Todo otimista é um mal-informado

Postado em August 18, 2008
Categoria jornalismo | 11 comentários

Outro dia me pediram para escrever um artigo sobre o café. Depois de cravado o último ponto final, notei que a melhor frase do texto era “a única provável diferença entre o café do rico e o café do pobre é a qualidade da xícara” – uma sentença no mínimo espirituosa, jovial. Dias depois comprei a edição do jornal para ver lá o meu texto e, vejam vocês, a referida frase fora descaradamente extirpada do texto, e lá se foi o charme do autor.

 

Depois me vêm dizer que os jornais estão vendendo menos, que a internet é uma ameaça ao jornalismo. Ora. A maior ameaça ao jornalismo são hoje os próprios jornalistas – em especial os editores, esses senhores com 30 anos de experiência e tato zero para o novo aeon da comunicação, por assim dizer. Bons tempos aqueles de Nelson Rodrigues, Paulo Francis.

 

Ou noutros termos: os nossos jornais querem jornalistas articulados, que tenham estilo. Mas não muito.

 

 

Comentários

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11 Comentários »

2008-08-18 22:05:02

Que merda, hein? Baita frase.

Acho que não leio mais jornal justamente por não mais encontrar frases bem escritas. “Bem escritas” não é o mesmo que bem informadas ou com a gramática correta. Essa gente que te editou não é sensível para o humor. É triste, mas há os que se contentam com a gramática e a informação. Não que isso não seja importante, mas não é de longe a coisa mais importante num texto. Na minha opinião.

O editor deve ser do tipo da gente que quando vê uma bela mulher pega uma régua e mede a simetria.

Não tens autorização para publicar no teu blog o texto em versão sem cortes?

Abraço.

ed
2008-08-19 00:26:07

‘Tava comentando isso hoje mesmo com uma amiga; os jornais estão cada vez mais insuportáveis. Esse pessoal que edita impresso deveria pelo menos plagiar modelos de jornais internacionais, se é que isso eles fariam direito.

Quanto a frases “bem escritas”, nem no sentido gramatical a coisa anda às mil maravilhas. Quase nunca leio jornal e, quando o faço, lá está a falta de concordância verbal, a crase ausente etc. Quer dizer, nem o essencial tem dado sempre as caras. Daí que procurar espirituosidade nesses jornais diários é jogar na loteria. Ou, quando se encontra alguém publicando alguma coisa legalzinha, falta-lhe timing. É triste.

Sim, posso publicar os originais aqui. O artigo citado neste post funciona com uma ilustração, de modo que preciso adaptá-lo.

Cara, procurei sua monografia aqui hoje como louco e não encontrei. Tem um negócio que me interessa nela. Abraço.

 
 
2008-08-18 23:53:23

Essa coisa de certos “corretores” cabecinhas-de-vento é ridícula mesmo. No dito lugar onde eu trabalho, pessoas bem desavisadas reclamavam, na reunião de departamento, que estava difícil encaminhar a publicação de artigos porque algumas pessoas se recusavam a terem seus textos “corrigidos”. Ai, isso deu uma náusea daquelas, e fui direto ao ponto:”Bem, se quem vai corrigir tiver conhecimentos plenos para mexer nos textos que foram já exaustivamente revisados, tudo bem. Mas, se é para mexer aonde não sabe e nem sequer ouviu falar, então, eu me recuso a ter meu texto “corrigido” sim!”

Imagina o furdunço que isso provocou. E eu nem por aí (hahahahaha..).

Adorei seu post!!! Boa semana!

ed
2008-08-19 00:31:06

Pois é, Rosângela. Até entendo o papel do editor, sabe?, atribuo-lhe o devido mérito, bem como conheço ótimos profissionais. Mas que uns pulhas há por aí, não resta dúvida. Abraço.

 
 
2008-08-19 12:47:18

Uai, você nunca ouviu falar de espressi de R$ 7,00?

ed
2008-08-19 18:16:50

baaaka =]

2008-08-21 10:46:07

Nani?

(Comments wont nest below this level)
2008-08-21 10:47:41

Kore wa?

 
 
 
 
2008-08-19 19:22:34

Olha que legal, o Ed vê mangá! =)

ed
2008-08-20 00:20:51

heh, que espertinha você. eu gosto muito de mangás/ animes :)

 
 
2008-08-22 14:30:38

Se não estavam dispostos a publicar o que você escreveu, por que o pediram?
Triste não?
O mercado não quer jornalistas formadores de opinião e sim aqueles que sabem “dar a pata e finger de morto”.

 
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