De como a Universidade de São Paulo se converte em palco de desmandos
Postado em June 10, 2009
Categoria Relances | 16 comentários
A essa altura a maior parte das pessoas interessadas já sabe o que houve na Universidade de São Paulo – ainda que as informações sejam desencontradas. Não é mais possível permanecer neutro em relação à situação que se criou. Claro que parte da imprensa fará questão em se manifestar favorável aos policiais que entraram em conflito com os estudantes que faziam um protesto em frente ao principal portão do campus da capital. Receio que meu texto será demasiado longo. Entretanto, faz-se necessário – ao menos para mim mesmo.
Comecemos pela pré-história do conflito: desde a notícia de que haveria cursos de ensino superior ministrados à distância oferecidos pela USP já neste ano o Movimento Estudantil – composto em boa parte de lunáticos dos mais variados partidos e por uma minoria esclarecida e preocupada com a situação do ensino no estado de São Paulo – estava tentando mobilizar os estudantes contra a medida. Chamada de UNIVESP, esta iniciativa beira o ridículo: a simples leitura do projeto mostra o descalabro e a ineficiência do governo em apresentar algo que realmente sirva aos interesses da sociedade. Um projeto tão ruim pode até ter boas intenções, mas isto não o torna menos estúpido. Portanto, é legítimo que os estudantes se reúnam a fim de apresentar alternativas menos danosas ao ensino.
O problema evidente é que a histeria é o tom dominante das pessoas que tentam organizar algo. Assim, impedem a discussão (qualquer matiz apresentado se torna “peleguice”) e afastam as pessoas sérias que gostariam de discutir o assunto. Eu incluído. Não farei jamais um mea culpa por não participar das “discussões” pois estas sempre são reativas e nunca propositivas. Não são sérias. Não compensam.
Para ajudar, essa pauta legítima foi obscurecida pela greve do SINTUSP, sindicato dos trabalhadores da USP. A recente demissão do diretor do sindicato, aka Brandão, dominava o debate. De um lado os que acham que a demissão pode até ter sido justa – eu incluído – e de outro os que têm a convicção de que foi um ato político ilegal. De todo modo, a UNIVESP ficou meio de lado até que a greve dos funcionários aparecesse – e então intensificaram-se as assembleias de curso na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), visando a construção de uma greve de estudantes.
No que uma greve dos estudantes ajudaria não dá para saber. Sou contra a greve por achar que, mesmo com pautas muito justas, esta é ultrapassada como sistema de atuação política. A ausência de discussão dentro do próprio ME potencializa o valor quase obsoleto da greve como instrumento de dissuasão política. Ou seja, o ME é refém da própria ineficiência.
Feitas as preliminares, vamos aos fatos. Os funcionários realizaram piquetes na reitoria, com o intuito de impedir não-adesões à greve. A reitoria, em um ato inédito, pediu a presença da PM para a reintegração de posse do edifício. É bom lembrar que houve uma ocupação da reitoria feita por estudantes há dois anos – e nem mesmo após mais de um mês de ocupação a polícia foi chamada para intervir. Ressalte-se que neste caso haveria, de fato, uma reintegração de posse. No caso atual a reintegração é no máximo parcial, visto que passei alguns dias em frente à reitoria e nada vi que fosse particularmente acintoso por parte dos funcionários em greve. De todo modo, no dia 1º de junho a PM estava no campus pela primeira vez em muitos anos.
Isso, obviamente, gerou revolta em boa parte dos estudantes ainda reticentes em entrar em greve – seja por falta de mobilização estudantil, seja por ausência de motivos reais. E a maioria dos cursos que tradicionalmente apoiam as manifestações entrou em greve. Poucos dias depois da PM entrar no campus, os professores também entraram em greve – e é bom dizer que eles estavam muito mais reticentes em entrar em greve, e não sem motivos: o plano de carreira deles pode ser alterado sem qualquer cerimônia, afetando boa parte dos docentes em médio e longo prazo.
