O monumento é bem moderno
Tropicália (Caetano Veloso, 1968) Sobre a cabeça os aviões, Sob os meus pés os caminhões, Aponta contra os chapadões meu nariz. Eu organizo o movimento, Eu oriento o carnaval, Eu inauguro o monumento no planalto central do país. Viva a bossa-sa-sa! Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça! Viva a bossa-sa-sa! Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça! O monumento é de papel [...]
A montagem poética nas primeiras canções tropicalistas
Na segunda metade da década de 60, em plena efervescência causada pelos festivais de música popular organizados pela TV Excelsior (1965 e 1966) e pela TV Record (1966-1969), eclodiu o tropicalismo, movimento que iria modificar os padrões da moderna música popular brasileira, conhecida pela sigla MPB. Surgido num momento de intensa disputa por espaço entre [...]
A nuvem civil sonhada
Esta resenha foi escrita há uns três anos, portanto não expressa completamente a visão que tenho hoje sobre o poema “Fábula de Anfion”, de João Cabral. Alguns pontos, vistos à luz de dois anos de estudos, parecem defasados. Mesmo assim, opto por postá-lo aqui como marco inicial de uma tentativa de interpretação do poema, partindo [...]
Pierre Menard, a fraude?
Salvo engano, o “Pierre Menard, autor do Quixote” é um dos textos mais citados, se não o mais citado, de Jorge Luís Borges. No entanto, ao que me parece, até agora um certo detalhe não foi devidamente levado em consideração, e esse detalhe, ainda que não mude a compreensão atual que se tem do conto, [...]
Borges, autor do Quixote
O Dom Quixote, de Cervantes, é uma sombra constante a rondar os labirintos e os jogos de espelho da obra de Borges; sua presença é igualmente perceptível na produção ensaística do escritor argentino. Não estou falando apenas do conto “Pierre Menard, autor do Quixote”, nem do despojamento estilístico que Borges identificou em Cervantes e que [...]