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	<title>Ptyx &#187; metalinguagem</title>
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		<title>Poema bonsai</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Sep 2008 18:18:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Podo o poema pensando num bon sai, penso-o crescendo dentro do tempo (mas não no espaço) como processo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Podo o poema<br />
pensando num bon<br />
sai, penso-o crescendo<br />
dentro do tempo (mas não<br />
no espaço) como processo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto branco</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 20:07:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Queria o meu soneto da cor branca, todo branco, que nunca fosse negro, pois o negro é profundo, cheio de ecos e coisas das quais só se sente o cheiro. O branco não. O branco é superfície e silêncio, o suspense de um relâmpago retido na espessura de um espelho. Branco é a cor das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queria o meu soneto da cor branca,<br />
todo branco, que nunca fosse negro,<br />
pois o negro é profundo, cheio de ecos<br />
e coisas das quais só se sente o cheiro.</p>
<p>O branco não. O branco é superfície<br />
e silêncio, o suspense de um relâmpago<br />
retido na espessura de um espelho.<br />
Branco é a cor das coisas sem conceito.</p>
<p>Não o branco solúvel, cor de gelo,<br />
nem o branco volátil, cor de espuma,<br />
ou o branco dourado do ouro branco;</p>
<p>quero um branco absoluto, branco abstrato,<br />
o mais puro, o mais claro — mas sem brilho:<br />
quadrado branco sobre fundo branco.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Furor parnasiano</title>
		<link>http://breviario.org/ptyx/2008/06/04/furor-parnasiano/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 17:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sou a Musa Impassível, a Virgem de amianto impermeável ao sôfrego fogo das tuas entranhas. Dos meus seios, jorram cascatas de mármore, arquiteturas, estátuas de antigos deuses mutilados, mas nenhuma gota que aplaque a súplica dos teus lábios ávidos. Contra um cinto de castidade forjado no bronze, a frio, os teus dedos se deflagram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou a Musa Impassível,<br />
a Virgem de amianto<br />
impermeável ao sôfrego<br />
fogo das tuas entranhas.</p>
<p>Dos meus seios, jorram<br />
cascatas de mármore,<br />
arquiteturas, estátuas<br />
de antigos deuses<br />
mutilados, mas<br />
nenhuma gota<br />
que aplaque a súplica<br />
dos teus lábios ávidos.</p>
<p>Contra um cinto de castidade<br />
forjado no bronze, a frio,<br />
os teus dedos se deflagram<br />
no meu corpo seminu;<br />
é inútil! Trouxeste<br />
a chave (de ouro)?</p>
<p>Eu, a Musa Impassível,<br />
estéril e etérea, um frígido<br />
Moloch; nas minhas coxas,<br />
o poema é um coito sem gozo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dueto com João Cabral</title>
		<link>http://breviario.org/ptyx/2008/05/16/dueto-com-joao-cabral/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 May 2008 17:56:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[A concretude do cantar se comprova na procura da palavra-coisa, na concisão da coisa em si que se resume a seu resumo, a seu sintético sumo. A língua lima o canto áspera e à espera do que é bruto. Que o verso reste sempre sóbrio se despojando do que nele seja luxo ou nulo, oco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A concretude do cantar<br />
se comprova na procura<br />
da palavra-coisa, </p>
<p>na concisão da coisa em si<br />
que se resume a seu resumo,<br />
a seu sintético sumo.</p>
<p>A língua lima o canto<br />
áspera e à espera do que é bruto.<br />
Que o verso reste sempre sóbrio<br />
se despojando do que nele<br />
seja luxo ou nulo, oco<br />
por dentro e por fora. </p>
<p>Por isso escuto atentamente<br />
o canto escasso e dissecado<br />
e conto os pés desse compasso:<br />
são oito pés descalços, de aço. </p>
<p>Excesso de ascese e assepsia.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A (re)invenção do fogo</title>
		<link>http://breviario.org/ptyx/2008/05/07/a-reinvencao-do-fogo/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 19:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Se penso &#8220;fogo&#8221;, logo atravesso o avesso dessa idéia, penso coisas fluidas, como a flama e a chama que se derrama sobre a brasa. A idéia se delineia ao contrário, logo se penso “fogo”, penso coisas espessas, como a fibra flamejante que se deflagra num incêndio. E se penso “fogo”, logo penso apenas coisas suspensas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se penso &#8220;fogo&#8221;, logo<br />
atravesso o avesso<br />
dessa idéia, penso<br />
coisas fluidas, como<br />
a flama e a chama<br />
que se derrama<br />
sobre a brasa.</p>
<p>A idéia se delineia<br />
ao contrário, logo<br />
se penso “fogo”, penso<br />
coisas espessas, como<br />
a fibra flamejante<br />
que se deflagra<br />
num incêndio.</p>
<p>E se penso “fogo”,<br />
logo penso apenas<br />
coisas suspensas, como<br />
