Ainda são perambulagens
Postado em
September 12, 2007
Categoria: Coisas | 7 comentários
Julguei por bem continuar com este blog. Já havia algum tempo, preparava uma despedida cujo título seria “Não são mais perambulagens”. Por eu estar muito aborrecido com o nome deste blog e outras coisinhas mais que ele viesse a significar. Ele, que me acompanha já há quase dois anos, começou no Blogger, teve seu próprio .org e agora convive no condomínio do Breviário, temporariamente não mostrará uma placa de “fechado”. Até porque, imaginem o problema: arranjar outro nome e outra imagem (esta, porque se deve seguir o modelo dos breviários).
Para aproveitar a oportunidade, e poder dizer que postei o mínimo, contarei uma cena que me aflige se de repente vem à tona. Na faculdade, há uma menina que tem um olhar e um riso nitidamente idiotas e que usa uma calça xadrez e anda para cima e para baixo, talvez planejando uma revolução e, não há dúvida, vestindo uma hering com o silk do Guernica. E é isto o que faz nítida a idiotice.
Tive medo do coração desta singularíssima pessoa. Quanto ódio no coração pode haver. A vergonha não podia ser tão grande, aliás a falta de vergonha. A cada passo saber que o que você mostra é uma destruição. Como aqueles indiscretos que adoram falar de suas intimidades, porque afinal “isso” todo mundo tem.
E agora na Wikipedia vejo o que o próprio Picasso dizia: “No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo.”
Estética e moral
Postado em
August 8, 2007
Categoria: Arte, Estética, Filosofia, Literatura, Política | 3 comentários
Sinto-me extremamente preguiçoso, por isso não me incumbirei uma resenha sobre os dois excelentes posts do Osrevni, vizinho aqui no Breviário. Alias, não farei nada senão tecer comentários despretensiosos e ébrios sobre as partes I e II do De como a estética explica o mundo (a terceira e, suponho, última ainda não foi publicada), ou do que me convir. Tanto faz, o que me agrada é refletir estética. E, se você ainda não os leu, recomendo que o faça logo, sem se dar direito a um bocejo; a macunaimice cabe exclusivamente a mim. Alerto que tome cuidado, contudo: se os textos são bem escritos, não é por isso que você se deixará facilmente ser convencido. Pois ele mesmo, ao trazer a questão de a estética possibilitar influência sobre os homens (indiscordável), convoca-nos: “Ou seja, mesmo que nos sintamos dominados pelo mundo exterior, temos algum papel em sua formação e, por conseguinte, em sua transformação. É algo a se pensar.” Não quero ficar citando, mas às vezes realmente torna-se necessário; antes citar que parafrasear, posta minha prolixidade: “[A estética] explica o mundo porque não dá explicações, não desenvolve paradigmas e dogmas, como a ciência e a tecnologia, para ordenar o que já é percebido”.
Tudo bem que a estética tenha sido usada para as mais diversas finalidades, desde didática, religião (é desta que parte Osrevni), panfletos políticos ou mesmo arte pela arte, que hoje é atacada em massa. Meus caros, não consigo não pensar em Literatura! E, aliás, é esta uma das poucas coisas de que posso falar sem tão grande inocência. Agora, tudo isso me lembra uma indagação feita pelo Sartre, que sem considerável perda pode ser entendida à Estética: “até quando a Literatura é inofensiva?” Na verdade, eu nunca me havia dedicado muito a essa questão, sobretudo a relação da estética que não é unicamente a alta arte com o mundo, que, achemos feio ou belo, deseja estética. Talvez você seja um dândi, ou talvez um desleixado incorrigível, mas o fato é que a estética está inevitavelmente presente em seu cotidiano.
Quando vou à casa de minha avó, por exemplo. Ao contrário de mim, que mofo o dia inteiro no sofá ou lendo um livro ou vendo televisão, ela é hiperativa e não desliga seu radinho de pilha por nada (sim, de pilha; a família já lhe deu um aparelho de som top, mas ela não troca seu ritual por nenhuma tecnologia). Da última vez em que lhe fiz uma visita, reparei como pode que todas as músicas falem de amor (talvez houvesse uma exceção inotável)! Diga-se que minha querida avó escutava a mesma estação que sintonizaria um brasileiro médio: MPB, rock dos anos 80 e 90; enfim, música pop (sim, ela é moderna); não era nada evangélico ou intencionalmente “cafona”.
