As texturas do verde
Postado em June 15, 2008
Categoria poesia |
Observe essa pêra
sobre a mesa, observe
sua casca transparente
(invólucro cristalino)
e a polpa descarnada,
sem espessura,
onde a mordida
resvala no vazio de um verde
oco, cor sem coisa: simulacro.
Um verde diverso
do verde venoso do rio
que corta a minha aldeia,
o Rio Verde, de um verde
que se alimenta na lenta
voragem do limo.
Não o destilado verde
marinho, relâmpago
numa esmeralda, mas
o verde opaco de um verde
quase marrom, verde sem viço
e vazio de cor: verde vácuo.
Verde que te quero verdes, vários.
Emmanuel,
Neste breviário, seguramente, este é o seu melhor poema publicado. Qual a sua cidade em passa o Rio Verde?, eu conheço este rio.
Ludambula,
Sou de São Lourenço, sul de Minas. Morei alguns anos num prédio que fica às margens do Rio Verde, por isso ele é uma sombra constante na minha imaginação. Fico feliz que tenha gostado do poema. Obrigado pelo comentário!
Olá, Emmanuel.
Estou devendo uma lida atenta em seus poemas mas posso adiantar que gostei muito deste “As texturas do verde”. Poema rico em sua forma, nas reflexões que suscita e na construção imagética (tá, parece conversa de formalista mas num primeiro momento não consigo falar do poema, é sempre muito difícil).
Abraço.
Renan,
Não se preocupe em parecer formalista, principalmente diante de uma poesia que não tem receio de parecer formalista. Obrigado pelo comentário!