabal.</em></span></p>
<p><span></span> </p>
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