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	<title>Comments on: Pirlimpsiquice, de João Guimarães Rosa</title>
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	<description>Reflexões sobre Literatura e outras Artes</description>
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		<title>By: Law</title>
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		<dc:creator>Law</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 17:04:36 +0000</pubDate>
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		<description>&lt;strong&gt;Law...&lt;/strong&gt;

Pirlimpsiquice, de João Guimarães Rosa &#124; Relances...</description>
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<p>Pirlimpsiquice, de João Guimarães Rosa | Relances&#8230;</p>
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		<title>By: escorte</title>
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		<dc:creator>escorte</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 23:17:15 +0000</pubDate>
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		<title>By: Precious Kuchera</title>
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		<dc:creator>Precious Kuchera</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 12:41:10 +0000</pubDate>
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		<content:encoded><![CDATA[<p>1st time I&#8217;ve v isited your blog?beneficial find! Thanks.</p>
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		<title>By: Carlos Soares</title>
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		<dc:creator>Carlos Soares</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 13:41:08 +0000</pubDate>
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		<description>Aqui se inventa muitas estórias, principalmente as que aconteceram.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui se inventa muitas estórias, principalmente as que aconteceram.</p>
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		<title>By: Emmanuel</title>
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		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 16:43:21 +0000</pubDate>
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		<description>Lorena,

Deve-se levar em consideração que as minhas primeiras leituras de Clarice datam dos doze anos de idade, quando eu não tinha nenhum problema em conciliá-las com a leitura dos livros de Paulo Coelho, com &quot;O senhor dos anéis&quot; ou vários outros textos de literatura comercial. O critério da minha afinidade, a essa época, era puramente pessoal: ia de acordo com a minha concordância ou discordância com aquilo o que o autor queria dizer (ou com aquilo o que eu achava que ele estava querendo dizer), ideologicamente falando.

No entanto, o que me fez, anos mais tarde, retomar Clarice percebendo que nela havia algo de mais profundo do que num Paulo Coelho, por exemplo? Bom, nessa época eu já escrevia e tinha uma consciência maior do que era um texto literário digno do nome e o que era puro entretenimento, além de já ter ampliado bastante a minha carga de leitura de literatura &quot;de qualidade&quot;. Eu já ficava alucinado na experimentação formal da Clarice, eu pensava: &quot;nossa, ninguém mais escreve desse jeito!&quot;.

É claro que uma das coisas que me interessou na Clarice foram os &quot;processos emocionais reconstruídos [ou inventados] lingüisticamente&quot;, mas não só isso. Aliás, a tal reconstrução já é parte do estrato formal da obra. Mas isso não me faz pensar que só seja possível ler Clarice a partir da consideração dessa reconstrução, assim como tenho consciência de que essa é uma leitura bem mais interessante em Clarice do que para outros autores, sem que isso implique numa comparação de valor entre eles. Gosto de Clarice, mas gosto, sobretudo, de João Cabral.

