Soneto piedoso
Postado em December 3, 2007
Categoria poesia, soneto |
Penso num Jesus pregado na cruz,
talhado bem com cuidados de arte
e um pano vermelho cobrindo as partes
pouquíssimas vezes postas à luz.
Penso num Jesus na cruz: Ó Jesus,
teu coração tão santo é um enfarte!
Teu corpo na cruz foi o estandarte
com manchas de sangue e bolhas de pus!
Deixou-te o Pai, morres órfão, sozinho,
a fronte rasgada pelos espinhos
e o corpo desfeito entre tantas chagas.
Que pena de ti (cadáver, menino?),
esculpido em teu caráter divino,
não te coças, não fodes e não cagas.
Eu estava pensando em contratar-lhe para dar aula na minha escola, mas depois dessa!… Infame!
*
Piadas sem graça à parte, minha opinião é de que poderias explorar mais a piedade pelo Jesus “esculpido em caráter divino” (isso é ótimo), e por isso privado dos prazeres de que goza o homem comum - algo como um elogio do dionisíaco, etc -, em vez de descrever exaustivamente as bolhas, a cruz, as chagas. Talvez haja alguma imagem subliminar nas três primeiras estrofes, que eu não entendi! Esse soneto parece um exercício…
É o mal de ser bom poeta: seus leitores deixam de se contentar com pastiches perfeitos: queremos o Emmanuel! aquele cuja versão da história de Babel era a de uma torre construída para sodomizar Deus.
Olá, leitor desconhecido!
Pô, cara, nem precisa dizer nada, não, basta esse soneto. Foda. Compartilho da mesma falta de palavras, mas isso é o que é, rapaz… Basta a sensação, tentar exceder-lhe é um tanto de violência, não acha? Muito obrigado pelo comentário, muito obrigado pelo soneto, li os outros poemas (apenas os que tão em cima do soneto), mas ele realmente me chamou a atenção, embora o primeiro e o Marília sejam bastante interessantes também! Vamos prosear poesia um dia, cumpade, curto seus versos e curtes os meus… Que achas?
Enfim, abraços, e obrigado novamente,
Vitor Nina
Ok, Vitor, conversemos, sim, na primeira oportunidade. Um abraço!