Outro pré-genealógico

Dionisíaca O vinho tinto que te molhou os lábios e afogueou os olhos fez despir-se na tua boca pétala por pétala a hemorragia lenta da lascívia.

A fábula de Fabergé

Se Olavo Bilac procura a palavra polida feito a pérola (escafandrista pescador de esmeraldas na espuma das estrelas) é para depois prepará-la dissipando as impurezas da prosódia, de modo que a melodia soe cintilante em ouvidos de ourives. Mas, ao comparar-se ao ourives, talvez pensasse nas engrenagens de um Fabergé onde o sublime se processa [...]

Sobre o “Soneto caixa de música”

Sempre quis escrever algo sobre a composição do meu “Soneto caixa de música” por dois motivos; o primeiro deles é que ele é certamente o poema mais “consciente” que eu já fiz, pois antes de começar a escrevê-lo eu já sabia claramente como queria que ele ficasse; o segundo motivo é que tenho percebido que [...]

Soneto caixa de música

A bela bailarina perolada que dança delicada na neblina salta sobre a calçada e desatina; num só gesto, ilumina a madrugada. Nas trevas entreabertas de uma esquina, cria asas cristalinas, uma fada, a leve bailarina alienada na luz calcificada da retina. Num flexível floreio, ela flutua sobre as pedras da rua e do passeio, e [...]

O objeto soneto

A princípio, teremos dois quartetos no começo da página, por cima, e depois: dois tercetos, cinco rimas, chave de ouro, fechando este soneto que o poeta, em trabalho de arquiteto, organiza, constrói, refaz e lima, perseguindo com custo a obra-prima, e eis os quatorze versos: que perfeitos! Na métrica, persistem as cesuras, que o bom [...]