Refletindo ultimamente, hoje chego a discordar um pouco do meu comentário anterior. Acho que o que eu chamei de &quot;sentimento formal&quot;, que poderia facilmente ser chamado também de &quot;intuição formal&quot;, não faz jus ao trabalho de Clarice. Penso que seria impossível que Clarice tenha chegado aos resultados que chegou sem um nível elevado de consciência formal, amparado numa intuição notável. Não acho que ela tenha chegado a algo como &quot;A quinta história&quot; ou &quot;A imitação da Rosa&quot; por vias puramente intuitivas. Acho só que ela tinha uma consciência mais fluida do que o normal.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lorena,</p>
<p>Deve-se levar em consideração que as minhas primeiras leituras de Clarice datam dos doze anos de idade, quando eu não tinha nenhum problema em conciliá-las com a leitura dos livros de Paulo Coelho, com &#8220;O senhor dos anéis&#8221; ou vários outros textos de literatura comercial. O critério da minha afinidade, a essa época, era puramente pessoal: ia de acordo com a minha concordância ou discordância com aquilo o que o autor queria dizer (ou com aquilo o que eu achava que ele estava querendo dizer), ideologicamente falando.</p>
<p>No entanto, o que me fez, anos mais tarde, retomar Clarice percebendo que nela havia algo de mais profundo do que num Paulo Coelho, por exemplo? Bom, nessa época eu já escrevia e tinha uma consciência maior do que era um texto literário digno do nome e o que era puro entretenimento, além de já ter ampliado bastante a minha carga de leitura de literatura &#8220;de qualidade&#8221;. Eu já ficava alucinado na experimentação formal da Clarice, eu pensava: &#8220;nossa, ninguém mais escreve desse jeito!&#8221;.</p>
<p>É claro que uma das coisas que me interessou na Clarice foram os &#8220;processos emocionais reconstruídos [ou inventados] lingüisticamente&#8221;, mas não só isso. Aliás, a tal reconstrução já é parte do estrato formal da obra. Mas isso não me faz pensar que só seja possível ler Clarice a partir da consideração dessa reconstrução, assim como tenho consciência de que essa é uma leitura bem mais interessante em Clarice do que para outros autores, sem que isso implique numa comparação de valor entre eles. Gosto de Clarice, mas gosto, sobretudo, de João Cabral.</p>
<p>Refletindo ultimamente, hoje chego a discordar um pouco do meu comentário anterior. Acho que o que eu chamei de &#8220;sentimento formal&#8221;, que poderia facilmente ser chamado também de &#8220;intuição formal&#8221;, não faz jus ao trabalho de Clarice. Penso que seria impossível que Clarice tenha chegado aos resultados que chegou sem um nível elevado de consciência formal, amparado numa intuição notável. Não acho que ela tenha chegado a algo como &#8220;A quinta história&#8221; ou &#8220;A imitação da Rosa&#8221; por vias puramente intuitivas. Acho só que ela tinha uma consciência mais fluida do que o normal.</p>
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		<title>By: Marlon</title>
		<link>http://breviario.org/relances/2008/09/22/pirlimpsiquice-de-joao-guimaraes-rosa/comment-page-1/#comment-40</link>
		<dc:creator>Marlon</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2008 19:48:17 +0000</pubDate>
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		<description>Bom, não querendo enfiar a colher no meio da briga, queria falar sobre o post do Vinícius.

De fato, confesso, entendi pouco da sua análise. O parágrafo essencial me parece ser esse:

&quot;Mas qual é o motivo para o narrador desfazer esse laço telúrico entre o mundo de ficção e a realidade? O narrador do conto precisa romper a temporária comunhão entre ficção e realidade, devido ao risco de igualá-las e enfraquecê-las: a realidade tornada ficção perderia seu poder de vivência experiencial e a ficção tornada realidade perderia seu impulso criativo.&quot;

Vejo no conto o contrário. Após o momento que o narrador não se lembra dos versos que vão iniciar a peça, a peça desanda de seu texto original. A separação ficção-realidade está residindo nessa falta de comunhão entre os atores (a realidade) e o texto original da peça (ficção).

Quando você diz que a comunhão entre ficção e realidade dá o risco de enfraquecê-las, vejo o contrário. No conto, é somente com a naturalidade do &quot;impulso criativo&quot; dos atores (que não mais precisam obedecer à uma ficção já pronta e distante deles) que se cria a comunhão ficção-realidade. Isso você percebeu quando disse que há uma &quot;temporária comunhão entre ficção e realidade&quot;. Eu não entendi foi porque você acha que há a necessidade de rompê-la e, mais, porque essa comunhão enfraquece as duas partes.

