Reflexão sobre o cristal

Postado em August 19, 2008
Categoria poesia | 5 comentários

Observo o cristal:
o lampejo, sua língua
de relâmpago, labareda
em que as coisas se consomem
sem calor, límpida fagulha.

Observo o cristal
e o cristal disseca
os meus olhos, dissolve
os meus nervos retesos
em estado de pânico, o
cristal bebe os meus olhos.

Observo o cristal
pressentindo o preciso
palpitar de um relógio; ad
miro o cristal: o seu tenso
silêncio, a fibra quebradiça.

Comentários

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5 Comentários »

Danilo
2008-08-22 19:08:20

Interessante notar como os processos da sua poesia vão se repetindo e se decantando. Neste seu poema parecem ter se sintetizado os esquemas de vários outros, como o “Invenção do Fogo”, o “Origami” e outros, embora ache estes últimos mais interessantes e vivos, talvez porque a repetição dos mesmos processos em diferentes poemas ofusque um pouco do brilho dos poemas posteriores. A plena consciência de tais processos também pode levar a sua “cristalização” em fórmula, tome cuidado. Mesmo assim gostei do poema: ainda há algo de fresco nele.

Emmanuel
2008-08-26 18:40:08

Danilo,

Essa questão da cristalização em fórmula, eu já havia me atentado para ela. Mas senti a necessidade de escrever esse poema assim mesmo.

Obrigado pelo comentário!

 
 
2008-08-24 21:54:43

Lembra-me um pouco (um pouco) o que você faz: http://www.eucanaaferraz.com.br/poema_05.html

Preciso ler melhor os últimos passos da discussão para entender os poréns que me restam. O post do Origami pode se tornar o fórum oficial sobre a poesia de Emmanuel Santiago. :P

Emmanuel
2008-08-26 18:40:50

Valeu pela dica, Lorena. Gostei bastante da poesia do Eucanaã.

 
 
2008-08-24 21:56:17

ps: Eu digitei uma língua (dois-pontos-e-pê), não esse sorrisinho ridículo.

 
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