Assim, com os 3 setores em greve (desconsiderando, por óbvio, os estudantes e professores de unidades como a FEA (Faculdade de Economia e Administração) e a Escola Politécnica (que abriga as várias engenharias), que nunca fazem parte das manifestações, seja pelo exagero do ME, seja por um conformismo típico de classe média), a reitora, que já havia metido os pés pelas mãos ao chamar a PM para resolver um assunto que só se agravaria com a presença de policiais, perdeu o controle da situação. Afinal, a força que o movimento dos estudantes não tinha surgiu e realizou atos em frente ao portão principal da universidade.
E chegamos ao dia 9 de junho de 2009, dia que restará infame para os anais da universidade. As notícias estão por aí, o Diego fez um bom resumo da situação. Agora passarei a uma parte mais pessoal do post.
Fui contra a greve em todos os momentos, mesmo após a presença da PM no campus. Não creio que a greve seja uma resposta adequada à situação, por vários motivos. Hoje, um pouco cansado pela leitura de Quincas Borba, resolvi tirar um cochilo na parte da tarde. Acordei às 18h45 com pessoas falando comigo no MSN, querendo saber se eu sabia do que estava acontecendo. Fui ver e fiquei estarrecido. Minutos depois meu pai me ligou, preocupado. Disse para eu não ir. Como sou meio impulsivo fui. E encontrei centenas de pessoas no meio da avenida Luciano Gualberto, numa assembleia. Soube do que houve.
Não tenho nenhuma simpatia pelos partidos que comandam o ME. Nenhuma simpatia pelas comparações de nosso período com a ditadura militar (antes alguma democracia que democracia nenhuma). Nenhuma simpatia para com grevistas de carteirinha, que em parte são responsáveis pelo que houve nesta terça-feira. Mas não posso deixar de afirmar o óbvio, o evidente: o governo e a reitoria passaram dos limites do tolerável.
Se enganam aqueles que dizem que foi algo “justo”. Não pode ser justo uma força da polícia perseguir pessoas por 500 metros adentro da universidade. Não pode ser justo todos os policiais presentes estarem sem a devida identificação. Não pode ser justo o comandante da polícia dizer que interviu porque policiais “tinham sido feito reféns”. Com quem este homem está brincando? É assim que ele pretende se sair da acusação de força desproporcional? É assim que pedem para que confiemos na polícia?
Não é mais possível permanecer neutro, como eu disse acima. É preciso mostrar que não se pode tratar deste modo pessoas que protestam pacificamente contra um governo que impõe decisões, abstém-se do diálogo e pretende garantir o monopólio da razão. Havia os manifestantes que buscavam confronto direto com a polícia? Claro que havia. Estes são uma minoria. E não devem servir de base para fazer centenas de pessoas de bem passarem momentos de medo. Os vídeos estão na internet. Está provado, de uma vez por todas, que esta senhora que se diz reitora, embora tenha auto-ajuda e Paulo Coelho como leituras preferidas, não tem mais a mínima condição de permanecer no topo da hierarquia de uma instituição que já teve mentes brilhantes deste país.
Miguel Reale, que muitos chamam de “direitista”, “reacionário”, “safado” e outras coisas piores, quando foi reitor da Universidade de São Paulo JAMAIS permitiu que a ditadura reprimisse estudantes dentro do campus. Ele era coerente com seus princípios, por mais questionáveis que sejam suas posições. É do jogo termos discordâncias. Mas não é do jogo intimidar os estudantes com a truculência típica da PM. Em Paraisópolis, neste ano mesmo, eles tinham a desculpa de que lá havia traficantes e bandidos. Hoje havia flores e palavras de ordem. Nada mais brega. Nada mais inofensivo.
