Dueto com João Cabral
Postado em May 16, 2008
Categoria metalinguagem, poesia |
A concretude do cantar
se comprova na procura
da palavra-coisa,
na concisão da coisa em si
que se resume a seu resumo,
a seu sintético sumo.
A língua lima o canto
áspera e à espera do que é bruto.
Que o verso reste sempre sóbrio
se despojando do que nele
seja luxo ou nulo, oco
por dentro e por fora.
Por isso escuto atentamente
o canto escasso e dissecado
e conto os pés desse compasso:
são oito pés descalços, de aço.
Excesso de ascese e assepsia.
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