quadrinhos de esquerda
Postado em June 20, 2008
Categoria cotidiano |
Por esses dias minha classe na faculdade precisou apresentar trabalhos sobre mídias alternativas e tal. Num sorteio meu grupo saiu com o tema “blogs”. O.k., mas não é disso que quero falar. Quero falar do convidado de um outro grupo, personagem, dizem, afamado por essas paragens: um quadrinista independente. Confesso que já ouvi algo a respeito, mas nunca o vi nos engarrafamentos - que é onde ele vende suas revistas, títulos como “o apocalipse de belo horizonte”, “capeta do vilarinho” etc.. Seu nome é algo como Lacarmélio, mas todos que o conhecem o conhecem por Celton, o personagem central de suas histórias. Bem, lá estava ele, de pé no meio da classe, com uma mochila sansonite amarrada ao cinto e cheia de, vocês sabem, revistas. Usava uma camisa na qual lia-se a frase “leia Celton”, escrita à caneta, uma calça social e tênis all star. Deve ter uns 50 anos, o senhor; talvez mais.
De maneira um tanto grosseira, falou da sua carreira, de como começou a desenhar, de como seu trabalho foi rejeitado pelas editoras durante tanto tempo até que decidiu, porque sim, tornar-se independente. Aquela balela.
Num certo momento, quando falava que inspiração não existe, que seu ofício é 99% transpiração, essas coisas, pegou numa cadeira e:
__Se eu quiser escrever uma revista sobre esta cadeira, eu posso fazê-lo. Há nela muito a ser contado, várias histórias, várias lições…
E eu, até então mudo, singelamente, perguntei:
__E isso venderia?
Aí uma colega me deu uma cotovelada e eu olhei p’ra ela com aquela cara de “eu disse alguma coisa errada?”.
lolol! =D
=]
Ah Ed, voçê é uma figura!
É sempre muito bom ler-te!
Abraços
(>¨<)
Que nada, Cassi. Abraço.
porra, té que enfim! tava com saudade DESSES escritos.
muito bom.
Olá. Pois é, sei que andei por demais monossilábico. Abraço.
Lembro-me de uma vez em que eu disse a um profissional da área de pictórica corporal (leia-se: “tatuador”) que um dos motivos por que eu não faria jamais uma tatuagem era o fato de os desenhos, depois de alguns anos, perderem a nitidez, assemelhando-se a trabalhos amadores de marinheiros e presidiários. Mas disse-o com toda sinceridade, quase como a exigir que ele compartilhasse a minha opinião. E talvez eu fosse a pessoa mais indicada para sofrer a violência dos bisturis, dada a minha enorme falta de tato.
haha. E ‘pictórica corporal’ é bom.
O cara é mais uma lenda urbana. Mas pelo visto, nem a obra nem o autor estão a altura do anunciado.
Exatamente.