Soneto branco
Postado em July 21, 2008
Categoria metalinguagem, poesia, soneto | 6 comentários
Queria o meu soneto da cor branca,
todo branco, que nunca fosse negro,
pois o negro é profundo, cheio de ecos
e coisas das quais só se sente o cheiro.
O branco não. O branco é superfície
e silêncio, o suspense de um relâmpago
retido na espessura de um espelho.
Branco é a cor das coisas sem conceito.
Não o branco solúvel, cor de gelo,
nem o branco volátil, cor de espuma,
ou o branco dourado do ouro branco;
quero um branco absoluto, branco abstrato,
o mais puro, o mais claro — mas sem brilho:
quadrado branco sobre fundo branco.
Tenho gostado muito destes últimos poemas, em especial dos sonetos. Acaso são novos? Não estavam naquele livro que você me enviou. São novos?
Danilo,
O poema “Corolário” é, sim, anterior ao “Rima”, o livro que eu lhe mandei. Já os sonetos, fazem parte do projeto do meu novo livro, e são todos novíssimos.
Alguém entrou no meu blog procurando no Google por “emmanuel santiago poesia”.
Esteja alerta, você está sendo caçado!
Lorena,
Não sei se isso é uma coisa ruim; afinal, se estou postando coisas aqui, é interessante que alguém demonstre interesse em achá-las. De qualquer modo, é impossível impedir que coisas assim aconteçam.
Um abraço!
Lindo, adorei a forma de conduzir o soneto.
tenho que deixar de ser “modernista” e ousar mais esta forma, tão certa.
enfim, abraço.
vou ler mais.
Obrigado pelo comentário, Fernando. Estes poemas fazem parte de um projeto de testar os limites do soneto. Contudo, o que pretendo é encontrar uma dicção atual para o soneto, portanto não acho que seja necessário deixar de ser modernista para se exercitar nessa forma. O importante é justamente, como você disse, “ousar mais esta forma”. Ousar sempre, sem medo de ser rotulado de virtuose! Afinal, eu sou mesmo um virtuose (ou pelo menos tenho a ilusão de sê-lo).