sempiternamente as mesmices convencionais
Ponho-me a escrever como quem se deita sem sono; perpasso com a pena¹ o papel², ansioso, sem nada rabiscar (…). Desculpem-me pela poética, é que sigo gripado; respiro desagradavelmente e os olhos, os olhos não vão muito bem. Quê eu daria para ter ficado acamado hoje? Nada. Prefiro as coisas provindas de generosidade.
¹Pena porque mouse […]
Em duas palavras
América Latrina.
Do discurso
“Queremos brasileiros bem educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”. Independente de sentido político, a frase do nosso velhaco Cardoso cai muito bem em discursos inflamados. Posso ver as expressões das pessoas em suas casas, sentadas diante de suas tv’s 14’ a exclamar “nossa!, essa doeu!”, enquanto sugam […]
stendhal
Regras básicas de avaliação do amante.
Succès de scandale
Fiz-me umas perguntas acerca das minhas paixões e obtive umas poucas respostas preguiçosas. Vamos aos pontos:
Mulheres: morro de amores pelas mulheres. Sim, minha noiva bem o sabe, e até me aprova dentro de certos limites, mesmo porque ela é mulher. Mas essa minha paixão, entendam, ultrapassa os limites do relacionamento no que toca à figura […]
dénouement
No fim, eu sou o tipo de pessoa ensimesmada. Ando incomodado com a política, mas por vezes meu maior dilema é qual roupa escolher para ir a uma festa. Exemplo claro disso é que fui convidado por esses dias de feriado para o que chamam vulgarmente, e só poderia mesmo ser vulgarmente, chá de bebê, […]
Não mais imponho resistência a um vinho nos dias ociosos. Minha pequena cá está, cabelos esvoaçantes ao vento do ventilador, chacoalhando os bracinhos, a cabeça pousada no meu colo, os olhinhos a degringolar. “Eu sou feliz demais com este homem”, ela não diz, escreve aqui e pede que eu publique. Publico.
Um abraço. Até a sanidade.
¹7h
Hoje pela manhã, vindo para o trabalho, ouvindo the killers no mp3 – meu autismo voluntário – ocupo lugar, dentro do coletivo, atrás de um sujeito por pouco empolado, não fosse pela nuca branca, resultado do creme nojentinho que lhe escorria dos cabelos violentamente puxados para trás. A cena remeteu-me a um texto de Machado […]
o id suprimido da esquerda
Eu não assisto tv, tampouco sei do que tratam as novelas. Por esses dias, através do Fábio, fico sabendo que a Globo está a exibir uma “novela de direita”. Achei o negócio pitoresco, mas ainda não o suficiente para me fazer ocupar um lugar na poltrona da sala. Mas então, agorinha, pondo-me a par da […]
spirit
Cá estou com o telefone preso entre o ombro e a orelha. Do outro lado da linha ainda ninguém, mas dentro de segundos deverá atender-me a moça da videolocadora, de quem tento agora urgentemente lembrar o nome, a fim de demonstrar falsa simpatia, uma certa pessoalidade, para, então, perguntar-lhe: tens aquele filme do cavalo?
é preciso sabedoria na canalhice
Resido num bairro razoável ou, quiçá eu possa dizer, tranqüilo, se eu for compará-lo a outros aqui desta capital. A rua na qual localiza-se minha residência é de modo geral muito pacata, não obstante a falta de um posto policial nas redondezas, exceto por um fato: o vizinho desgraçado que mora ao pé de nós. […]