Poesia concreta é preguiça

Postado em January 4, 2009
Categoria Relances | 2 comentários

Quando eu tinha uns dezesseis anos – nem faz tanto tempo – meu professor de literatura embarcou em mostrar aos alunos uma espécie de história concisa da literatura nacional, e é claro: quando chegou no concretismo, todo entusiasmado, mostrou os poemas e suas versões animadas no computador. Eu já devia ter visto algum poema concreto em algum livro didático antes, mas talvez não tenha associado as imagens à palavra poema; talvez seja a memória que me trai. Bom, a memória mais antiga que tenho da poesia concreta é afirmar ao meu tão querido amor daqueles tempos, sentada ao meu lado, que “aquilo não era poesia”, “qualquer retardado faz aquilo”, e fazia pose de intelectual para impressioná-la. Eu gostava de Castro Alves e Drummond e me sentia ofendido com a poesia concreta.

Hoje percebo como eu era infantil, e não por gostar de Castro Alves. Não há motivo para ofensa, ora essa. Não no sentido que dou hoje à palavra – uma crueldade feita sob medida para ferir os bagos. Não, a poesia concreta não é uma ofensa. A poesia concreta é, pura e simplesmente, preguiça. Não é um tipo particular de preguiça, mas toda a preguiça possível em sua forma geral, A Preguiça. É a preguiça feita linguagem.

É como quando temos preguiça de trabalhar, ganhar dinheiro e investir no mercado imobiliário para ajudar a enterrar o liberalismo (ouviu, Paul Krugman?) – e resolvemos sentar com os amigos para uma partida de Banco Imobiliário; finalmente teremos um hotel na Faria Lima. É como ter preguiça de fazer o café da manhã, e então comer Sucrilhos, com ou sem leite. É como ter preguiça de ir ao cinema, e esperar meses para pedir o DVD do filme pelo telefone ou pela internet. É preguiça de ler um livro grande. É preguiça de jogar frescobol na praia. É a preguiça em estado puro.

Uma ideia que me passou pela cabeça: ao invés de promover saraus, os poetas concretistas deveriam ensinar a fazer poemas concretos em oficinas de todos os tipos: regiamente pagas, sem fins lucrativos, para salvar a Amazônia e os índios. “Ensino de poemas concretos”, com ou sem mensalidade dos alunos – cabe à razão social de cada empresa definir. Ninguém há de negar o seguinte: assistir televisão é um prazer reles; se alguns entre os que agora assistem o Domingão do Faustão gastassem seu tempo livre fazendo poemas concretos (em quaisquer ortografias), não há duvida: haveria o maior salto no enriquecimento vocabular do cidadão comum desde a invenção das palavras-cruzadas, do caça-palavras. Fazer poesia concreta é melhor passatempo que álbum de figurinhas.

Dou aqui minha primeira contribuição ao que Harold, August e Mr. DP considerariam o salto democrático do concretismo: seremos a sociedade dos poetas.

***

DES-CASO INSA-LUBRE

não RESpeite
……SUSpeite de quem diz
“há” saúde para todos
………..PEITE…..quem diz
que é tudo a mesma coisa

***

Os pontos estão aí pois o blog impede diagramações ousadas e inventivas.

Comentários

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2 Comentários »

nara
2009-09-15 09:26:27

doideraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa ou
makeraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

 
nara
2009-09-15 09:27:18

fala serioo isso e bestera preguisa so se fo tua mae

 
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