E por que só se tocam músicas de amor (melhor, “românticas”)? Porque é um sentimento humano do qual todo mundo partilha e talvez o mais explorado em toda a arte que possamos chamar universal (que é a ocidental, claro), alguém afirmaria sem pestanejar. E trata-se de uma estética carregada de significado, como qualquer outra.
Seu valor artístico é sempre inquestionavelmente inexistente, mas o moral não. Minha prima, um outro exemplo, põe a mp3 do Chico Buarque e escuta, canta e com alguma sorte até verte lágrimas. Depois, chega até mim eufórica, reflexiva e sem motivo já brigando: “o Chico é poeta sim, viu! Sabe pesar cada palavra e entende a alma feminina.” Mas não entremos no gosto poético nem na nostalgia de Ditadura de cada um (já viram a ironia mordaz de “Cálice”?). Entre familiares, mesmo o feminismo é perdoável.
Há uma interessante distinção que se faz entre arte e moral: poder e dever, respectivamente. Logo, uma é o oposto da outra. Mas ao mesmo tempo não podem andar separadamente, porque o próprio ato de escrever, se problematizado, torna-se moral. Por que você escreve? Por que você produz música? Devo escrever, devo compor?
Não são raras as pessoas que consomem a estética que lhe agrada moralmente, e nem por isso são tão maus leitores. Essa afeição se deve sobretudo ao conteúdo abordado: um poema de amor, um quadro que traz um panfleto. As pessoas gostam de encontrar a si mesmas no que é estético, ainda que seja o seu lado mais sórdido. E costumam também, através da estética, se convencer do que ela mesma é. Mantendo-se as devidas proporções, tanto no entretenimento quanto na arte idéias são igual e esteticamente compradas (como não dizer que ambas têm uma poderosa força retórica?). Dizem que, no entanto, isso não mais acontece e que a modernidade culta já aceita as opiniões erradas. Imagine então o caso: um excelente escritor, hoje, lança uma obra-prima que carrega consigo um explícito panfleto misógino ou racista. Se alcançasse a mídia, logo causaria grande polêmica e não seriam poucos os que o acusariam com o dedo enristado e diriam que liberdade de expressão tem limite etc.
Agora, já podemos sem dúvida dizer que o questionamento do Sartre é puramente retórico e já traz em si a resposta: a Literatura é perigosamente ofensiva! Assim, naquele momento de guerras, convocavam-se os escritores e leitores a uma Literatura engajada. Pelo que se percebe do Osrevni, o engajamento (Céus, essa palavra é feia e deturpada) é também uma de suas propostas à estética — e, ao que me parece, uma revisão do engajamento de não poucos escritores do último século.
Sua justificativa é bonita e a mim estimulante, não posso negar: “De tal maneira que, quando compreendemos o quanto todos esses conceitos, que aplicamos ao mundo que nos cerca, se resumem em manifestações de nossa própria capacidade de abstração e representação, podemos estimar, igualmente, o quanto nosso contexto depende da postura que tomamos em relação a ele”. Todavia, não me consigo desvencilhar de meu caráter brasileiro, sou preguiçoso inclusive para a política. De certa forma, sou semelhante a minha avó e prima: o que buscamos é uma moral, apesar de a minha ser sobretudo a de que a arte deve ser arte, pouco importando o que se defende, questiona etc.
Diz Orwell que, em determinados momentos da História, os escritores são levados a virar as costas ao engajamento político, vivendo em uma espécie de niilismo. É engraçado como Adorno via com certa empolgação os esteticismos, porque, segundo ele, na verdade o silêncio político não demonstraria indiferença ou apatia, e sim uma crítica negativa em que o calar torna-se um verdadeiro brado. Ele não me parece em absoluto errado, mas, sobretudo em nossos dias, não se pode ignorar o estrangeirismo que se apossa do indivíduo e o faz apático. O que torna, portanto, inviável que haja muito interesse no extra-artístico, extra-estético. A não ser que se assuma a responsabilidade de uma realidade melhor; mas eu enquanto poeta prefiro apenas sofrer a política, como Camus aconselhara a nosso grande poeta Gerardo Mello Mourão.
