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	<title>Perambulagens &#187; Zii e Zie</title>
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		<title>Zii e Zie, mas também sobre o Cê</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2009 22:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caetano Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[Zii e Zie]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Zii e Zie, o novo disco do Caetano Veloso com a Banda Cê, parece ser uma despedida inevitável do cantor e a banda formada por Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes. Mas não que isso seja ruim; pelo contrário: é uma das grandes qualidades do disco à primeira ouvida, ainda mais se considerando a obra de Caetano como um todo.  Eis a minha primeira impressão ao sentar para ouvi-lo. Não imaginava que ele desse uma continuação ao seu projeto anterior do Cê, a não ser quando vi seu blog. É um disco de separação. Dele e da banda, certamente. Uma separação do que é São Paulo e do que é Rio de Janeiro. Separação, talvez, do Caetano e alguns temas que o perseguiram direta ou indiretamente desde o Circuladô. Desde Circuladô até o Cê, Caetano Veloso fez balanço de sua vida, sua música, seus temas. Zii e Zie, agora, quer um descolamento do disco anterior e também avalia todo esse processo. Também tem bastante de Lobão, principalmente o de Canções dentro da noite escura, se é que meus ouvidos não são tão ruins assim.</p>
<p>O Cê é um dos discos mais surpreendentes de Caetano (até a crítica o elogia bastante), porque naquela altura de sua carreira a última coisa que se esperava era ele fazendo rock. Também é um disco melancólico. Há um homem que se vê velho mas não quer sê-lo, é um Caetano bem diferente dos outros que  ele já foi. Disfarça-se na carapuça do rock, no exagero de gritos e metais. Consciente, ele se insere nessa música vendo-se velho e tendo visto o rock nascer e crescer. Precisa expressar que é e não é um velho. No Cê houve um encontro perfeito entre um homem velho e uma banda de rock formada por gente de “uns 25 anos”. Pois com sua experiência (tanto artística quanto na vida) ele pôde levar a uma radicalização muito interessante a linguagem do rock contemporâneo e a do próprio Caetano.</p>
<p>Cê, que é um disco roxo tanto em sua capa quanto na sua forma, não renova a linguagem desse rock anos 00 mas sim revela o quanto ele tem de cafona e outras coisas que tem. E se não tanto cafona, pelo menos explicita o quanto é estranho um mano Caetano, sexagenário, fazer um disco que é de rock. Ele não esconde isso. São também diálogos inevitáveis para mim os com Los Hermanos (que eu apenas intuo, mas não identifico referências diretas) e com o que se fez daqueles que já foram rock stars, como um Mick Jagger da vida. Não me refiro a uma personalidade especificamente, mas o que se tornaram esses rock stars depois que o “rock errou” e o seu tempo já ficou marcado na história. Eles, jovens e inovadores na época áurea, envelheceram. Caetano também envelheceu. Mas para demonstrar que musicalmente não envelheceu, e se manter coerente sendo Caetano, é que talvez esse disco lhe sirva bem.</p>
<p>As duas músicas que eu mais gosto no Cê são Rocks e Eu não me arrependo.  A primeira é a mais emblemática e que melhor representa o disco (esta palavra ainda entra em desuso, melhor seria “álbum”).  Trata-se de uma situação totalmente brega: uma mulher que tatuou um Ganesha na coxa e saiu por aí exigindo “rocks” e um cara que é apaixonado por ela, que passa a música cantando sua dor de cotovelo, reclamando que ela foi “rata comigo demais” (na verdade, sempre que eu escuto acho que a “mulher que tatuou o Ganesha na coxa” é descrição do próprio “cara” que canta com sinceridade a dor de cotovelo dele &#8211;  e em Caetano essa leitura é plausível). Caetano canta de uma forma que finge soar séria, mas é pastiche; a banda o acompanha bem num rock caricatural. Caricatural como é todo o disco, aliás. Mas nada que soe inocente, como já disse: é um disco da maturidade de Caetano Veloso. Já Eu não me arrependo é o contrario disso, uma singela balada. A única canção do Cê que se possa dizer “limpa” e que de alguma forma se pretenda mais séria e funcione longe do contexto do álbum. É a história dele com Paula Lavigne, com uma indeterminação do que há de particular, assim como em Itapuã (Circulado, 1991), que por sua vez fazia referências a Dedé, sua primeira esposa. E se não são duas músicas que falam de ex-mulheres, puts, estou muito enganado então.</p>
<p>Enquanto o Cê é rock ao extremo, e com todas as suas peculiaridades, Zii e Zie faz a mesma banda tocar uma mistura de samba com rock que não é “sambarock”.  Diz Caetano que é um disco feito no Rio mas pensando em São Paulo. Ele queria ter lançado o disco em Sampa mas será no Rio o primeiro show. “Zii e Zie”, que é italiano, significa em português “tio e tia”. Acho um nome feio pra caramba, mas é uma maneira engraçada de fazer sua referência inusitada a São Paulo. Ele já falou em entrevista recente que gosta desse jeito brega/deselegante de São Paulo (sobretudo aquela ponte espraiada, árvore de natal de novo rico) e já cantou a “deselegância discreta de suas meninas”. Em Zii e Zie acalma-se a rebeldia que havia no disco anterior. Quer dizer, as letras no geral são mais leves, mesmo quando se trata de problemas sociais: ou o do menino que entra para o tráfico (“Perdeu”) ou o da menina do Leblon que usa drogas ( “Falso Leblon”). Mesmo sua resposta à música Para o mano Caetano, que Lobão gravou em 2001, não traz propriamente uma resposta mas “aproveita a oportunidade” para exaltar o velho lobo. A música  <em>Lobão tem razão</em> emula as imagens exageradas, pretensiosas, confusas e às vezes belas do velho lobo e não revida nenhuma crítica que o mano Caetano recebeu. Mas isso retoricamente, claro, deixa o outro com a responsabilidade de ter razão. Assim, Caetano canta: &#8220;Lobão tem razão&#8221;. Ironia sim, mas não agressiva. É como se com o Zii e Zie Caetano Veloso dissesse que, apesar de motivos para o contrário, ele está dócil. Enfim, Zii e Zie é um disco dócil num ambiente que não o pede.</p>
<p>Mas Caetano eu nunca escuto em uma sentada só. Gosto de escutá-lo exaustivamente mas sem muita atenção, quando estou trabalhando. E daí ir identificando coisas que me chamam a atenção. Num processo que às vezes dura meses para eu parar e  sentar para escutar de verdade o disco (com meu ouvido pouco musical, diga-se). Aí sim eu conheço um pouco melhor o disco. Este post é também para eu de alguma forma registrar a minha apreciação ligeira de um disco novo do Caetano. E como faria disso um post, o que eu inclusive já havia tentado com outros discos. Mas esse quis sair, e nunca é bom recalcar um comentário sobre o Caetano. Devia ter dito isso no começo, mas não que faça diferença. Por isso está tudo embaralhado, disperso e sem um fio condutor que se possa exigir de alguém que saiba falar de música – pessoa essa que não sou, mas realmente não importa.</p>
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