pastiche
Postado em April 24, 2011
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“(…) e quero dizer desde já que rejeito totalmente o mundo vulgar, acanhado e fundamentalmente medieval de Freud com sua procura inaceitável de símbolos sexuais (mais ou menos a mesma coisa do que procurar acrósticos baconianos nas obras de Shakespeare) e com seus embriõezinhos amargos a espionar, de seus nichos naturais, a vida amorosa dos pais.” [Nabokov]
Há mais de um ano fora de Belo Horizonte – onde estive esta semana e onde senti, não é de se pasmar, saudade desta terrinha chamada Tucumã, no sudeste do Pará. Não é de se pasmar, e com tal afirmação faço cair queixos que antes e por várias vezes me disseram que não, eu não conseguiria viver fora da cidade porque sou “urbano demais”. Não sei o que ser urbano demais significa.
Ser urbano demais significaria não conseguir viver sem o cinza pintado pela poluição oh oh ou sentir a falta insustentável de shoppings? Eu posso lidar com isso. Ademais, faço compras sem precisar estar fisicamente plantado seja lá onde for.
Um ano fora da cidade e eu estou muito bem, obrigado, embora tenha ido parar em Belo Horizonte em consequencia de certas dores toráxicas. Voei cerca de 3 horas num avião-leito, plugado naquele monitor de sinais vitais, tomando soro pelas veias e amarrado numa maca. Notei que meus sinais vitais não pararam sequer um minuto, incrível. (Sobre os barulhinhos emitidos pelo monitor: a eles somada a voz de Thom Yorke, teríamos mais um disco do Radiohead). 658357 exames depois, o diagnóstico puro, simples: estresse. Não há nada de errado com meu coração. Mas bem que eu poderia estar a fazer algum exercício físico (vou seguir o exemplo de um amigo e comprar um Wii).
The Social Network: aquela profusão de frases encadeadas numa velocidade que – ei: falar rápido não configura inteligência.
Somewhere: gosto da Sophia, gosto de Phoenix, gosto de Ferraris, gosto de filmes vagos, tão expressivos quanto fotografias em movimento.
Estou a ler, concomitantemente, Speak Memory, a autobiografia do Nabokov; O Silmarillion, a gênese da mitologia de Tolkien, e The Innocence of Father Brown, Chesterton. Todos fabulosos e excelentes.
Estou trabalhando à beça, com prazer. A realidade corporativa é engraçada, justifica o estereótipo que dela se faz; os chavões são muitos e os hábitos, peculiares. Não há crítica, contudo, a ser feita. Cabe somente e tão somente ao indivíduo evitar a) desligar-se do mundo exterior e b) tornar-se uma espécie de Bartleby sinistro.
Minha esposa leu há pouco Cândido ou o Otimismo e ficou encantada.
Conheci São Félix do Xingu há algumas dias; andei de barco e comi peixe (depois de anos).
Oliver, meu cachorro, está enorme e cada vez mais dócil e amigo, a despeito da ideia que se faz da raça (rotweiller).
Ler no iPad é-me algo já concreto, mas não me impede de comprar livros tradicionais.
Ainda leio quadrinhos – só Vertigo, basicamente. Sem paciência para DC e Marvel.
“O fato mais inacreditável a respeito dos milagres é que eles acontecem.” [Chesterton]
Páscoa, hein?
Compra um xbox knectic…
É melhor do que o Wii? Bons jogos?
Não sei dizer, o fato é que o xbox tem o final fantasy 13. mas eu joguei de esporte no xbox sem controle, só com movimentos, muito legal.
BEm vindo devolta!
;-)
A parte do avião é dramática. Parece de filme. Também gostei da parte dos quadrinhos. Qual anda lendo?
It’s good to read you back.
Lendo a versão encadernada e completinha de A Liga Extraordinária. E você?
De volta, mas nem tanto :-)
que engracado…soh hoje lhe encontrei por acaso…quem me sugeriu sua existencia foi o proprio facebook ou twitter..nao me lembro. Vi que vc morou no alojamento onde ainda estou e que provavelmente era a unica pessoa por aqui que sabia que Nabokov nao eh VODKA ou que o Wagner das operas nao eh o mesmo cara do Tropa de Elite.
Vejo que ainda esta por aqui…entre OIA E TUC.
Vejo que sente falta dos livros.
quem sabe um dia possamos trocar impressoes e os poucos livros que trouxe comigo, e que me fazem sobreviver (feliz?), aqui na terra prometida…onde correm rios de slag and nickel ….
Heh, pois é, Gustavo. Baita mundo minúsculo e empoeirado.
“Mas bem que eu poderia estar a fazer algum exercício físico (vou seguir o exemplo de um amigo e comprar um Wii).”
Por isso que eu parei de acompanhar esse blog.
;)
Chata :-)
Hey! Wonderful post! Please inform us when we will see a follow up!
:)