Filhos e poemas
Postado em
August 6, 2007
Categoria: Poesia | 10 comentários
Filhos e poemas
O que planejava junto a mim não eram planos,
Você apenas se dava aos meus sonhos, esperando
Qualquer coisa de especial. Doce sonhar branco
Enquanto o poeta não vinha.
Daqui vendo você,
É assim que lembro;
Da sua admiração da cria
De sua cria, concebo
O acalento As mães não exigem palavras
O acalentar-me
de hoje e ontem e faça o que eu fizer
Um poema. Um assassinato.
O poeta não tem amor.
Há poesia, e no filho você vislumbra dor.
Não me fale de Ingmar Bergman
Postado em
July 31, 2007
Categoria: Cinema | 4 comentários
Sempre que morre algum artista ou comemora-se o aniversário de uma obra importante, fico gravemente mal-humorado: nos meus feeds não há outra coisa senão posts com cinco linhas sobre o acontecimento. O último evento tenebroso foram os dez anos de Ok Computer. Oras, se eu quiser apenas saber da notícia vou a um site, que, por pior que seja escrito, traz mais informações do que um blog. Chatos esses blogueiros que apenas copiam a Folha e a Wikipedia e inserem suas valiosas opiniões.
É bem verdade que ainda poucos blogs que leio postaram sobre a partida de Bergman. Ainda bem. Tanto melhor assim. Por que não comentam do jogo de amanhã, que nem sei qual é? Fiquem, pois, com o Notes for Canto XX, do amigo Ezra Pound, já que não posso dizer muita coisa:
Notes for Canto XX I have tried to write Paradise Do not move Let the wind speak that is paradise. Let the Gods forgive what I have made Let those I love try to forgive what I have made.
(Ezra Pound)
*
Até agora, a única coisa boa que encontrei foi o post do Osrevni, colega de Breviário, em seu outro blog:
Tão interessante quanto seus filmes é a própria figura de Bergman. Era um artista, na mais alta expressão do conceito. Transformava seus dias, seus sonhos, emoções, medos e idéias, em roteiros e filmes. Escreveu vários livros sobre o próprio trabalho e a própria vida; não são textos auto-laudatórios, mas verdadeiras análises da gênese de uma obra de arte. Há poucos anos, talvez dois, um documentário mostrava o idoso Bergman na ilha em que vivia (Fårö, que significa ovelha), ainda anotando seus sonhos e fazendo listas dos demônios que o atormentavam.
Em Para ler sem olhar, Seção obituário: Ingmar Bergman (1918-2007).
O Parada também postou alguns links interessantes em sua breve nota.
De resto, do que eu li, deixe o vento falar.
O dia em que conheci a Manoela Afonso
Postado em
July 27, 2007
Categoria: Coisas | 6 comentários
Ontem, enfim, conheci a Manu. Nos falamos pela Internet desde 2005, ela sabe algumas cositas de mim, eu dela; já podíamos dizer que éramos amigos, apesar de nunca nos termos visto. Também participei de um vídeo que ela fez e escrevemos aqui no Breviário.
Ela mora em Goiânia e passou uns dias aqui em S. Paulo (foi-se embora hoje pra Curitiba, sua terra natal). Combinamos em frente ao Banco do Brasil lá da Rua Augusta: cheguei, pensei em me encostar para continuar fumando meu cigarro, mas logo um sotaque sulista me chamou: “Diego!”. Olhei e ela vinha, estávamos os dois pontualmente ali, como que ingleses.
Fazia muito frio (quando peguei o ônibus de volta o termômetro marcava 9º) e ela vinha impecavelmente elegante. Pena não termos tirado foto! Tomamos um café com conhaque num daqueles lugares em que se deve enrolar o máximo possível com a única coisa que você comprou e depois fomos a um boteco onde comemos polenta frita e tomamos uma bebida e conversamos mais e mais.
Depois nos despedimos, que pena. Ela foi pra um lado, eu pro outro. Mas já combinamos: da próxima vez em que ela vier beberemos como se deve beber.
