Cenas de um dia de dezembro: o último
“É sempre o humilde que fala demais, o orgulhoso está constantemente a observar-se” [Chesterton]
Vale notar contudo que essa humildade é aquela que permite olhar atentamente, ao invés de para si, para outros; tal atividades garante ao observador, muitas vezes por situá-lo acima dos demais, ares de superioridade, o que mais tarde por certo resultará em […]
prosaico
Vou contar um segredo: eu leio Danuza Leão. Semanalmente. Num jornal em que ela é colunista. Não morro de amores, mas tenho que dizer que ela dá uns bons conselhos sobre etiqueta e estética – tema sobre o qual toda mulher adora falar e que pouquíssimas entendem devidamente. Mas isso, é preciso ser franco, não […]
It’s ok
Dito que pensar claramente num 26 de dezembro seja atividade deveras desgastante, ponho-me a pensar aqui numas coisas e o que percebo é que, após uma odisséia de acontecimentos um tanto tortuosa, no sentido de desordenada, a memória sofre um certo tipo de afetação, tornando-se inconstante, aparvalhada e mesmo esburacada. Chega-se ao trabalho e estão […]
fait-divers
Este ano eu achei por bem permitir que as pessoas me fizessem gentilezas e, desta forma, acabei por – ora, vejam só – participar de um amigo secreto com a caterva da faculdade, o que para mim configura uma grande transformação no que diz respeito a, err, atividades sociais (ano passado, vocês não devem se […]
recordações da casa dos mortos
Desculpem-me, é que minha inspiração extinguiu-se antes do ano. Até para leituras eu tenho sido preguiçoso. Meu sentimento de ordem tem sido o enfado – inclua-se aqui, logo, a falta de motivação, o aborrecimento e a abnegação. É claro que não é a tudo que me refiro, mas à maioria das coisas que me deveriam […]
Viver, parece-me, é a eterna arte da espera.
motivos natalinos
O bom do natal é a sensação de superioridade que nos dão os perfumes ruins das tias do interior.
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O abstêmio, ao ser encontrado bêbado na noite de natal: “estou confraternizando”.
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O alcoólatra, ao ser encontrado sóbrio na noite de natal: “maldito abstêmio”.
entre a depressão e a excitação extrema
Roupas e livros bastam-me perfeitamente para passar bem esses dias de fim de ano; as roupas, formais, engomadas, difíceis de despir; os livros, cândidos e obscenos, aristocráticos e sórdidos. É tempo de bastarem as antíteses porque o que eu quero são definições, princípios rígidos. O que eu quero é uma vida bem certinha, uma vida […]