Soneto caixa de música

Postado em October 8, 2007
Categoria poesia, soneto |

A bela bailarina perolada
que dança delicada na neblina
salta sobre a calçada e desatina;
num só gesto, ilumina a madrugada.

Nas trevas entreabertas de uma esquina,
cria asas cristalinas, uma fada,
a leve bailarina alienada
na luz calcificada da retina.

Num flexível floreio, ela flutua
sobre as pedras da rua e do passeio,
e tira o sono alheio: fica nua.

Luz volátil, a lua de entremeio
desfaz-se em devaneios, desvirtua…
A bailarina nua mostra os seios.

P.S.: Menção honrosa no Concurso de Poesia Mário Quintana de Bauru, edição 2007.

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