Recado
Postado em
July 20, 2007
Categoria: Coisas | 16 comentários
Desejos cansados. Hoje, o da religião. Não houve nada em específico, acho só que a preguiça é nosso único caráter inato. Se Nietzsche soubesse de alguma coisa, diria que não sou um super-homem e jamais o poderei ser. Mas quem disse que quero! Nada mais de fundar a igreja e estou cansado do esquema de blog e não que eu vá parar com isso. É como a rosa doente, apaixonada pelo verme mas sem poder de o recusar (Cf. O espectro, do Bruno Tolentino). Releio os postados, entedio-me. É sempre a mesma sen-si-bi-li-da-de, como diria Drummond. Mas haverá minha hora e vez! Diga se não.
Tua igreja é a única verdadeira
Postado em
July 19, 2007
Categoria: Filosofia, Religião | 3 comentários
Certo, senhores, minha carreira como filósofo faliu quando descobri que a única oficina do Platão ficava na BR 114. Perdoem piadas sórdidas, mas houve um certo indivíduo que me fez dar boas gargalhadas secretamente quando se propusera a discutir meus conceitos filosóficos e, se eu os desenvolvesse melhor, até se tornaria meu divulgador e seguidor. Conheço-o e ele não fora irônico, diga-se.
Mas o que desejo agora é ter outros tipos de seguidores: fundarei uma igreja. Na minha igreja não entrarão comunistas. Parece óbvio, mas na verdade não é. A Católica, minha futura concorrente (pois não concorrerei com shows da fé, embora tragam mais retorno financeiro), ultimamente criou duas “polêmicas” àqueles incautos: a conduta católica no trânsito e um documento que diz “a única verdade da fé cristã encontra-se na Igreja Católica”. Da primeira não falarei, exclusivamente porque ainda não tirei carteira.
Uma vez fiquei bravíssimo com um primo evangélico porque, embora ele quisesse, não me poderia receber em sua cidade devido a compromissos na Igreja. Disse-lhe que se tratava de um disparate, uma maluquice sua, e que não haveria problema se ele faltasse uns poucos dias; salvar-se-ia igualmente, aliás mais dignamente porque Deus aprecia as boas ações. Ele pediu desculpas, falou que sentia muito, mas nada poderia fazer porque prometera a Jesus que não faltaria a nenhum culto! Expus, pois, o que já pensava: que sua Igreja o estava pirando. Tendo ficado nervoso, discursou que igreja não salva ninguém e o importante é apenas crer em Cristo, pois este sim salva. Enfim, apenas mais uma daquelas frases que os evangélicos sabem de cor e salteadas, à parte as citações deturpadas da Bíblia.
Acho que vocês já entenderam qual é o problema da falta de instituição numa igreja, e a modernidade caminha em favor disso — e não apenas nas igrejas. Esses pastores livram-se de qualquer responsabilidade que teriam pela fé do crente, e então é como se este fosse uma igreja única. É inadmissível uma igreja que não se responsabilize pela fé de seu rebanho, posto que é ela quem os conduz moralmente (ou deveria). Mais caduca ainda seria uma igreja que achasse que sua fé poderia ser relativa e que em outras igrejas haveria uma outra plena verdade. Aí entram os comunistas: ateus, acreditam que se deve haver respeito às outras religiões. OK, concorda-se. O problema é que a esse “respeito” querem impor seus conceitos relativos de verdade, de que verdade não existe etc. Ora, uma igreja só será seguida se for verdadeira, se for a mais verdadeira, ainda que algumas outras possam ter um ‘pouqito’ de razão. Não se for mais uma dentre esse mar de fé.
Os comunistinhas querem interferir no comportamento das igrejas como se delas fizessem parte. Mas nenhuma igreja deve deixar isso acontecer, em nome de sua verdade.
Tornar-me-ei filósofo
Postado em
July 16, 2007
Categoria: Filosofia | 5 comentários
Sim, caros, boas novas. Este que vos escreve está a um passo de se tornar o mais novo filósofo brasileiro. Ou a dois, tanto faz. Ainda não o sou, contudo percebi em mim o ímpeto a filósofo, tenho o talento. A um artista que sou, embora mal compreendido, deve-se tomar o cuidado de separar o artista do filósofo. Arte é criação, filosofia é reflexão. Resumindo parcamente, claro, adoráveis leitores.
