Ê, Machadão
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March 3, 2010
Categoria: opus | 12 comentários
Nada me tira a ideia de que o que Capitu queria mesmo era uma ménage à trois.
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February 5, 2010
Categoria: cotidiano | 2 comentários
Disse ontem, endosso hoje (a situação está insustentável): precisamos de rodízio de gente. “RG final 289 vetado às sextas-feiras…”.
verfremdungseffekt
Postado em
February 2, 2010
Categoria: cotidiano | 6 comentários
Como noviço residente de apartamento, outro dia perguntei no twitter sobre a mais adequada conduta a se adotar nessas moradas de babel (quanto às gentes, não quanto à língua; ok, também quanto à língua): ser amigo de todo mundo ou ignorar completamente a existência dos vizinhos. A vontade mais sincera, quanto mais próximos de mim os outros moradores, é fingir que eles não existem at all, mas não é sempre que dá. Fingimento é uma pose que eu respeito e aprecio muito, mas que tem uma falha: depende muito de outrem. Não dá para crer o tempo todo que o prédio é só meu porque, afora morar no primeiro andar (101), um dos meus quartos encima a área comum, onde as crianças desgraçadas brincam, correndo como, er, como crianças, e gritando, e se dependurando nas minhas grades, olhando o que não lhes interessa. Jogando Resident Evil4 num final de semana, sobressaltei-me com duas cabecinhas mulatas na minha janela, olhos arregalados por causa do que acreditavam ser zumbis: “nossa, alá o monstro zumbi, nossa, mata ele moço”. Não são zumbis, suas pestes! Essas pessoas estão infectadas com La Plaga, um verme terrível. Disse isso e eles permaneceram lá, dependurados, porém menos mulatos porque brancos de susto.
Outra coisa engraçada é se sentir naquele filme, Os Outros, nas reuniões de condomínio. Eles lá, falando aquelas besteiras, e você achando, ou querendo, que não.
o ano
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December 27, 2009
Categoria: cotidiano | 5 comentários
(Imitando o Nagel e essa mocinha aqui)
Foi o ano em que me casei, principalmente. A mais importante mudança em minha vida desde que, sei lá, parei de comer pipoca, há 6 anos. O fato de ter saído da casa na qual cresci, do quarto no qual conheci Onan e seus pecados, do ambiende onde joguei Atari quando criança etc. me comove a ponto de eu pensar nisso tudo de vez em quando. E eu chorei no primeiro dia fora de casa, longe da mãe. É preciso apontar que não me é fácil nem usual assumir isso; sou um cara durão, sou o anti-emoções gratuitas. Não foram gratuitas, contudo. Lembro-me agora, quase 3 meses depois, que uma dor de barriga desgraçada me acometeu nas vésperas do matrimônio. “É ansiedade”, disseram-me, mas é claro que eu comi alguma coisa podre, uma merda qualquer, de que não me recordo. Foram dias cheios aqueles; a viagem ao Rio, o dinheiro que se gasta, o estar-sempiternamente-a-demonstrar-alguma-satisfação. Casar cansa, é verdade. É um tanto recomendável que se leve na mala, além de livros, um Playstation.
Sobre livros, não creio que tenha lido tanto em 2009. Não me lembro, estou sem memória. Lá pelo meio do ano me formei em Jornalismo – foi o ano em que o diploma que nada significava nada passou a valer – e, assim, li muitas porcarias por obrigação e algumas outras literaturas que me causaram júbilo, como parte grande da obra de Nelson Rodrigues – aquela que reúne suas crônicas pulicadas dos 50’s até sententa e poucos – a fim de dar cabo da monografia. Foi o ano em que tive a ilusão de me haver livrado da Academia, à qual sei que retornarei em breve. Foi o ano em que li David Foster Wallace, mais Philip Roth, mais Fitzgerald, mais Eça, mais Machado. De quadrinhos, reli Preacher e Watchmen (por causa da adaptação para o cinema, sim) e alguma outra coisa.
Pouco escrevi por prazer em 2009; praticamente abandonei o blog, mas passei a usar frequentemente o Twitter. Não fiz crítica literária, porque passei a tratar de ciência diariamente por demanda profissional. Participei até dum curso do que chamam Jornalismo Científico, em Recife, circa setembro. Nada demais. Alguém, não sei quem, escreveu que, quando se acompanha muito a ciência, perde-se contato com o mundo. É o que eu sinto, às vezes.
Passei também a gostar mais de séries. Acompanhei – e acompanho – religiosamente Lost, 24 Horas, True Blood, Damages, Fringe, House MD, The Big Bang Theory, Californication. Com atraso, estou assistindo à última temporada de Sopranos – que, poxa, é genial. Fui pouco ao cinema.
