da porosidade de certas fronteiras
Postado em October 31, 2011
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Mudei-me (no sentido de deslocamento) de cidade há cerca de duas semanas. Deixei Tucumã, onde moramos (eu e a esposa (n.e.: a minha)) uns poeirentos dezoito meses e agora habito uma nova casa (nova mesmo, no sentido de recém construída) no principado de Ourilândia, onde já havia morado (vide um dos posts anteriores). A distância entre um local e outro é de sete quilômetros de estrada ruim e compulsória (não há outra). As coisas ruins e compulsórias da vida.
Aqui na casa nova tenho menos problema com poeira: a rua é “bloquetada” — asfalto é coisa de gente abastada. É uma vantagem notável se você for considerar que meu laptop da maçã estava amarelo, não obstante meus esforços semanais para mantê-lo limpo (lá na outra casa, a sete quilômetros daqui) e agora está branco novamente, o que diminui o grau de vergonha que me abate sempre que desço para o sudeste (“nossa, ‘tá sujinho, né?”) — sempre uma experiência de quebra de paradigma porque, bem, o razoavelmente limpo daqui é o imundo de qualquer (mais ou menos) outro lugar.
Por outro lado, aqui, nesta nova casa com quatro banheiros e uma sala imensa (comprei um par de patins para andar de um lado para o outro. mentira) não tenho internet. Minha plaquinha (plaquinha é o modem 3g dos paraenses) não funciona aqui, estou em área de sombra, como dizem, e a sombra aqui é bem grande. Idem para o sinal de telefonia, de modo que o deslocamento do início do texto acaba em isolamento, de certa forma. E como hoje é feriado (dia do evangélico. sim. e corpus christi não é feriado aqui, ou seja) eu preciso ligar o computador, colocá-lo no carro (no banco do carona) e sair para encontrar o sinal, caso eu precise de internet (muito comum). Fiz isso hoje e quebrei a cara porque a cidade inteira está, por acaso (muito comum), em área de sombra hoje — eu disse que a sombra era das maiores.
Ao Oliver não apeteceu o novo lar. Oliver é meu cachorro.
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Aquele livro que comecei a escrever uns duzentos anos atrás: não sei, não posso saber. É um projeto da Ordem do Desporto e, portanto, não há obrigações.
Os últimos livros que não li (completamente), embora tenha tentado: ‘Liberdade’ [Franzen] e ‘Nêmesis’ [Roth]. Sobre o primeiro tenho a dizer quase nada a não ser que é um bom livro, linguagem elaborada, conservadora e moderninha ao mesmo tempo, bons personagens e passagens que me fizeram rir por diversas vezes — não em função de qualquer tom de comicidade, mas pela ironia — e eu não consegui mesmo assim, deve ter sido falha minha. Sobre o segundo, bem, acho que alguém que não tenha lido todos os livros anteriores do autor, como ‘Homem comum’ e ‘Fantasma sai de cena’, pode aproveitá-lo e percebê-lo mais adequadamente. A mim pareceu qualquer coisa de repetição.
Estou lendo há uns três dias o hype (de nicho) ‘A máquina de fazer espanhois’, do português Valter Hugo Mãe. Agrada-me o que escrevem os portugueses e estou de facto a gostar, apesar de a história reforçar a obsessão da literatura contemporânea com a velhice, com as ‘coisas de velho’.
Ok, não é necessário que me falem da “mensagem”, da, oh, “metáfora”.
Hoje bati com uma edição novinha de Anna Kariênina nos joelhos brancos da esposa. Ela entendeu.
Releio mil coisas entre uma página e outra do livro que estou a ler correntemente, digamos assim. Um dos meus preferidos para reler assim de vez em quando é o Foster Wallace –
A pessoa deprimida estava com uma dor terrível e incessante e a impossibilidade de repartir ou articular essa dor era em si um componente da dor e fato de contribuição para o seu horror essencial
–, que sempre me deixa com a sensação de o estar a ler pela primeira vez.
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Twitter (/edjr): escrevo pouco e não falo de quase nada do que esteja a acontecer por aí. Acompanho umas 400 pessoas e acho que a maioria é mais ou menos como eu.
Cinema: assisti o último ‘Planeta dos Macacos’ outro dia, no Rio. Algum divertimento. No geral, estou por fora.
Shows: também no Rio fui ver Primal Scream, em setembro. Fazia uns bons anos que eu não via qualquer coisa e fui muito bom. Sexta-feira, 4, vocês podem me encontrar em São Paulo: vou ver o Pearl Jam.
Séries: estou assistindo via cabo à nova temporada de Damages, de que gosto muito. Game of Thrones: não sei quando vem coisa nova e já estou no terceiro volume dos livros. Breaking Bad: gosto, gosto, mas só vi até a terceira temporada. Treme: comprei o primeiro ano, assisti uns cinco episódios e, por pura displicência, não terminei (ok, aquela trompetada irrita um pouquinho só).
Ar-condicionado: não vivo sem.
Tapete: a esposa fica bastante brava quando Oliver deixa marcas com as patas sujas e eu sou obrigado, ato contínuo, a varrer a casa inteira.
Vassouras: quis saber outro dia se onde ela comprou essas não tinha para adulto (n.e.: cabo muito baixinho causa dor lombar).
Sofá: compramos um tão, tão grande que estou alugando as partes ociosas.
BlackBerry: mesmo em casa, sempre ponho terno e sapatos (a gravata é dispensável hoje em dia) para ler ou enviar qualquer mensagem. É um aparelho muito sério.
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