Enquanto o governo estadual não oferecer diálogo, enquanto não abrir mão da bomba de efeito moral como instrumento político, enquanto esta reitora não renunciar ao cargo, estarei ao lado dos estudantes. E depois disso espero que o ME se modernize. Não se pode mais expor as pessoas a esse risco – mas impera a necessidade de eliminar esse risco. Leia-se: a polícia não negocia com estudantes.
UPDATE
Atualizarei aqui para incluir links que considero úteis e/ou interessantes:
Relato de um professor da EACH
Vídeo definitivo sobre o ocorrido
UPDATE 2
Aqui está a posição da reitoria. Nota-se que ela prefere culpar os manifestantes e apontar “danos ao patrimônio público”. Ridículo.
Concordo com tudo, mas não acha que o ME deveria se modernizar independente de outros fatores? Outra coisa, se existe uma minoria que compromete, pq não aproveitar que é minoria e “isolar” essa parte do movimento? Não sou aluno, nem professor, nem nada na universidade, trabalho em uma empresa privada e vou geralmente na USP apresentar e observar projetos, e ontem como todo dia estava dirigindo pacificamente o veiculo da empresa quando do NADA um grupo de alunos parou na frente do carro e chutaram até amassar e quebrar uma lanterna. Isso na minha opinião não é minoria exaltada, e sim minoria bandida. Se o governo não consegue ajudar, um ME mais moderno já ajudaria e muito a resolver esses problemas.
Acho sim, Danilo. O fato de você não ser aluno ou professor não invalida sua opinião. Apenas é necessário fazer uma dupla consideração:
1) Acredito, sim, que o que houve ontem não foi o único motivo para que o ME modifique radicalmente seu modo de atuação. Este é obsoleto há já muito tempo; a única greve recente que teve resultados concretos foi a de 2002 (e eu era apenas um adolescente mimado na oitava série quando isso aconteceu). Foi uma greve necessária, pois a demora na contratação de professores para a FFLCH estava levando os cursos (especialmente o de Letras, em que entrei em 2006) a um colapso. Até hoje há salas lotadíssimas, sem infraestrutura básica decente. Essa conquista parcial de 2002 é até hoje usada como pretexto do ME para atestar a validade e o “bom efeito” que greves podem causar. É o que chamo de título de time pequeno: o único que tiveram é glorificado como se redimisse os inúmeros erros anteriores e posteriores.
2) “Isolar” o ME é extremamente difícil na atual conjuntura. Como disse no post, muitos alunos que estariam interessados em construir propostas e alternativas às políticas públicas que se referem de algum modo à Universidade são desestimulados pela prática normal do ME. Eles já monopolizaram a própria participação de tal forma que nenhum movimento considerável de alunos contrários às práticas ultrapassadas pode frutificar sem lhes dar a oportunidade de bagunçar tudo.
Em meu primeiro ano no curso fiz parte de uma chapa para o Centro Acadêmico. Tínhamos ainda a ingenuidade de buscar um discurso “neutro”, que evitasse a polarização estudantes-reitoria ou, no caso mais claro na época, estudantes-diretoria da FFLCH. Apesar de nossas falhas, propomos uma campanha limpa, sem ataques pessoais e buscando conscientizar as pessoas que encontrávamos sobre uma necessidade de construir um diálogo entre os vários setores que escapasse à histeria reinante. Todas as outras chapas, sem exceção, compostas de pessoas pertencentes a partidos como PCO, PSTU e afins, entre outros independentes que tinham amizade a eles, enfim, todas as chapas nos atacaram impiedosamente, dizendo que nosso discurso era ser favorável às decisões da direção da FFLCH. A campanha negativa nos debates foi intensa. De todo modo, conseguimos uma votação relativamente expressiva, embora tenhamos sido derrotados por uma chapa composta majoritariamente de membros do PSTU.