Foi também o ano em que deixei de usar tantos sapatos de couro e passei a usar tênis. Foi quando propus ménage à trois e obtive afirmativa como resposta, foi quando descobri ótimas bandas, como Kasabian, Architecture in Helsinki, Manic Street Preacher (obrigado, Donato), Editors, Arcade Fire, Peter, Bjorn & John, The Decemberists etc.. Mas perdi o show do Radiohead.
É domingo e estou um pouco bêbado, na verdade. Sei que devo estar deixando passar eventos importantes, eu sei. Ah, sim: 2009 foi quando quando vodka se me tornou vulgar.
dementia
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November 11, 2009
Categoria: oh | 3 comentários
(daqui)
rio
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October 22, 2009
Categoria: cotidiano | 7 comentários

Pronto. Fodeu. Casei-me. Na igreja – que heresia – pus Led Zeppelin como música de saída, pulei Pearl Jam na festa e, desde segunda-feira, estou no Rio de Janeiro caminhando em Copacabana, visitando bistrôs, andando em bondinhos e tomando sol a ponto de poder concorrer a cotas para negros em universidades. Ou o meu reino por um protetor solar fator 1000.
altare
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September 13, 2009
Categoria: cotidiano | 14 comentários
Caso-me logo ali e, para que possa escrever a respeito, tenho tentado encontrar no acontecimento algum sentido literário ou, no muito, pitoresco; quando encontro, este é trágico, lembra-me o casamento de Lord Henry, aquele personagem daquele livro que vocês sabem qual. De maneira que é preferível eu me calar/ abster em troca d’alguma paz ignorante. Às vezes folheio Cinco Casamentos Vitorianos, duma tal Phillys Rose; livro ruim que me caiu nas mãos não sei como e que em nada me ajuda.
Participei há uns dias, em Recife (que sotaque, que calor), dum curso de Jornalismo Científico promovido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde, onde conheci esse sr. cuja dissertação de mestrado trata de Tolkien – e que também é jornalista de ciência da Folha.
A propósito, ontem passei o dia num outro curso: Encontro de Noivos. É. O sábado inteiro. Com direito a participar de rodinhas católicas moderninhas que debatem sexualidade.
O Pedro Mexia está aqui.
E esse Irmão Lúcia é também um tanto recomendável.
E descobri hoje que meu protetor solar é, como se diz?, fator 15. Que merda.
B.E. no 30 03-97 Drury UT
Postado em
September 9, 2009
Categoria: Literatura, citação | 3 comentários
“Eu tenho de admitir que era uma boa razão para casar com ela, pensei que não ia ser fácil conseguir melhor que ela por causa do jeito que ela tem um corpo bom mesmo depois de ter tido filho. Em forma, bom, boas pernas — ela teve um filho mas não ficou toda estourada, cheia de veias, caída. Pode parecer grosso, mas é a verdade. Sempre tive o maior horror de casar com uma mulher bonita e aí a gente ter filho e isso acabar com o corpo dela mas ainda ter de fazer sexo com ela porque foi com essa que eu assinei o papel para fazer sexo o resto da minha vida. Isso deve parecer horrível, mas no caso dela era como se ela já estivesse pré-testada — o filho não estourou com o corpo dela, então eu entendi que ela seria uma boa para assinar o papel e ter filhos e ainda tentar fazer sexo. Parece grosso? Me diga o que você acha. Ou será que falar a verdade nesse tipo de coisa sempre parece grosso, entende, as razões verdadeiras de todo mundo? O que você acha? Parece assim?”
[David Foster Wallace in Breves Entrevistas com Homens Hediondos]
Esquizofrenia literária e tal
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July 10, 2009
Categoria: Literatura, opinião | 6 comentários
Estou a ler o Exit Ghost, do Roth. Ainda no comecinho, mas tenho gostado. No ponto no qual parei um jornalista desejar entrevistar o nosso já conhecido Zuckerman a fim de colher informações sobre outro escritor, um tal Lonoff, já morto. O objetivo do jornalista, um sujeitinho de 28 anos, é, claro, escrever uma biografia. “Para quê?”, pergunta Zuckerman. “Para revelar os segredos do autor”. “Revelar segredos para quê?” O diálogo não acontece exatamente assim, mas vocês entenderam.
