Meu post anterior
Postado em January 5, 2009
Categoria Relances | 3 comentários
Meu post anterior é filho do ócio e do descaso, para não dizer filho também do plágio, numa orgia capitaneada por algo semelhante a este texto aqui, verdadeiro pai espiritual do meu. Não adianta: há dezenas de modos de se elogiar ou criticar algo, mas a maioria é mera repetição de uns quatro ou cinco modelos prontos. O que diferencia tudo é o estilo. Claro que o meu poema é mais discursivo e, pior que tudo para um concretista hard core dos anos 50, é feito em versos. Afinal, poema em versos, onde já se viu negócio desses?
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Li Memória de elefante do Lobo Antunes nos primeiros dias do ano. Podia bem se chamar Tromba de elefante; o portuga é um verdadeiro obcecado sexual. Em menos de duzentas páginas há pelo menos seiscentas alusões, alegorias, metáforas, disposições gramaticais, vírgulas que fazem referência a sexo – muito embora cena de sexo mesmo só existam duas, ambas em flashback (para de pensar e faz, cara!, nem que seja virtual. Como diz o Diego, quem pensa e não age engendra a peste, apud Blake, um dos caras mais malucos destas bandas). Para piorar, o livro seguinte dele se chama Os cus de Judas, veja só. E para piorar ainda mais, para piorar ainda mais, vou ler. Se seguir no mesmo ritmo vou dizer o seguinte aos fãs de Lobo Antunes: ok, o estilo dele é legal, se calhar não diz as mesmas bobagens que diz o Saramago, mas sou muito mais o velho pirado comunista, olha só.
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Não que eu seja contra sexo em livros, ora essa. Minha precária educação sentimental baseou-se no que eu podia apreender dos livros que tinha ao meu alcance naquela idade mais, por assim dizer, animada da vida de uma criança. Mas a impressão que dá é que Lobo Antunes faz de tudo para mostrar que não chegou à idade do lobo, mas que ainda está na idade do macaco. Trocadilho com referência a piada infame à parte, fiquem com um trechinho:
“Uma espanhola sumptuosa roçou por ele a nádega magnífica, almofada bordada para mais felizes cabeças(…)”
Será que em Portugal “nádega magnífica” soa tão engraçado quanto aqui? Deve ser a falta de costume com proparoxítonas. É. Deve ser.
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Para falar a verdade, eu gostei um pouquinho do Lobo Antunes. Mas o velho comunista, olha, esse eu compro; já o Toninho, leio na biblioteca.
Fiz leitura dinâmica do post anterior, não me interessei, passou batido. Já este aqui desde a primeira linha captou a benevolência do leitor. Porque, justamente, o outro era, de cara, mais uma sagacidadezinha pseudo-rabugenta-wanna-be-cool; enquanto este é “something else” – qualquer coisa “in earnest”. (Peço excusados sejam meus estrangeirismos, apenas tenho lido em inglês.)
Ah, sim, nunca li Lobo Antunes.
Falow.
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