Pierre Menard, tradutor de Jane Austen
Postado em February 27, 2010
Categoria repercussão | 2 comentários
Repercutindo um post pescado lá no blog do Vinícius.
Denise Bottman, autora de um blog chamado Não Gosto de Plágio, dedicado ao combate de traduções duvidosas, está sendo processada por ter revelado as misteriosas coincidências entre a tradução da Landemark de Persuasão, romance de Jane Austen, e a tradução portuguesa de Isabel Sequeira. As semelhanças são realmente impressionantes, mas, uma vez que editora e tradutor afirmam não ter havido plágio, só posso atribuir o caso a uma espécie de “menardismo” involuntário. Ao que parece, como Pierre Menard — personagem borgiana que se dedica a escrever novamente o Quijote de Cervantes palavra por palavra, sem lançar mão de qualquer tipo de cópia (e sem nem mesmo reler o volumoso romance) —, o autor da polêmica tradução debruçou-se durante dois meses sobre o original e conseguiu plasmar novamente a tradução de Isabel Sequeira, inclusive suas gralhas, omissões (pelo menos uma) e erros! É realmente surpreendente! Num post anterior, acredito ter demonstrado que “Pierre Menard, autor do Quixote” é construído a partir do ponto de vista não confiável de seu narrador, o que torna o caso envolvendo a Landemark mais borgiano do que o próprio texto de Borges, a menos que os responsáveis pela tradução tenham usado de má-fé, o que só a Justiça poderá determinar.
Em todo caso, é preciso apoiar Denise Bottman, que está sendo perseguida por expressar suas opiniões, e reconhecer seu esforço no sentido de moralizar e sanear o mercado editorial brasileiro.
Atualização: Clique aqui para assinar o manifesto de apoio a Denise Bottman.
prezado ptyx: agradeço o apoio e a divulgação. veja mais esta:
http://janeausten.com.br/2010/02/processo-landmark-e-jane-austen-em-portugues/
Não precisa agradecer, Denise; acho que todos temos a obrigação de apoiar uma causa como a sua.