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	<title>Comments on: O monumento é bem moderno</title>
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		<title>By: Emmanuel</title>
		<link>http://breviario.org/ptyx/2010/03/10/o-monumento-e-bem-moderno/comment-page-1/#comment-2640</link>
		<dc:creator>Emmanuel</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 18:57:17 +0000</pubDate>
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		<description>Lorena,

Obrigado pelo comentário! Ele reflete exatamente os meus objetivos com esta série de posts. A maioria das discussões sobre a poeticidade das letras de canção costuma girar no vazio, tentando resolver a questão partindo de uma formulação conceitual prévia, ao invés de partir da análise do objeto... O pior é quando a autoridade da poesia canônica é simplesmente evocada contra a música popular, como se o argumento da autoridade liquidasse a fatura.

É aqui que entra minha discordância com o Bruno Tolentino. Na minha opinião, as letras de certas canções de nossos principais compositores têm muito mais matéria estética e histórica a ser explorada do que muitos poetas que vemos no Ensino Médio e que, a meu ver, possuem algum interesse apenas do ponto de vista da história literária.

Com isso não quero dizer que o ensino da obra desses compositores deve substituir o ensino da poesia canônica, mas ambos podem ser complementares. Porém, acima de tudo, é preciso reconhecer que nem sempre uma letra de canção, só porque foi escrita por Chico ou Caetano, possui profundidade ou produtividade suficientes para figurar ao lado de um poema de Drummond ou de Cabral; às vezes, a letra é só uma espécie de acompanhamento do arranjo musical - é preciso analisar caso a caso. Mas, para mim, não há dúvidas de que a obra desses dois compositores, como a de outros, traz uma quantidade significativa de textos com bom nível literário, o que justificaria pelo menos uma aula do Ensino Médio.

Bilac ou Caetano? Sei lá, colocando a questão em termos excludentes, como fez Tolentino, talvez eu prefira Caetano, e digo isso não na qualidade de fã do segundo, o que realmente sou, mas como crítico literário. O Vinícius sabe que, de uns tempos para cá, tenho me dedicado a fazer uma releitura dos parnasianos, e embora tenha a consciência de que tais poetas têm sido muito mal lidos, estudados e ensinados, acho que eles são geralmente tidos em pouca conta pelos motivos errados. Na maioria das vezes, um poema parnasiano é um amontoado de lugares-comuns, não excluindo disso a santíssima trindade. Descontando-se a historicidade, aquilo o que deve ser tributado a cada época, Caetano, na maioria das vezes, parece-me mais produtivo: enseja interpretações mais complexas.

