Mais um pré-genealógico
Dama-da-noite A dama-da-noite incendeia a lua, a lua cheia. Tem o perfume da pêra madura, o cheiro fecundo do esperma. Dama das noites, das noivas, das lésbicas, prostitutas, flor. O sabor da noite é licor de frutas cítricas.
Dueto com João Cabral
A concretude do cantar se comprova na procura da palavra-coisa, na concisão da coisa em si que se resume a seu resumo, a seu sintético sumo. A língua lima o canto áspera e à espera do que é bruto. Que o verso reste sempre sóbrio se despojando do que nele seja luxo ou nulo, oco [...]
A (re)invenção do fogo
Se penso “fogo”, logo atravesso o avesso dessa idéia, penso coisas fluidas, como a flama e a chama que se derrama sobre a brasa. A idéia se delineia ao contrário, logo se penso “fogo”, penso coisas espessas, como a fibra flamejante que se deflagra num incêndio. E se penso “fogo”, logo penso apenas coisas suspensas, [...]