Isto foi só um exemplo de como é difícil organizar algo sério sem que o ME caquético “se infiltre” ou ataque e difame. Minha esperança, retratada no post, é que a maior parte dos alunos que repudia a ação da PM veja também que as ações do ME não têm sido benéficas aos estudantes e que então se organizem como forma alternativa. Para isso é necessário um certo contingente de pessoas – e, sinto informar, a maior parte dos que poderiam fazer parte deste novo movimento tem outras pendência pessoais, seja trabalho, estudos ou mesmo problemas familiares. Enquanto isso, o atual ME tem espaço e tempo para prosseguir, comodamente, do mesmo modo que está: montanha parindo rato.
Não li nada tão coerente sobre o assunto em lugar nenhum.
Parabéns pelo post.
Obrigado. :)
Não sei o que é pior: a inflexibilidade disfarçada de ideologia dos estudantes, a impossibilidade de diálogo diante disso, ou a incompetência governamental em organizar um sistema educacional legítimo, sustentável e eficiente. Realmente, não sei. O que sei é que ora se assiste a uma invasão ridícula de estudantes, ora se vê uma reação truculenta das autoridades. De parte a parte, o que se sabe é que nenhum dos dois lados demonstra a menor competência para o exercício democrático do diálogo, nenhuma das partes sustenta por muito tempo o foco na argumentação, nenhuma das partes sequer sabe manter em pé a imagem de uma instituição de ensino em que as pessoas divergem para construir. Não. A USP é o resultado do sonho patético de umas esquerdinhas de grife que, volta e meia, iniciam no grito uma revolução na colônia de férias que é paga com o dinheiro dos impostos de muitos, que nunca será restituído, pelo menos não na forma como deveria: profissionais realmente educados e devotados à população que os sustenta (a eles, estudantes e governantes).
Abraços.
Olá, Cláudio.
Concordo que a situação tem culpas para ambos os lados, mas há que se considerar um fato importante: em grande medida a culpa para este Movimento Estudantil ser ultrapassado é também das políticas públicas em relação à Universidade. O debate público praticamente não existe, o que acirra as rivalidades acima do limite. Antes da PM propriamente dita era visível a polarização entre estudantes que queriam greve a todo custo contra estudantes que não davam a mínima aos problemas reais da universidade. Em uma assembleia que presenciei no curso de Letras um grupo de alunos contrários à greve gritou palavras de ordem à maneira do ME, entre elas “Choque!”. Nada mais faziam além de repetir o discurso oficial de “polícia nestes vagabundos”, sendo que havia ali gente disposta a discutir e que não pode ser em nenhum momento chamada de vagabunda.
Abraços.
Realmente uma bela análise. Me colocou a par do assunto do “confronto”.
Nos poucos contatos que tive com o ME (estudava na unesp e participei da greve de 07) minha impressão foi bem parecida, de um movimento retrógrado, sem perspectiva de mudança. Mas o que mais me incomodava eram os discursos panfletários, arraigados em bases de pessoas ligadas a partidos políticos e do seu caráter meio “monopolista” das discussões e posições, tanto é que sempre votavam em bloco para fortalecer suas posições.
Mas enfim, Parabéns pela postagem!
abraço!
Agradeço. A paralisia do ME, entretanto, não torna suas pautas necessariamente estranhas aos nossos interesses e aos da sociedade de um modo geral. Posturas como a de Reinaldo Azevedo são visivelmente histéricas: ignoram os equívocos e desmandos do estado e simplificam um fenômeno (o ME retrógrado) que tem seus críticos dentro da própria universidade, como eu.
Abraço!