Só é uma pena o brasileiro não se interessar por filosofia, porque assim não temos acesso a oficinas (como ocorre na Literatura — faço muitas, diga-se) ou a mestres pertinentes. Assim sendo, encarecidamente vos peço “dicas” de leitura e, se possível, alguma oficina que, apesar de raras, devem haver.
Enfim, todo filósofo deve ter uma teoria. Eu tenho a minha que, se já não é avassaladora, há de ser, quando eu me tornar um filósofo. Chama(r)-se(-á) a “Teoria do Dechaos” (com “ch” mesmo, que tem mais elegância), e é uma superação de existencialistinhas como o Sartre, além dos clássicos. Já tenho alguns manuscritos que fiz ontem, embora pense nisso desde meu nascimento. Pensava por outras palavras, é claro. Quer dizer, não pensava porque não refletia, eu percebia. Mas a minha filosofia decerto é viva, vocês logo vêem, é de longa data.
A Teoria do Dechaos. Já tendo sido superadas as questões de metafísica e natureza humana, que são inviáveis, posto que não possa haver um princípio humano enquanto ainda não há o conceito, o homem deve ser visto enquanto tal, em si, nem anterior nem posteriormente — o que em minha filosofia abole qualquer possibilidade de vida após a vida. Temos de propor a questão da “vida”, que é a vida?
Vida bem pode ser tudo aquilo o que vive. Se não fizermos distinção, vida pode simplesmente ser o universo, ou tudo que houver. Preocupemo-nos, por ora, apenas com a vida do indivíduo, cuja vida é aquilo que dizemos estar depois do antes-de-existir e antes do depois-de-existir, um interstício que corresponde à nossa existência efetiva (não a rememorada, que é quando evocamos). Trata-se, pois, da primeira arbitrariedade que se deve impor à Natureza, que na verdade é o que não sofreu nada do homem. Desconsideramos a “natureza humana” por esta ser justamente aquilo que não-é, não tem conceitos e não reflete. Como o mais esperto leitor pôde perceber, primeiro nos deparamos com o amorfo, que logo foi separados em categorias (vida e não-vida individuais). Oras, se ainda lhe desagrada, por favor!, já lhe disse que se trata apenas de um “esboço”, ainda não sou um filósofo, mas sê-lo-ei.)
A filosofia minha aborda justamente a deschaotização do que percebemos, através de um movimento de reflexão racional e ideal em favor da forma do mundo. O que já é sacramentado não nos interessa, o que devemos fazer é apenas “reconstruí-lo”, através da relativização. Mas não se o deixe em relativização, precisamos trazer a verdade, impô-la.
Outra coisa que abordarei, quando eu for filósofo: as imagens da vida, tanto as fenomenológicas quanto as emocionais. Das fenomenológicas, já falei um pouco, percebe-se. Das emocionais, digo que é preciso sentir o mundo, privando-se ao máximo de sua moral, para que depois se possa dar conta do que se percebeu, e se aquilo é ou não o que parece ser. Remoralizar. Enfim, idéias.
E, como podeis ver, trata-se de uma filosofia promissora. Mas preciso estudar mais: recomendem-me livros, artigos da Wikipédia, ou de qualquer site, e oficinas. Também são aceitas doações em espécie, um mecenato cairia como uma luva. Um para minha filosofia, outro pra literatura.
Rimbaud na Paulista
Postado em
July 15, 2007
Categoria: Poemas | 2 comentários
Através da Av. Paulista, esta via
Onírica onde carro moto dão-se murros,
Desregrando os sentidos minh’alma corria,
Como se ela emitisse o Amor: sequer sussurros.
Evangelho segundo o pastor
Postado em
July 11, 2007
Categoria: Poesia | 4 comentários
Com a mãe aprendi a amar cada mulher;
Com o pai, meu ofício e a arte do cortejo.
A vida é opaca: li Rimbaud e Baudelaire.
Hoje cobiço o peso e a medida dum beijo.