Se é que me fiz entender.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bom, não querendo enfiar a colher no meio da briga, queria falar sobre o post do Vinícius.</p>
<p>De fato, confesso, entendi pouco da sua análise. O parágrafo essencial me parece ser esse:</p>
<p>&#8220;Mas qual é o motivo para o narrador desfazer esse laço telúrico entre o mundo de ficção e a realidade? O narrador do conto precisa romper a temporária comunhão entre ficção e realidade, devido ao risco de igualá-las e enfraquecê-las: a realidade tornada ficção perderia seu poder de vivência experiencial e a ficção tornada realidade perderia seu impulso criativo.&#8221;</p>
<p>Vejo no conto o contrário. Após o momento que o narrador não se lembra dos versos que vão iniciar a peça, a peça desanda de seu texto original. A separação ficção-realidade está residindo nessa falta de comunhão entre os atores (a realidade) e o texto original da peça (ficção).</p>
<p>Quando você diz que a comunhão entre ficção e realidade dá o risco de enfraquecê-las, vejo o contrário. No conto, é somente com a naturalidade do &#8220;impulso criativo&#8221; dos atores (que não mais precisam obedecer à uma ficção já pronta e distante deles) que se cria a comunhão ficção-realidade. Isso você percebeu quando disse que há uma &#8220;temporária comunhão entre ficção e realidade&#8221;. Eu não entendi foi porque você acha que há a necessidade de rompê-la e, mais, porque essa comunhão enfraquece as duas partes.</p>
<p>Se é que me fiz entender.</p>
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		<title>By: Lorena</title>
		<link>http://breviario.org/relances/2008/09/22/pirlimpsiquice-de-joao-guimaraes-rosa/comment-page-1/#comment-39</link>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 02:00:12 +0000</pubDate>
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		<description>O Emmanuel mór-reu.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O Emmanuel mór-reu.</p>
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		<title>By: Lorena</title>
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		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 01:36:14 +0000</pubDate>
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		<description>Agora diga, Emmanuel: se você jamais tivesse tido - subjetivamente, é óbvio - contato com os processos emocionais reconstruídos lingüisticamente pela Clarice, a obra dela significaria o mesmo tanto?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Agora diga, Emmanuel: se você jamais tivesse tido &#8211; subjetivamente, é óbvio &#8211; contato com os processos emocionais reconstruídos lingüisticamente pela Clarice, a obra dela significaria o mesmo tanto?</p>
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		<title>By: Emmanuel Santiago</title>
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		<dc:creator>Emmanuel Santiago</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 20:03:20 +0000</pubDate>
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		<description>Bom, não querendo enfiar a colher no meio da briga, aí vão algumas opiniões minhas sobre Clarice Lispector que é, certamente, a minha autora favorita em prosa.

Acho que há dois aspectos interessantes em Clarice; quer dizer, são dois os aspectos que me interessam particularmente. O primeiro deles é a capacidade dela em verbalizar algumas impressões que nós (pelo menos eu) vagamente pressentimos. Fico de boca aberta e digo: &quot;sim, eu sei exatamente o que está querendo dizer; já senti isso também&quot;. É uma capacidade rara de verbalizar o não-verbal, o devaneio mais efêmero e mesmo o arrepio... Dizendo de modo a puxar o próximo ponto, é uma capacidade de dar forma ao informe. Sei que essas coisas já foram ditas com maior ou menor justiça com relação a outros milhares de escritores. No caso de Clarice, é algo absolutamente justo.

O outro ponto que me interessa na Clarice é o sentimento formal, que é algo, imagino eu, diferente de uma consciência formal, cujo exemplo mais óbvio na literatura brasileira seria João Cabral. Clarice não se furta ao trabalho formal, ao contrário: ela experimenta, explora várias possibilidades formais, está sempre jogando com a forma. Veja o caso do conto &quot;A quinta história&quot;.

Se às vezes a forma parece fugidia, é porque o conteúdo necessita que assim o seja. Clarice reescrevia obsessivamente os seus textos, menos para acrescentar ou subtrair idéias do que para adequá-lo a uma forma que ela não sabia exatamente qual era, mas a perseguia, sentindo que essa era a forma necessária para o texto. Depois de publicado, no entanto, Clarice nunca mais voltava ao texto; sentia que todo o trabalho já tinha sido feito. Clarice tinha uma extrordinária sensibilidade formal.

Essa questão de encontrar o que é &quot;necessário&quot; para o texto, de chegar àquela sensação de que o texto só poderia ter sido escrito de tal forma e não de outra, é uma via de mão dupla. Depende das intenções do autor, isso é óbvio, mas depende também das necessidades imanentes do próprio conteúdo, daquelas expectativas que o próprio conteúdo, por questões rítmicas, semânticas, estruturais, etc., gera.

O bom artista é, no final das contas, não aquele que consegue concretizar as suas intenções em obra, mas aquele que consegue realizar as necessidades imanentes do conteúdo. Clarice, se não tivesse um profundo sentimento formal, não seria nada mais do que mais um escritor confessional, entre tantos.

No meu ponto de vista, há dois caminhos possíveis para realizar as necessidades da obra: uma via mais intuitiva, como é o caso de Clarice, de perseguir intuitivamente uma forma adequada ao conteúdo; e uma via mais racional, de descobrir intelectualmente a forma mais adequada. Ambas são válidas e, no caso de alguns autores, como Drummond, são até mesmo complementares.

