Elitista, eu?

(texto escrito sem qualquer critério de ordenação por pura preguiça) Dou-lhes de bandeja, para uso enquanto corpus de análise, um retrato breve dos meus dias nesta terra brasileira chamada Ourilândia do Norte. Quando não estou foragido no quarto da esposa (sim, estamos em quartos separados), estamos juntos n’algum hotel a poucos metros de distância – [...]

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Disse ontem, endosso hoje (a situação está insustentável): precisamos de rodízio de gente. “RG final 289 vetado às sextas-feiras…”.

verfremdungseffekt

Como noviço residente de apartamento, outro dia perguntei no twitter sobre a mais adequada conduta a se adotar nessas moradas de babel (quanto às gentes, não quanto à língua; ok, também quanto à língua): ser amigo de todo mundo ou ignorar completamente a existência dos vizinhos. A vontade mais sincera, quanto mais próximos de mim [...]

o ano

(Imitando o Nagel e essa mocinha aqui) Foi o ano em que me casei, principalmente. A mais importante mudança em minha vida desde que, sei lá, parei de comer pipoca, há 6 anos. O fato de ter saído da casa na qual cresci, do quarto no qual conheci Onan e seus pecados, do ambiende onde [...]

rio

Pronto. Fodeu. Casei-me. Na igreja – que heresia – pus Led Zeppelin como música de saída, pulei Pearl Jam na festa e, desde segunda-feira, estou no Rio de Janeiro caminhando em Copacabana, visitando bistrôs, andando em bondinhos e tomando sol a ponto de poder concorrer a cotas para negros em universidades. Ou o meu reino [...]

altare

Caso-me logo ali e, para que possa escrever a respeito, tenho tentado encontrar no acontecimento algum sentido literário ou, no muito, pitoresco; quando encontro, este é trágico, lembra-me o casamento de Lord Henry, aquele personagem daquele livro que vocês sabem qual. De maneira que é preferível eu me calar/ abster em troca d’alguma paz ignorante. [...]

cenas

Já não faço mais faculdade (estou me gabando). Tenho diploma, orgulho-me da nota máxima na banca avaliadora (graça alcançada) e, embora com tendências à literatura, pratico o que chamam j0rnalismo científico e às vezes passo um dia inteiro fotografando moluscos. Ou flebotomíneos. Caso-me a 17 de outubro e já comprei meu primeiro eletrodoméstico: um playstation2. [...]

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assim que tempo me sobrar, vou passar a entrevistar umas personalidades assim, er, pitorescas, como mendigos de direita. [cá]

Les événements m’ennuient

Os dias seguem cheios sem que eu, no entanto, os possa acompanhar com, er, vivacidade. É que eu tenho preguiça. Eu sofro disso. É-me um mal. Agora baixo aqui a cabeça e penso que preciso de alguma cafeína. Pode ser isso. Mas ia falar d’outra coisa. Chega-me daqui um convite (alou) para participar disso a [...]

shtunk

Há momentos em que eu me esqueço que meu trabalho é escrever e passo o dia todo a ler desesperadamente essas futilidades da internet. Leio muito, escrevo pouco (mas divirto-me, é verdade). Já vi que falam de fôlego de escritor, e não que eu tenha perdido o meu – é que o ainda não encontrei. [...]

.etc

Sigo lendo de pé no metrô, dormindo em ônibus e escrevendo (140 caracteres por vez) no Twitter (mais ou menos culpem a ela por isso). Há, aqui nos bolsos, assuntos que pedem textos algo sofisticados, com aquela prosa fleumática que bem conhecem. Mas, a sério, não tenho tido tempo nem paciência. É que eu vou [...]

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# “Cuba usa Hemingway para aparecer” não dava uma boa manchete?

tarde de domingo de um casal ultramoderno (tempos chuvosos)

Eu num sofá a ler blogues (1, 2, 3, 4, 5, 6…) no laptop e ela noutro, a ler Philip Roth enquanto faz perguntas sobre David Foster Wallace.

“SPE SALVI facti sumus”

Visitei por esses dias a secretaria da basílica cá do bairro onde resido. Não à toa (visita-se à toa uma capela, mas não a sua secretaria): levava comigo um objetivo talhado por exatos 5 anos e 3 meses. A atendente, que a despeito da pinta ao lado da boca não fazia lembrar Marilyn Monroe (e [...]

into the wild

Madrugada aqui e acabo de assistir a esse filme. Christopher McCandless, 23, família não necessariamente feliz embora abastada, recém graduado e leitor de notáveis predileções, doa suas economias,  abandona a casa e tenta, resoluto, viver de acordo com as idéias libertárias de Thoreau, Jack London e Tolstoy: “livre”, à parte da sociedade, retirando o próprio sustento da natureza. Sente-se [...]

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