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Eu nunca fui à FLIP, não sou grande entusiasta de feiras, concursos e eventos correlatos (minha opinião sobre isso é já bem conhecida), mas fiquei um bocado decepcionado com esse artigo, publicado no site da revista Dicta e Contradicta – da qual gosto muito. Afirmar a que a feira literária é um “sintoma da esquizofrenia literária e cultural que atingiu o Brasil” é, além de um exagero dos diabos, uma grande bobagem. Martim Vasques da Cunha, autor do texto, argumenta que essa “esquizofrenia” se deve ao fato de que, enquanto “escritores ruminam sobre o fracasso, o seu público deseja somente o sucesso”. Cunha fala em “dissonância cognitiva”, um negócio que qualquer leitor conhece muito bem: aquilo que se lê não é o que se esperava/ desejava ler – e isso, em hipótese nenhuma, anula o prazer da leitura. Noutros termos: há um abismo entre o que pensa o autor e o leitor. Ora, falei em Philip Roth e aqui novamente o cito: alguém que, aos 25 anos, já tenha lido Everyman ou esse mesmo Exit Ghost terá se identificado profundamente com aquela literatura? Não deveríamos, então, dizer que o mundo literário, todo ele, padece de, humn, esquizofrenia?
cenas
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July 2, 2009
Categoria: cotidiano | 13 comentários
Já não faço mais faculdade (estou me gabando). Tenho diploma, orgulho-me da nota máxima na banca avaliadora (graça alcançada) e, embora com tendências à literatura, pratico o que chamam j0rnalismo científico e às vezes passo um dia inteiro fotografando moluscos. Ou flebotomíneos.
Caso-me a 17 de outubro e já comprei meu primeiro eletrodoméstico: um playstation2.
Há cerca de seis meses não leio nada sem um objetivo que não o de entreter-me – e isso aborrece. Neste momento do qual escrevo faço valer a ilusão de que agora, terminadas, por ora, as obrigações acadêmicas, terei tempo para retirar da estante os últimos livros que comprei, ouvir música francesa, dormir cedo e, ah, dar cabo das missões de Prince of Pérsia.
Vou morar em um apartamento. Dois quartos, dos quais um será inteiramente ocupado com meus livros e minhas tralhas (minha noiva ainda não sabe). Quero ter um cachorro, bulldog ou bouvier, mas tenho dó do bicho: ficar preso em um apartamento deve ser de doer. Ainda não cheguei a um veredicto.
Mas eu preciso de um cachorro porque agora a noiva cismou de viajar todo mês ao Pará (volta de lá com as bochechas vermelhas como o quê; dizem que é um sol impossível). E tem espírito a pequena, tenho de assumir: não me deixa levar outras mulheres pra casa na ausência dela.
Jornalismo
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June 17, 2009
Categoria: Uncategorized | 5 comentários
Outro dia mesmo estive com uma secretária que, por Deus, era mais jornalista do que eu.
Introibo ad altare Dei
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March 31, 2009
Categoria: Uncategorized | 11 comentários
Minha melhor pose é a com o Ulysses por debaixo do braço.
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February 25, 2009
Categoria: cotidiano | 7 comentários
assim que tempo me sobrar, vou passar a entrevistar umas personalidades assim, er, pitorescas, como mendigos de direita. [cá]
Les événements m’ennuient
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February 10, 2009
Categoria: cotidiano | 3 comentários
Os dias seguem cheios sem que eu, no entanto, os possa acompanhar com, er, vivacidade. É que eu tenho preguiça. Eu sofro disso. É-me um mal. Agora baixo aqui a cabeça e penso que preciso de alguma cafeína. Pode ser isso. Mas ia falar d’outra coisa. Chega-me daqui um convite (alou) para participar disso a que, vulgarmente, deram o nome de meme – digo vulgarmente porque uma coisa assim é, antes de mais nada, inominável. O protocolo diz que devo pegar o livro mais à mão e ir buscar, na sua página 161, a quinta frase completa, entre pontos. Por sorte tenho cá um bom livro por perto, e a quinta frase da mencionada página, solta, não dá qualquer idéia de sentido: “Vinha de Lisboa.”
Well, ela consta de uma crônica do Sr. Nelson Rodrigues intitulada “A Feia Nudez” [janeiro,1968] do livro A Cabra Vadia. Quem vinha de Lisboa? Uma das obsessões de Nelson: Otto Lara Rezende. Diz o cronista que Otto, ao retornar de Portugal, era mesmo um outro homem: “luzíada da cabeça aos sapatos. Ou melhor: Eça puro.” E continua: “ele próprio parecia alguém expedido do ventre da primeira edição de Os Maias.”
Sei ser costume repassar a brincadeira a outrem, mas não o farei. Pôr links dá muito trabalho, for God’s sake.
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Postado em
January 28, 2009
Categoria: Take me to the place where the white girls dance | 9 comentários