Mas meu objetivo é, a longo prazo, fazer uma leitura semelhante à que tenho feito com Caetano com umas músicas do Rappa. Além de uma forma de fazer crítica literária fora dos limites impostos por uma certa burocracia acadêmica, isso pode significar uma maneira de aproximar os alunos do Ensino Básico da Literatura. Creio que uma boa letra de música, quando bem apresentada ao alunos, pode muni-los dos instrumentais necessários para compreender poemas dos mais complexos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lorena,</p>
<p>Obrigado pelo comentário! Ele reflete exatamente os meus objetivos com esta série de posts. A maioria das discussões sobre a poeticidade das letras de canção costuma girar no vazio, tentando resolver a questão partindo de uma formulação conceitual prévia, ao invés de partir da análise do objeto&#8230; O pior é quando a autoridade da poesia canônica é simplesmente evocada contra a música popular, como se o argumento da autoridade liquidasse a fatura.</p>
<p>É aqui que entra minha discordância com o Bruno Tolentino. Na minha opinião, as letras de certas canções de nossos principais compositores têm muito mais matéria estética e histórica a ser explorada do que muitos poetas que vemos no Ensino Médio e que, a meu ver, possuem algum interesse apenas do ponto de vista da história literária.</p>
<p>Com isso não quero dizer que o ensino da obra desses compositores deve substituir o ensino da poesia canônica, mas ambos podem ser complementares. Porém, acima de tudo, é preciso reconhecer que nem sempre uma letra de canção, só porque foi escrita por Chico ou Caetano, possui profundidade ou produtividade suficientes para figurar ao lado de um poema de Drummond ou de Cabral; às vezes, a letra é só uma espécie de acompanhamento do arranjo musical &#8211; é preciso analisar caso a caso. Mas, para mim, não há dúvidas de que a obra desses dois compositores, como a de outros, traz uma quantidade significativa de textos com bom nível literário, o que justificaria pelo menos uma aula do Ensino Médio.</p>
<p>Bilac ou Caetano? Sei lá, colocando a questão em termos excludentes, como fez Tolentino, talvez eu prefira Caetano, e digo isso não na qualidade de fã do segundo, o que realmente sou, mas como crítico literário. O Vinícius sabe que, de uns tempos para cá, tenho me dedicado a fazer uma releitura dos parnasianos, e embora tenha a consciência de que tais poetas têm sido muito mal lidos, estudados e ensinados, acho que eles são geralmente tidos em pouca conta pelos motivos errados. Na maioria das vezes, um poema parnasiano é um amontoado de lugares-comuns, não excluindo disso a santíssima trindade. Descontando-se a historicidade, aquilo o que deve ser tributado a cada época, Caetano, na maioria das vezes, parece-me mais produtivo: enseja interpretações mais complexas.</p>
<p>Mas meu objetivo é, a longo prazo, fazer uma leitura semelhante à que tenho feito com Caetano com umas músicas do Rappa. Além de uma forma de fazer crítica literária fora dos limites impostos por uma certa burocracia acadêmica, isso pode significar uma maneira de aproximar os alunos do Ensino Básico da Literatura. Creio que uma boa letra de música, quando bem apresentada ao alunos, pode muni-los dos instrumentais necessários para compreender poemas dos mais complexos.</p>
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		<title>By: Lorena</title>
		<link>http://breviario.org/ptyx/2010/03/10/o-monumento-e-bem-moderno/comment-page-1/#comment-2639</link>
		<dc:creator>Lorena</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 04:49:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://breviario.org/ptyx/?p=229#comment-2639</guid>
		<description>Gosto muito dessa sua iniciativa de dar tratamento sério à dimensão poética da música popular brasileira, sobretudo porque, pelo visto, o objeto é merecedor do tratamento.

Diante de tanta especulação universitária em torno de &quot;Chico Buarque é poesia?&quot;, nos furtamos à solução óbvia: mergulhar sem preconceito e comprometidamente nas letras das canções de modo a verificar a sua profundidade. Mas isso não deve passar pelo uso de condescendência, e é aqui que o seu projeto dos últimos posts vem à tona com um diferencial: vê-se que você submete as canções a análises tão rigorosas quanto as aplicadas à poesia &quot;canônica&quot;. Ademais, você demonstra consistentemente os produtos da sua interpretação, o que afasta a sua análise da supracitada especulação (pejorativamente) universitária.

Mas acho que o que mais me agrada na sua iniciativa é ver algo sendo feito em crítica de literatura que foge ao culto histérico e deprimido da grande tradição, sem contudo incorrer em elogio cego da &quot;poesia fofa&quot;. Precisamos olhar para o nosso tempo, criá-lo e interpretá-lo. Tenho certeza de que você está sendo e será fundamental nesse sentido.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto muito dessa sua iniciativa de dar tratamento sério à dimensão poética da música popular brasileira, sobretudo porque, pelo visto, o objeto é merecedor do tratamento.</p>
<p>Diante de tanta especulação universitária em torno de &#8220;Chico Buarque é poesia?&#8221;, nos furtamos à solução óbvia: mergulhar sem preconceito e comprometidamente nas letras das canções de modo a verificar a sua profundidade. Mas isso não deve passar pelo uso de condescendência, e é aqui que o seu projeto dos últimos posts vem à tona com um diferencial: vê-se que você submete as canções a análises tão rigorosas quanto as aplicadas à poesia &#8220;canônica&#8221;. Ademais, você demonstra consistentemente os produtos da sua interpretação, o que afasta a sua análise da supracitada especulação (pejorativamente) universitária.</p>
<p>Mas acho que o que mais me agrada na sua iniciativa é ver algo sendo feito em crítica de literatura que foge ao culto histérico e deprimido da grande tradição, sem contudo incorrer em elogio cego da &#8220;poesia fofa&#8221;. Precisamos olhar para o nosso tempo, criá-lo e interpretá-lo. Tenho certeza de que você está sendo e será fundamental nesse sentido.</p>
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