A fábula de Fabergé

Postado em October 15, 2007
Categoria metalinguagem, poesia |

Se Olavo Bilac procura
a palavra polida feito
a pérola (escafandrista
pescador de esmeraldas
na espuma das estrelas)
é para depois prepará-la
dissipando as impurezas
da prosódia, de modo que
a melodia soe cintilante
em ouvidos de ourives.

Mas, ao comparar-se ao
ourives, talvez pensasse
nas engrenagens de um Fabergé
onde o sublime se processa
preciso e precioso, pois
enquanto outros ourives
se ocupavam com ouro,
prata e coisas opacas,
Fabergé fabricava
a aurora boreal.

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