As texturas do verde

Postado em June 15, 2008
Categoria poesia |

Observe essa pêra
sobre a mesa, observe
sua casca transparente
(invólucro cristalino)
e a polpa descarnada,
sem espessura,

onde a mordida
resvala no vazio de um verde
oco, cor sem coisa: simulacro.

Um verde diverso
do verde venoso do rio
que corta a minha aldeia,
o Rio Verde, de um verde
que se alimenta na lenta
voragem do limo.

Não o destilado verde
marinho, relâmpago
numa esmeralda, mas
o verde opaco de um verde
quase marrom, verde sem viço
e vazio de cor: verde vácuo.

Verde que te quero verdes, vários.

Comentários

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4 Comentários »

2008-06-15 19:14:19

Emmanuel,

Neste breviário, seguramente, este é o seu melhor poema publicado. Qual a sua cidade em passa o Rio Verde?, eu conheço este rio.

Emmanuel
2008-06-18 14:25:07

Ludambula,

Sou de São Lourenço, sul de Minas. Morei alguns anos num prédio que fica às margens do Rio Verde, por isso ele é uma sombra constante na minha imaginação. Fico feliz que tenha gostado do poema. Obrigado pelo comentário!

 
 
2008-06-23 22:02:22

Olá, Emmanuel.

Estou devendo uma lida atenta em seus poemas mas posso adiantar que gostei muito deste “As texturas do verde”. Poema rico em sua forma, nas reflexões que suscita e na construção imagética (tá, parece conversa de formalista mas num primeiro momento não consigo falar do poema, é sempre muito difícil).

Abraço.

Emmanuel
2008-06-24 16:40:46

Renan,

Não se preocupe em parecer formalista, principalmente diante de uma poesia que não tem receio de parecer formalista. Obrigado pelo comentário!

 
 
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