Reinaldo Azevedo tentando arvorar-se como mentor intelectual

Postado em June 24, 2009
Categoria Relances | 1 comentário

Reinaldo Azevedo consegue ser muitas vezes surpreendente – está aí a paulatina análise de seus textos feita pelo Hermenauta. Como este não se pronunciou sobre o caso USP, nem imagino que fará (normalmente o Hermenauta fala sobre os assuntos que acompanha de perto, e não deve ser o caso da USP), prefiro eu mesmo comentar a intenção de Tio Rei tornar-se mentor intelectual dos manifestantes “antigreve” na USP.

Como prova meu post sobre a atuação da PM no último dia 9, sou muito crítico ao Movimento Estudantil, posição que em parte compartilho com Idelber Avelar: o movimento é muito ultrapassado em seus métodos de arregimentação e discussão. Mas isso não invalida a justeza de pautas como uma discussão mais ampla da UNIVESP, o que é negado sistematicamente pelo governo estadual e pela reitoria.

Por outro lado, há os alunos que, cansados das constantes greves, resolveram enfim mobilizar-se em sentido contrário. E é a esse grupo que Reinaldo Azevedo tenta ditar os rumos:

Não se deve esperar um movimento com milhares de estudantes — infelizmente. As razões são muitas. Gente que entra na universidade para estudar não tem muita prática nesse negócio de “se mobilizar”. Fosse assim, imaginem se os tontons-maCUTs conseguiriam se impor pela força, como fazem. Seria, assim, um placar de mais de 78 mil contra mil, se tanto…

Quem não é profissional da baderna tem dificuldade até de arranjar a infraestrutura para esse tipo de evento, como aparelho de som, palanquinho etc. E, se posso dar uma dica, lembro: não descuidem, pouco importa o número de manifestantes, da segurança. Lembrem-se de que aqueles que não têm razão contam com um único aliado: a intimidação. O negócio é não ceder às provocações dos tontons-maCUTs.

Havendo imprensa presente, basta uma declaração: “Somos a maioria e respeitamos o direito da minoria; só queremos que a minoria respeite o nosso”. Também nesse caso, é preciso tomar cuidado com o agente provocador, gente que vai lá com a matéria já escrita, só esperando uma fala ou outra mais duras para caracterizar os não-grevistas como “reacionários”, protegendo, assim, aqueles que, de fato, se comportam como fascistas.[grifos meus]

Ai ai… Primeiro: está mais do que claro que não são “78 mil contra mil”. O último ato contra a presença da PM no campus da capital reuniu mais de 3 mil pessoas no vão do MASP – e eu, bem como muitos, não estive presente. Sem contar que essa polarização tosca entre “os que querem estudar” e “os baderneiros” é grosseira e interessa apenas a um lado. É totalmente falsa.

Depois Tio Rei dá dicas, como manter a preocupação com a “segurança”. Oras, como se fosse do interesse dos estudantes ir lá dar alguns sopapos em meia dúzia de manifestantes. Todos os vídeos em que se indica alguma truculência dos estudantes favoráveis à greve são incompletos: omitem as faixas levadas pelos “antigreve”, nada democráticas: “Morra Brandão”, “Chupa Brandão”, sem contar uma com Serra armado dizendo “PM Neles!”

Para completar, Reizão manda uma daquelas retóricas escolares sobre democracia, sobre direitos da maioria e da minoria. Oras, se o direito da minoria que é citado na frase é o direito de greve, como pode ser compatível com os “antigreve”? Não que eles não tenham direito de ser contra esta greve (sem negar, obviamente, o direito de sua existência) – eu mesmo fui até o dia 9. Mas há mais nuanças do que o Tio Rei faz parecer. Vou me fixar na principal:

Por mais que se critique o ME, não se pode acusá-los de desconhecer os motivos de defender a pauta que defendem. Aqui mesmo provei como a UNIVESP é um câncer em gestação, que precisa ser revisto e/ou combatido. Por outro lado, nenhum dos manifestantes “antigreve” apresentou até agora conhecer o estado das coisas na Universidade de São Paulo. Ao contrário: caracterizam seu movimento como um ato de repúdio que tem tanta representação política quanto o “Cansei”. É apenas um gritinho – e eles orientaram os presentes a gritar “não” contra a greve, em um dos atos mais bregas já vistos na USP – contra “tudo isso que está aí”. Não há uma discussão verdadeiramente política, exposição democrática de discordâncias ou uma tolerância com a divergência presente. Ou seja, estão mimetizando os mesmos erros do ME, isolando-se com o uso de uma palavra de ordem que desaparecerá tão logo a greve termine.

A morte da política é um efeito danoso de polarizações do tipo, em que se opõem “bandidos x mocinhos”, “baderneiros x alunos supimpa”, “comunistinhas x fascistinhas”. Ao invés de tentar transformar a USP por meio de sua atuação, preferem reclamar algo mimadamente. Isso não é bom nem mesmo para a posição deles; se querem construir alternativas às greves constantes, esse tipo de manifestação é um tiro n’água.

Enquanto mantiverem-se reféns da postura reativa e convenientemente desinformada de um Reinaldo Azevedo, nada mais farão além de postergar indefinidamente melhorias no próprio Movimento Estudantil. A sugestão do vejista de que a imprensa estará pronta a tomar o lado dos estudantes grevistas é tão falsa quanto uma nota de 3,50 – basta notar que em nenhum momento os motivos da greve foram abordados de maneira abrangente, o que sem dúvida levaria os “antigreve” a relativizar um pouco suas próprias posições. Ou eles são tão “tolerantes” que não conseguem ver um argumento a favor da greve sem achar que é “coisa de tontons-maCUTs”? Investir na polarização foi um erro do ME; insistir nela só vai piorar as coisas para os que são “antigreve”.

Comentários

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1 Comentário »

2009-11-20 02:54:14

Seu petralha idiota!

 
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