Não vejo, ademais, como não seja possível uma leitura racionalista de Clarice, contanto que não se tente racionalizar a obra de Clarice. Freud fez uma teoria racional dos conteúdos inconscientes da psiquê humana. Nenhuma obra literária pode ser menos racional que tal conteúdo, porque já pressupõe a linguagem, que, por trazer um conteúdo semântico mais ou menos determinado, corresponde a uma espécie de racionalização, pois a linguagem é, em grande medida, pensamento abstrato - diferente do devaneio e da imaginação (o &quot;pensar imagens&quot;). Ou será a arte mais irracional que o próprio irracional? Se é possível teorizar sobre o irracional, não há arte sobre a qual não se possa teorizar.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bom, não querendo enfiar a colher no meio da briga, aí vão algumas opiniões minhas sobre Clarice Lispector que é, certamente, a minha autora favorita em prosa.</p>
<p>Acho que há dois aspectos interessantes em Clarice; quer dizer, são dois os aspectos que me interessam particularmente. O primeiro deles é a capacidade dela em verbalizar algumas impressões que nós (pelo menos eu) vagamente pressentimos. Fico de boca aberta e digo: &#8220;sim, eu sei exatamente o que está querendo dizer; já senti isso também&#8221;. É uma capacidade rara de verbalizar o não-verbal, o devaneio mais efêmero e mesmo o arrepio&#8230; Dizendo de modo a puxar o próximo ponto, é uma capacidade de dar forma ao informe. Sei que essas coisas já foram ditas com maior ou menor justiça com relação a outros milhares de escritores. No caso de Clarice, é algo absolutamente justo.</p>
<p>O outro ponto que me interessa na Clarice é o sentimento formal, que é algo, imagino eu, diferente de uma consciência formal, cujo exemplo mais óbvio na literatura brasileira seria João Cabral. Clarice não se furta ao trabalho formal, ao contrário: ela experimenta, explora várias possibilidades formais, está sempre jogando com a forma. Veja o caso do conto &#8220;A quinta história&#8221;.</p>
<p>Se às vezes a forma parece fugidia, é porque o conteúdo necessita que assim o seja. Clarice reescrevia obsessivamente os seus textos, menos para acrescentar ou subtrair idéias do que para adequá-lo a uma forma que ela não sabia exatamente qual era, mas a perseguia, sentindo que essa era a forma necessária para o texto. Depois de publicado, no entanto, Clarice nunca mais voltava ao texto; sentia que todo o trabalho já tinha sido feito. Clarice tinha uma extrordinária sensibilidade formal.</p>
<p>Essa questão de encontrar o que é &#8220;necessário&#8221; para o texto, de chegar àquela sensação de que o texto só poderia ter sido escrito de tal forma e não de outra, é uma via de mão dupla. Depende das intenções do autor, isso é óbvio, mas depende também das necessidades imanentes do próprio conteúdo, daquelas expectativas que o próprio conteúdo, por questões rítmicas, semânticas, estruturais, etc., gera.</p>
<p>O bom artista é, no final das contas, não aquele que consegue concretizar as suas intenções em obra, mas aquele que consegue realizar as necessidades imanentes do conteúdo. Clarice, se não tivesse um profundo sentimento formal, não seria nada mais do que mais um escritor confessional, entre tantos.</p>
<p>No meu ponto de vista, há dois caminhos possíveis para realizar as necessidades da obra: uma via mais intuitiva, como é o caso de Clarice, de perseguir intuitivamente uma forma adequada ao conteúdo; e uma via mais racional, de descobrir intelectualmente a forma mais adequada. Ambas são válidas e, no caso de alguns autores, como Drummond, são até mesmo complementares.</p>
<p>Não vejo, ademais, como não seja possível uma leitura racionalista de Clarice, contanto que não se tente racionalizar a obra de Clarice. Freud fez uma teoria racional dos conteúdos inconscientes da psiquê humana. Nenhuma obra literária pode ser menos racional que tal conteúdo, porque já pressupõe a linguagem, que, por trazer um conteúdo semântico mais ou menos determinado, corresponde a uma espécie de racionalização, pois a linguagem é, em grande medida, pensamento abstrato &#8211; diferente do devaneio e da imaginação (o &#8220;pensar imagens&#8221;). Ou será a arte mais irracional que o próprio irracional? Se é possível teorizar sobre o irracional, não há arte sobre a qual não se possa teorizar.</p>
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		<title>By: Vinícius</title>
		<link>http://breviario.org/relances/2008/09/22/pirlimpsiquice-de-joao-guimaraes-rosa/comment-page-1/#comment-36</link>
		<dc:creator>Vinícius</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 23:08:15 +0000</pubDate>
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		<description>O Fabiano não vai gostar de saber disso.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O Fabiano não vai gostar de saber disso.</p>
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