o embaraço das labaredas<br />
que se rebelam<br />
ao revés do vento<br />
(reinvento o fogo).</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Poema</title>
		<link>http://breviario.org/ptyx/2008/04/02/poema/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Apr 2008 20:06:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[O meu poema trança nervo, cristal e fibra em filigrana, meu poema forjado na frígida franja de uma estrela de neon prepara uma palavra e a palavra acrobata arrebata um pássaro que se dissolve no eco do próprio canto, voz em pleno vôo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O meu poema trança<br />
nervo, cristal e fibra<br />
em filigrana, meu poema<br />
forjado na frígida franja<br />
de uma estrela de neon<br />
prepara uma palavra<br />
e a palavra acrobata<br />
arrebata um pássaro<br />
que se dissolve no eco<br />
do próprio canto, voz<br />
em pleno vôo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A fábula de Fabergé</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Oct 2007 20:59:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Se Olavo Bilac procura a palavra polida feito a pérola (escafandrista pescador de esmeraldas na espuma das estrelas) é para depois prepará-la dissipando as impurezas da prosódia, de modo que a melodia soe cintilante em ouvidos de ourives. Mas, ao comparar-se ao ourives, talvez pensasse nas engrenagens de um Fabergé onde o sublime se processa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se Olavo Bilac procura<br />
a palavra polida feito<br />
a pérola (escafandrista<br />
pescador de esmeraldas<br />
na espuma das estrelas)<br />
é para depois prepará-la<br />
dissipando as impurezas<br />
da prosódia, de modo que<br />
a melodia soe cintilante<br />
em ouvidos de ourives.</p>
<p>Mas, ao comparar-se ao<br />
ourives, talvez pensasse<br />
nas engrenagens de um Fabergé<br />
onde o sublime se processa<br />
preciso e precioso, pois<br />
enquanto outros ourives<br />
se ocupavam com ouro,<br />
prata e coisas opacas,<br />
Fabergé fabricava<br />
a aurora boreal.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O objeto soneto</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Oct 2007 22:41:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[A princípio, teremos dois quartetos no começo da página, por cima, e depois: dois tercetos, cinco rimas, chave de ouro, fechando este soneto que o poeta, em trabalho de arquiteto, organiza, constrói, refaz e lima, perseguindo com custo a obra-prima, e eis os quatorze versos: que perfeitos! Na métrica, persistem as cesuras, que o bom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A princípio, teremos dois quartetos<br />
no começo da página, por cima,<br />
e depois: dois tercetos, cinco rimas,<br />
chave de ouro, fechando este soneto</p>
<p>que o poeta, em trabalho de arquiteto,<br />
organiza, constrói, refaz e lima,<br />
perseguindo com custo a obra-prima,<br />
e eis os quatorze versos: que perfeitos!</p>
<p>Na métrica, persistem as cesuras,<br />
que o bom soneto é feito uma costura,<br />
decassílabo ou mesmo alexandrino.</p>
<p>Pronto para dobrar, conforme um sino,<br />
o bom soneto, sendo genuíno,<br />
é um tipo introspectivo de escultura.</p>
<p>P.S.: Este mesmo poema, com o nome de &#8220;Soneto-modelo&#8221;, recebeu uma discreta menção honrosa no XVI Concurso de Poesia Mountoneé, da cidade de Salto/SP.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Genealogia persa</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Sep 2007 19:54:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
				<category><![CDATA[metalinguagem]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Na difícil tessitura do tapete persa, fez-se o jogo de xadrez: cálculo absoluto, como num conto de Borges, bordado em elipses e labirinto, leopardos em fuga geométrica sobre a partitura. Um trabalho análogo ao do poeta: arquitetar o obstáculo, o abstrato, costurando obcecado cada coágulo de silêncio em corolário. Carrossel barroco, o xadrez antecipa a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na difícil tessitura<br />
do tapete persa, fez-se o jogo<br />
de xadrez: cálculo absoluto,<br />
como num conto de Borges,<br />
bordado em elipses e labirinto,<br />
leopardos em fuga geométrica<br />
sobre a partitura.</p>
<p>Um trabalho análogo<br />
ao do poeta: arquitetar<br />
o obstáculo, o abstrato,<br />
costurando obcecado<br />
cada coágulo de silêncio<br />
em corolário.</p>
<p>Carrossel barroco, o xadrez<br />
antecipa a sextina de Arnaut<br />
Daniel, os hieroglifos oblíquos<br />
dos poemas de Mallarmé<br />
e o artesanato cartesiano<br />
sobre pedra-sabão.</p>
<p>O que o poeta, sim,<br />
aprende do jogo de xadrez:<br />
a ciranda incessante do carrossel,<br />
o mar e o canavial, e vice-versa<br />
(João Cabral, tecendo a manhã,<br />
acaso não reproduz o processo<br />
do tapete persa?).</p>
<p>Produto de estratégia<br />
e tessitura, o poema,<br />
trançado em arabescos,<br />
se descortina descarnado<br />
numa frágil e tênue teia.</p>
]]></content:encoded>
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