fouet
Postado em February 21, 2008
Categoria Literatura, cotidiano |
Concentração é virtude de toureadores como Antônio Ordóñez, aquele no qual inspirou-se Hemingway para criar um seu personagem de The Sun Also Rises, Pedro Romero, vocês sabem. Digo isto pois venho nos últimos dias esforçando-me algo, não muito, para dar continuidade ao meu livro; tamanha é a veracidade contida nesta afirmação que ali ao lado está a garrafa de Martini pela metade. Vejam a que ponto chego em nome da literatura, eu, um abstêmio – agora mais ideológico que empiricamente.
Qual êxito qual nada. Deitando-me a meio da madrugada como tenho feito, não ouso deixar o leito antes das dez, especialmente nestas manhãs cinzas que muito me apetecem, para escrever. Prefiro que sejam, a leitura e a escrita, acidentes; a primeira uma ocorrência frequente e a segunda, desastrosa.
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Sem que necessitasse de qualquer argúcia para tal, pude notar, nos comentários em um witty post de há uns dias, uma, como disse um amigo, carência de profundidades filosóficas. Atentem para a minha comiseração, filisteus: gastei uns trinta segundos a pensar no assunto e peguei na estante o Franny & Zooey, do Salinger. Na página 33 da segunda edição [Editora do Autor], Franny, irritada com as questões extremamente pertinentes de Lane, lhe diz assim: “[você] está falando como um assistente. Desculpe se o ofendi, mas realmente está. Palavra de honra.” Lane, que é um parvo, primeiro simula desentendimento, depois pergunta como é que fala um assistente. A resposta de Franny eu vos dedico, em especial àqueles cujo nome possa, de alguma forma misteriosa, lembrar aviões da segunda guerra mundial:
“Bem, eu não sei como eles são por estas paragens, mas donde eu venho um assistente é um sujeito que toma conta de uma classe quando o catedrático saiu a passeio, ou está às voltas com um colapso nervoso, ou anda em tratamento no dentista, ou outra coisa parecida. Geralmente, ele é um aluno do curso de doutorado. Por exemplo, se é um curso sobre Literatura Russa, ele entra, com sua camisa de colarinho abotoado, gravatas de riscas, e atira-se ao Turgenev, desancando-o por uma boa meia hora. Depois, quando acabou, quando estragou completamente o gosto da turma pelo Turgenev, começa a falar do Stendhal ou de qualquer outro que tenha servido para a sua tese de doutorado.”
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Há santos comunistas? Porque eu não vejo outra saída para o velhaco cubano continuar a comandar a ilha após a sua morte, quando ele morrer. Essa renúncia não é nada, não é mesmo? Uma bobagem sem tamanho ou consequência.
Estas manhãs cinzentas são mesmo perfeitas para se escrever - e eu as gasto num escritório, trabalhando em outras coisas… Quanto ao Fidel, grande coisa a renúncia, não? Cuba continua(rá) aquela joça de sempre.
Por esses dias tenho-nas passado na cama, a dormir. Estou eu processo de mudança de trabalho e tirei uns dias de férias.
Abraço.
Como se o Fidel já não estivesse morto antes (não gosto que falem mal da pessoa dele. Da política dele sim, mas da pessoa não).
Mas de qualquer forma, acho que há tantos assistentes perdidos no mundo, que sempre esbarramos com eles. Estão sempre analisando, querendo os porquês, acabando com a paciência, com o gosto, com a quietude de quem só quer se sentar e ouvir um disco, ler um livro, ver um filme.
Eu conheço tufos de assistentes.
Eles nunca me deixam rir do óbvio, gostar do que é bom, dormir quando tenho sono. Para tudo têm regras formais.
Argh!
Nem me fale, Badá.
O pior da renúncia de Fidel, como eu li por aí, é que a mídia em geral gastou toda a cota de biografias e fatos importantes da vida do comunista disponível (até porque já estava tudo pronto desde… hm… 1959?).
Quando ele morrer, fica a dúvida, o que será publicado nos cadernos especiais?
Boa questão. Sei lá, talvez eles se concentrem em projeções para uma Cuba pós Fidel…ou eles também já estão fazendo isso?
Ed, estás a escrever um livro?
Desejo muito sucesso, me avise quando estiver pronto (…) quero providenciar um exemplar para mim. Abraço
Oi, moça. Sim, já faz tempo. Escrever é muito perigoso, como disse alguém.
“Cuba choraminga como uma velha.”
Você acha mesmo que Jake é impotente? ou é apenas um bloqueio emocional diante da beleza de Bret?
O que nós podemos supor nas entrelinhas?
Esse romance me lembra “Gradiva” de Wilhem Jensen, que Freud tomou emprestado como representação da busca da mulher perfeita.
Enquanto isso, em algum lugar, Sófocles deve estar morrendo de rir…
Abraço Ed.
Gustavo
O que sei é que aquela superficialidade de Brett Ashley me comove, sabe?
Quem você pensa que é para degustar uma garrafa de Martini enquanto escreve e ainda declarar-se abstêmio? Isso deveria ser punido com cadeira elétrica (sem direito a último gole).
Pior que ficar sem postar, he. Só perdôo porque eu bebo refrigerante para escrever. Sim, sou um desclassificado.
O Fidel não desfila envergando um casaco da Adidas e dizendo-se comunista? Ora bolas.
Que comparação… E eu acreditando que tinhas bondade.
Um livro, é? que tudo :)
bjos
oi, olá.
Pois é. Só não tome Gym. É um veneno. Abraço acéfalo!
Ed
Quanto a bebida, Cuba Libre: Coca-cola, rum e limão. Nao Existe bebida mais gloalizada.
Quanto a filosofia, o lance do espelho em casa, para a refexão diária, é ótimo. Editora Abril tb é bom.
Quanto ao Fidel, confesso que Cuba só existe em mapa e em aulas de economia e sociologia. O que já era bastante.
Abrazoz.
Ah, sobre o ASS.
No começo eu fiquei meio desconfiado, mas os personagens vão crescendo junto com o livro, é muito bom. O ASS sempre se supera.
Se quiser emprestado =)
Senhor Quase-Abstêmio, estarei na sua terra a partir desse sabádo, 1º de março. Tomaremos algumas, então?
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