shtunk
Postado em January 20, 2009
Categoria cotidiano | 20 comentários
Há momentos em que eu me esqueço que meu trabalho é escrever e passo o dia todo a ler desesperadamente essas futilidades da internet. Leio muito, escrevo pouco (mas divirto-me, é verdade). Já vi que falam de fôlego de escritor, e não que eu tenha perdido o meu – é que o ainda não encontrei. Ia vos alertar para a digressão que cometo a seguir, mas este post é todo ele uma digressão, então deixem-me contar que na última semana, num dia desses em que a chuva faz mais que encher rios e acaba por levar automóveis e gentes, e como energia elétrica não se achava lá pelas paragens d’onde resido, pus-me a ler iluminado por velas. Foi um troço tão romântico, pareceu-me, que meus olhos não tardaram a lacrimejar.
Mudando de assunto, sabeis bem que todos nós, homens letrados e bem feitos, estamos fadados ao conservadorismo. Eu, cada vez mais. Já disse que me caso em breve? Eis aí um indício. Mas queria mesmo é falar das tentações que nos acometem no processo. Tenho, por acaso (vejam vocês), uma cunhada que é, como dizer?, uma pequena com atributos impossivelmente lascivos. Para usar uma expressão através da qual me faço entender, é uma Lolita. Nabokov sabia do que falava quando falava de fogo nos lombos. Mas isso não é tudo. Pequenas assim eu encontro no trabalho, na universidade, nos bondes (ah, já não temos bondes?). Mas ela, a minha cunhada, me procura, me liga, me admira. Às vezes chega até mim, usando uma saia acima dos joelhos (pernas brancas), justa, vira-se e pergunta, daquela maneira infantil: “estou bonita, cun?” Não chego a engasgar, sou um bom fingidor, e dou a resposta mais pronta e acabada que ela poderia ouvir: “linda, linda”. Noutras ocasiões, vem até mim, vira-se (adora virar-se) e mostra-me a mais recente tatuagem que mandara gravar na nuca, sob os cabelos. Quer saber se aprovo, e eu nem preciso ler a inscrição para assentir. Ok, eu aprovo. Por esses dias, quis que eu lhe indicasse um livro. Gosta de ler, a nymphet. (Há um tempo eu emprestei a ela Demian, do Herman Hesse, e ela só quis saber de Herman Hesse por uns dois anos consecutivos. Então, desta última feita, eu não emprestei livros. Antes, apresentei a ela umas boas séries americanas, coisas para preencher o tempo ocioso.)
O que diz a minha noiva acerca de tudo isso? Estávamos assistindo a um filme qualquer em sua casa, ainda outro dia, eu sentado ao meio do sofá e, ao meu colo, as cabecinhas da noiva, de um lado, e a da “cun”, de outro. A noiva olhou-me e comentou, singelamente (consciente do que falava, devo acrescentar): “isso é tudo o que você queria, não é?”
E você como bom noivo negou, não foi?
Mas aposto que na cabeça a cena ia longe.
E o que acontece se a noiva e a “cun” forem digitalmente inclusas e lerem o post?
acho que não vai ter mais mini-saia pra você.
=D
beijos.
Nem neguei nem dei pulos, mas corei um bocadinho. A noiva me lê, é claro. Levarei uns beliscões aqui, outros ali, mas nada para além disso ;-)
Mas, claro, não há de se privar o escritor por razão de alguns escassos beliscões. O cotidiano é a matéira-prima.
;]
O Palhares, o que não respeita nem as cunhadas! ;0
Ri desgraçadamente deste post, sobretudo do ‘adora virar-se’.
Abraço!
Hahaha. Abraço, Ronald.
Rapaz, eu também iria querer muito isso =)
Que direi? No mínimo espirituoso.
Olá, Sérgio.
Outro dia um amigo fez um menáge com a namorada e uma amiga. Agora venho aqui e leio isto.
Que minha namorada não saiba das invejas que sinto (:
Seu amigo não contou essa história em blog algum? ;-)
Mas eu não fiz nada, que fique claro. Abraço.
Não, está claro que você não se moveu. Ainda assim… hahaha.
Suas aflições do primeiro parágrafo também, coincidentemente, me perseguem, meu caro. Já há algum tempo, meu blog encontra-se entregue às moscas e a conta no iGoogle constantemente verificada.
Show… perfeita a descrição da ****…adorei…
Olá, Leandro. Vamos omitir os nomes, pois sim?
Abraço =]
No mínimo curioso…. Fico um pouco espantado pelo fato de (novamente…) participar da vida das personagens desta empreitada e ver como funciona o fato de ser também “namorado de filha da casa”… rsrsrsrs. É sempre muito bom ver outros pontos de vista… hehehehe. Mas cumplicidade e discrição é tudo…
Meu velho. Casar não é uma questão de conservadorismo, é uma questão de demência!!!
Em tempo: esse post está visualmente todo f*%&$
abs!
T§
você provavelmente o está abrindo usando IE – o que é uma demência ;-)
Firefox ftw.
gostei dessa coisa de ler com a iluminação das velas. deve ficar mais bonito ainda se for um livro grosso com folhas amareladas.
mas faz doerem os olhos, ok? abraço.