à la recherche de l’haleine perdue
Postado em June 21, 2007
Categoria cotidiano, opinião |
Estou a ponto de me apaixonar pela medicina moderna, não obstante a repulsa moral que ainda me causam as salas de espera. Atacou-me novamente por esses dias o que chamam virose e fui procurar médico. Fui, notem a minha excentricidade, vestindo umas roupas de grife, óculos de sol, sapatos de couro e, aqui, sim, reside a minha excentricidade, levei comigo um livro menos óbvio do senhor eremita Salinger e uns artigos impressos de João Pereira Coutinho, que, posso apostar, jamais se imaginou lido numa antesala de clínica médica.
Pois bem. Justifico o imbróglio. Acho uma rudeza, não, uma cretinice o fato de os hospitais e demais centros de saúde não realizarem uma minuciosa seleção quanto ao que se deve, ou não, disponibilizar para fins de apreciação dos que aguardam ser atendidos. Imaginem vocês um paciente que, gostando muito das novelas, aguarda seu cardiologista. De repente, olha para o lado e vê uma revista com o resumo das programações televisivas do dia seguinte. Abre-a, lê que sua personagem predileta irá infartar e falece ali mesmo, ele mesmo, antes de adentrar o consultório. Digo que é preciso ter cuidado com essas coisas. Há de se pensar nessas coisas. Não cai bem a um hospital permitir que um diabético, por exemplo, leia receitas de tortas de chocolate enquanto espera o devido tratamento. Não convém, ainda, deixar que um paciente jornalista, eu, para ser mais exato, seja obrigado a ler Veja. Ainda mais uma edição da semana passada.
Então eu levo as minhas próprias leituras, a fim de aumentar as chances de um diagnóstico razoável. Mas a verdade é que foi tudo muito prático, incrivelmente prático, terrivelmente prático: 5 minutos de conversa, uma olhadinha no fosso de minha garganta e 4 dias de atestado. Eu agradeço.
Eu costumava ler Céline quando precisava ficar nas filas do INSS (foram uns dois dias seguidos e mais uma terceira ida, um mês depois). Nada mais apropriado.
E só um toque: “haleine” é substantivo feminino. Portanto, melhor ficaria assim: “à la recherche de l’haleine perdue”.
Abraços.
sim, sim. Obrigado, Donato.
Não são só os hospitais que precisam rever suas opções de leitura. Acho que o país inteiro! rs
No mais, quatro dias, descanse…
Oi, como vai?
Realmente é terrível estar doente e ter que ser consolado por mesmices cotidianas…
Espero que você esteja melhor, afinal, as férias chegaram!
Um beijo no seu coração.
Ah, então é pela doença que você sumiu do Gtalk. Boa leitura!
Pois eu não. :(
Tá melhor amigo?
Beijo da gorda… Uow
Assuma: foi só para pegar o atestado. Aí até nem dá problema ler a Veja: se bobear, ainda aumenta o tempo do atestado por complicações advindas da leitura inadequada.
Será que se botassem livros, ao invés de revistas, a galera rôbava?
Meu culto e querido amigo!
Julgo ser necessário visita-lo com dicionários, pois como sou loura sinto-me boiando.
rsrsrsrsrrsrssrrrrrr
Acredito que por sua seleta lista de comentarista , continua sem linkar-me!
Tudo bem, um dia chegarei a sublime sabedoria que poucos conseguem adquirir!
Pelo menos era a edição da semana anterior. E quando, além de só ter Veja, é a revista de meses atrás?
Acho que a única solução possível para agradar a todos os gostos em uma sala de espera de consultório médico é ter um sortimento quase similar ao de uma banca de revistas :P Ou então cada um levar o seu próprio suprimento informacional, como fizeste. :)
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