Vinícius,
Cheguei tarde a este post e ao blog vindo do NPTO. Sou professor de federal, ex-aluno da Unicamp. Estou estupefato com o ocorrido. Acho que a reitora deve renunciar e Serra ser pressionado para respostas mais condizentes. Mas acho que isso deve ser feito concomitantemente a uma ampla reflexão interna de alunos e professores. Do jeito que está ao pode mais ficar. É preciso avaliar bem as forças, e creio que os linha dura de lado a lado se reforçarão, sobretudo os que se regozijam com o fato de “petralhas”. “esquerdistas” e “baderneiros” terem apanhado. Assim, discordo um pouco de você quanto ao fechar fileiras com os grevistas. Sem um norte claro do que se quer, ficar apenas na defesa de que eles têm o direito de protestar, quando parece haver uma força contrária de peso que quer mesmo estigmatizar a FFLCH, reivindicações e por aí vai, pode ser o prenúncio de maior isolamento e derrotas mais sérias.
Um abraço.
João,
Não estou “fechando fileiras” com os grevistas. Quando digo que “estarei ao lado dos estudantes” trata-se de uma posição que julgo necessária no atual momento. Bem ou mal, estes estudantes são o lado mais fraco da corda. Entretanto, é necessário que reconheçam o quão perigoso é insistir na polarização que eles mesmos se esforçaram para criar. Repito: havia lá os baderneiros sim, havia lá os grevistas de carteirinha. Mas a polícia, que tem o monopólio do uso correto da força, não pode demonstrar tamanha incapacidade de contornar a situação. E acima da polícia está a reitoria que não deveria tê-la chamado para começar.
Eu adoraria poder apresentar, junto com alguns colegas, uma solução para o problema geral do ME. Mas temos, como tentei deixar claro no post e nas respostas aos comentários, uma situação sui generis. E esta situação se agrava com a polícia, com a reitoria intransigente, com a manipulação midiática feita a respeito do assunto. Não li até agora uma reportagem sequer que tentasse apresentar o contexto todo. Mesmo as mais favoráveis aos estudantes, como as da Folha, pecam por um tratamento superficial dos fatos. Precisariam ouvir mais quem está lá dentro e não tem ideias fechadas. O resumo da situação que fiz no post não se encontra em nenhum jornal.
Enfim, o ocorrido de terça despertou em mim a necessidade de atuar mais firme e fortemente no assunto do Movimento Estudantil. Por mais que esteja indicado que vou quebrar a cara, pretendo fazer o debate ressurgir civilizadamente dentro, ao menos, de meu curso. Espero que dessa terça saiam produtos, não apenas reações – algumas muito justas, por sinal – contra desmandos policiais.
Abraço!
Sou estudante de Letras da UFRJ e cheguei a seu post por um link na comunidade.
Acho que o episódio serve para repensarmos a postura do ME não só na USP, mas em todo o Brasil. Ainda que por aqui as coisas não tenham chegado a esse ponto, a polarização estudantes-professores, no caso de questões referentes a implementação de um curso noturno, e estudantes-reitoria, quanto ao Reuni, têm chegado a níveis preocupantes, mesmo para os que se mantém afastados do turbilhão.
É complicado, no entanto criticar os CA’s enquanto ao menos eles tentam promover alguma postura crítica ao passo que muitos querem se manter alienados e pensar apenas em saídas e bebedeiras.
Acho que antes temos que conseguir reverter ou minimizar essa polarização interna, estudantes-estudantes.
(pode ser que eu não tenha falado nada muito coerente, mas essa é a minha opinião)
abraço =)
Ótimo texto. Tal qual a Roberta, não sou aluno da USP. Sou aluno de filosofia da UFPR e funcionário público da educação no estado do Paraná.
Sem querer ser pedante, nem chato nem nada, eu sinceramente não tenho opinião sobre o assunto. Os movimentos sociais neste país me parecem atrelados ainda ao discurso da época da ditadura e vinculados a ideologias bem mortinhas e enterradas. Com certeza há aqueles dispostos ao discurso coerente, mas, você já deve ter percebido, somente outras pessoas com discurso coerente parecem concordar, ou sequer ouvir.
A mídia formadora de opinião sempre será favorável ao estado, portanto a maioria da população sempre estupidamente pensará que universitários são vagabundos e provavelmente mereceram. A polícia é meramente um sintoma deste tipo de pensamento, que por sua vez, é um sintoma da ignorância endêmica do povo em geral.
