Do que eu não gosto em um texto jornalístico

Postado em April 17, 2007
Categoria jornalismo, opinião |

Não gosto de tanta objetividade, não gosto do lead clássico. Onde está o drama? E por que eu, achando um acontecimento terrível, não posso chamá-lo terrível? Vou dizer: até entendo a tentativa do jornalista de ser imparcial, passivo de opinião própria – que os leitores somente e tão somente possam achar o que quiserem da notícia. Mas nesse ponto sinto um certo conflito de ideologias: se o jornalista deve informar com fidelidade os fatos, e se tais fatos são sim terríveis, por que não dizê-los logo terríveis? Mas divago. O que eu quero dizer é que gosto do nariz de cera. Gosto das introduções literárias, tão comuns nos jornais de há alguns anos – era tão mais viva a coisa toda, mais humana e sincera e tal. Jornalistas que precisam se ater às suas regrinhas tão chatinhas (quase todos) são todos iguais. Apenas uma minoria consegue desenvolver algum estilo peculiar mesmo presa aos grilhões da profissão. E por isso os colunistas são tão lidos; a classificação de opinativa dada às colunas dos jornais quer dizer que elas não possuem classificação – a não ser os setoristas, que só sabem sobre o que sabem. Para ter uma idéia do tipo de jornalista a que me refiro, pensem em Nelson Rodrigues, Paulo Francis. Estes e alguns outros poucos são (ou eram) jornalistas que valem mesmo a pena serem lidos.

Comentários

RSS feed | Trackback URI

4 Comentários »

2007-04-17 18:48:29

Não há escrita asséptica. Ou se há não vem de mão de gente. Concordo contigo, ou nos envolvemos na escrita e assumimos uma postura pessoal bem definida ou mais vale estar quietinho. Anyway, opiniões dão-se na mesa do café, um artigo - como um post - pode ser bem fundamentado e não deixar de ser pessoal e fruto de uma vivência, de uma circunstância, de um momento. Ou então teremos os 400 macacos a escrever as obras completas de Shakespeare…

 
2007-04-18 03:28:28

É extremamente contraditória essa linha “imparcial” no jornalismo brasileiro. A grande imprensa na mão de meia dúzia de famílias, todos os jornalistas com linhas bem definidas de como tratar determinados assuntos, o que pode e o que não pode…Enfim.
E o cara não pode dizer que um acidente foi terrível, realmente eu nasci no País errado.

 
2007-04-19 17:50:54

Não sei não, Ed.

Agora que comecei o jornalismo me assombro com o nível de irresponsabilidade das opiniões dos meus colegas. É “eu acho” para cá, “eu acho” para lá… “eu ouvi dizer” isso, “eu vi na TV” aquilo…

Ninguém se dá ao trabalho de fundamentar, reforçar ou apresentar indícios que corroborem o que está dizendo. Objetividade em excesso é ruim, mas ainda prefiro a objetividade excessiva à achologia infundada e imbecil dos aspirantes a formadores à opinião com os quais convivo.

Tem pessoas que simplesmente tem que se curvar á própria imbecilidade e ficar quietas .

 
2008-11-11 20:53:28

Addax p2p 3.2….

Addax p2p 3.2….

 
Nome (obrigatório)
E-mail (obrigatório - não será publicado)
URI
Seu Comentário
Você pode usar <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong> em seu comentário.