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	<title>Ptyx &#187; soneto</title>
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		<title>Soneto idílico</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 22:24:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[As ninfas que viviam aos sorrisos, cantando pelos bosques, de alegria, estrangulei-as todas e o faria mais uma vez, se assim fosse preciso. Uma a uma, num sádico rodízio de carnes inda trêmulas, e frias; e depois pratiquei necrofilia, tudo em honra e louvor a Dioniso! As ninfas sifilíticas, tais pragas, devorei-as prostrado em reverência, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As ninfas que viviam aos sorrisos,<br />
cantando pelos bosques, de alegria,<br />
estrangulei-as todas e o faria<br />
mais uma vez, se assim fosse preciso.</p>
<p>Uma a uma, num sádico rodízio<br />
de carnes inda trêmulas, e frias;<br />
e depois pratiquei necrofilia,<br />
tudo em honra e louvor a Dioniso!</p>
<p>As ninfas sifilíticas, tais pragas,<br />
devorei-as prostrado em reverência,<br />
primeiro o curanchim, depois as nádegas,</p>
<p>agradecendo aos deuses pela bênção<br />
de sorver este néctar que embriaga,<br />
este mênstruo infestado de doenças.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto branco</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 20:07:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Queria o meu soneto da cor branca, todo branco, que nunca fosse negro, pois o negro é profundo, cheio de ecos e coisas das quais só se sente o cheiro. O branco não. O branco é superfície e silêncio, o suspense de um relâmpago retido na espessura de um espelho. Branco é a cor das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queria o meu soneto da cor branca,<br />
todo branco, que nunca fosse negro,<br />
pois o negro é profundo, cheio de ecos<br />
e coisas das quais só se sente o cheiro.</p>
<p>O branco não. O branco é superfície<br />
e silêncio, o suspense de um relâmpago<br />
retido na espessura de um espelho.<br />
Branco é a cor das coisas sem conceito.</p>
<p>Não o branco solúvel, cor de gelo,<br />
nem o branco volátil, cor de espuma,<br />
ou o branco dourado do ouro branco;</p>
<p>quero um branco absoluto, branco abstrato,<br />
o mais puro, o mais claro — mas sem brilho:<br />
quadrado branco sobre fundo branco.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto bossa nova</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jul 2008 19:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Não conhecia o mar, mas já ouvia por detrás das montanhas lá de Minas a voz, o violão e a disciplina de um certo João, vindo da Bahia, que tantas coisas novas descrevia: a beleza sem culpa das meninas, as praias que o sol nítido ilumina, a voz, o violão e a poesia. Lá de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não conhecia o mar, mas já ouvia<br />
por detrás das montanhas lá de Minas<br />
a voz, o violão e a disciplina<br />
de um certo João, vindo da Bahia,</p>
<p>que tantas coisas novas descrevia:<br />
a beleza sem culpa das meninas,<br />
as praias que o sol nítido ilumina,<br />
a voz, o violão e a poesia.</p>
<p>Lá de Minas, eu via o Corcovado<br />
e aprendia novíssimas tristezas,<br />
um tênue desespero delicado.</p>
<p>E o que mais me ensinou João Gilberto?<br />
Um rigor conjugado com leveza<br />
que põe este soneto a descoberto.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto sem assunto</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jul 2008 21:08:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrevendo um soneto às dez e meia da noite, este soneto que é sem tema feito um ovo que é só casca, sem gema; um soneto sem sangue, só de veias. Como quem resolvesse um teorema construindo um objeto sem matéria prima, faço um soneto sem idéias. Será que este soneto é um poema? Não, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevendo um soneto às dez e meia<br />
da noite, este soneto que é sem tema<br />
feito um ovo que é só casca, sem gema;<br />
um soneto sem sangue, só de veias.</p>