Então, a alternativa é ser apático? Não sei, mas por hora esse será meu modus operandi, porque não me sinto nem um pouco motivado a gastar minha saliva com os xiitas do ME. Pretendo dar a minha resposta quando estiver em sala de aula, ensinando que filosofia pode ser construir consciência ética e – quem sabe – se eu conseguir mudar a cabeça de alguns já terei feito alguma diferença.
Espero.
Oi Vinicius, sou estudante do 2º de Letras e, o que é bastante difícil, sobretudo nas assembléias dos alunos, senti-me bastante representada pelo que você escreveu. Infelizmente, não tenho mais paciência para ‘lutar’ contra o que está aí, prefiro dedicar meu tempo aos estudos, o que acho que é a posição da maioria das pessoas que não vê com bons olhos esse ME. O que aconteceu foi uma barbárie, muito, muito triste. Evidenciou a total inépcia da reitora que é incapaz de construir um diálogo decente com a comunidade, mas também, o extremismo desse ME, que definitivamente, não me representa como discente da USP.
Parabéns pelo artigo.
Helena.
[...] Vinicius Justo [pt] sostiene che sia il momento di reagire e invita a prendere l’iniziativa: Se enganam aqueles que dizem que foi algo “justo”. Não pode ser justo uma força da polícia perseguir pessoas por 500 metros adentro da universidade. Não pode ser justo todos os policiais presentes estarem sem a devida identificação. Não pode ser justo o comandante da polícia dizer que interviu porque policiais “tinham sido feito reféns”. Com quem este homem está brincando? É assim que ele pretende se sair da acusação de força desproporcional? É assim que pedem para que confiemos na polícia? Não é mais possível permanecer neutro, como eu disse acima. É preciso mostrar que não se pode tratar deste modo pessoas que protestam pacificamente contra um governo que impõe decisões, abstém-se do diálogo e pretende garantir o monopólio da razão. Havia os manifestantes que buscavam confronto direto com a polícia? Claro que havia. Estes são uma minoria. E não devem servir de base para fazer centenas de pessoas de bem passarem momentos de medo. Os vídeos estão na internet. Sbagliano quanti sostengono che l’intervento sia stato “giusto”. Non può essere giusto che una plotone di polizia bracchi per 500 metri delle persone all’interno del perimetro universitario. Non può essere giusto che i poliziotti entrino in azione senza opportuna identificazione. Non può essere giusto che il comandante della polizia affermi che si è intervenuti perché i poliziotti “erano tenuti in ostaggio”. A che gioco sta giocando? È così che vuole difendersi dall’accusa di uso sproporzionato della forza? E noi dovremmo fidarci della polizia? Ribadisco, non è più possibile rimanere neutrali. Dobbiamo far capire loro che non possono trattare così delle persone che stavano manifestando pacificamente contro un governo che impone i propri provvedimenti in tal modo, che si rifiuta di instaurare il dialogo e vuole arrogarsi tutta la ragione. Alcuni dimostranti hanno cercato lo scontro diretto con la polizia? Certo. Ma erano una minoranza. E ciò non dovrebbe legittimare il far vivere a centinaia di persone momenti di terrore. I filmati sono su internet. [...]
[...] Vinicius Justo faz um retrospecto dos acontecimentos e conclui: Se enganam aqueles que dizem que foi algo “justo”. Não pode ser justo uma força da polícia perseguir pessoas por 500 metros adentro da universidade. Não pode ser justo todos os policiais presentes estarem sem a devida identificação. Não pode ser justo o comandante da polícia dizer que interviu porque policiais “tinham sido feito reféns”. Com quem este homem está brincando? É assim que ele pretende se sair da acusação de força desproporcional? É assim que pedem para que confiemos na polícia? [...]
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