<p>Como quem resolvesse um teorema<br />
construindo um objeto sem matéria<br />
prima, faço um soneto sem idéias.<br />
Será que este soneto é um poema?</p>
<p>Não, pois como Aristóteles dizia:<br />
&#8220;Por ser escrito em versos um tratado,<br />
havemos de chamá-lo poesia?&#8221;.</p>
<p>Pirotecnia pura! Mas, agora,<br />
que o soneto está quase terminado,<br />
o relógio registra: duas horas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto piedoso</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Dec 2007 19:03:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Penso num Jesus pregado na cruz, talhado bem com cuidados de arte e um pano vermelho cobrindo as partes pouquíssimas vezes postas à luz. Penso num Jesus na cruz: Ó Jesus, teu coração tão santo é um enfarte! Teu corpo na cruz foi o estandarte com manchas de sangue e bolhas de pus! Deixou-te o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Penso num Jesus pregado na cruz,<br />
talhado bem com cuidados de arte<br />
e um pano vermelho cobrindo as partes<br />
pouquíssimas vezes postas à luz.</p>
<p>Penso num Jesus na cruz: Ó Jesus,<br />
teu coração tão santo é um enfarte!<br />
Teu corpo na cruz foi o estandarte<br />
com manchas de sangue e bolhas de pus!</p>
<p>Deixou-te o Pai, morres órfão, sozinho,<br />
a fronte rasgada pelos espinhos<br />
e o corpo desfeito entre tantas chagas.</p>
<p>Que pena de ti (cadáver, menino?),<br />
esculpido em teu caráter divino,<br />
não te coças, não fodes e não cagas. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto caixa de música</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Oct 2007 20:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[A bela bailarina perolada, que dança delicada na neblina, salta sobre a calçada e desatina; num só gesto, ilumina a madrugada. Nas trevas entreabertas de uma esquina, cria asas cristalinas, uma fada; a leve bailarina alienada na luz calcificada da retina. Num flexível floreio, ela flutua sobre as pedras da rua e do passeio, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A bela bailarina perolada,<br />
que dança delicada na neblina,<br />
salta sobre a calçada e desatina;<br />
num só gesto, ilumina a madrugada.</p>
<p>Nas trevas entreabertas de uma esquina,<br />
cria asas cristalinas, uma fada;<br />
a leve bailarina alienada<br />
na luz calcificada da retina.</p>
<p>Num flexível floreio, ela flutua<br />
sobre as pedras da rua e do passeio,<br />
e tira o sono alheio: fica nua.</p>
<p>Luz volátil, a lua de entremeio<br />
desfaz-se em devaneios, desvirtua&#8230;<br />
A bailarina nua mostra os seios.</p>
<p>P.S.: Menção honrosa no Concurso de Poesia Mário Quintana de Bauru, edição 2007.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O objeto soneto</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Oct 2007 22:41:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[A princípio, teremos dois quartetos no começo da página, por cima, e depois: dois tercetos, cinco rimas, chave de ouro, fechando este soneto que o poeta, em trabalho de arquiteto, organiza, constrói, refaz e lima, perseguindo com custo a obra-prima, e eis os quatorze versos: que perfeitos! Na métrica, persistem as cesuras, que o bom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A princípio, teremos dois quartetos<br />
no começo da página, por cima,<br />
e depois: dois tercetos, cinco rimas,<br />
chave de ouro, fechando este soneto</p>
<p>que o poeta, em trabalho de arquiteto,<br />
organiza, constrói, refaz e lima,<br />
perseguindo com custo a obra-prima,<br />
e eis os quatorze versos: que perfeitos!</p>
<p>Na métrica, persistem as cesuras,<br />
que o bom soneto é feito uma costura,<br />
decassílabo ou mesmo alexandrino.</p>
<p>Pronto para dobrar, conforme um sino,<br />
o bom soneto, sendo genuíno,<br />
é um tipo introspectivo de escultura.</p>
<p>P.S.: Este mesmo poema, com o nome de &#8220;Soneto-modelo&#8221;, recebeu uma discreta menção honrosa no XVI Concurso de Poesia Mountoneé, da cidade de Salto/SP.</p>
]]></content:encoded>
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