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	<title>Perambulagens &#187; Reflexão</title>
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		<title>Poema que não será de amor</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 19:51:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[As pessoas às vezes não entendem que os poemas que venho escrevendo não valem propriamente pelo seu resultado poético. Antes, esses poemas devem ser lidos pela perspectiva do processo de escrevê-los, a procura de uma dicção própria e um caminho frutífero dentro da poesia contemporânea (não no sentido de se filiar a uma &#8220;escola&#8221;, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As pessoas às vezes não entendem que os poemas que venho escrevendo não valem propriamente pelo seu resultado poético. Antes, esses poemas devem ser lidos pela perspectiva do processo de escrevê-los, a procura de uma dicção própria e um caminho frutífero dentro da poesia contemporânea (não no sentido de se filiar a uma &#8220;escola&#8221;, e sim no de encontrar, como disse, um início de arte poética). Portanto, são um estudo prático da linguagem poética e seus efeitos, sob a perspectiva de poemas que um dia serão escritos. São uma oficina à mostra, o rascunho de uma obra em progesso. Claro, o que publico aqui no blog é uma pequena parte do todo.</p>
<p>Quem os ler cronologicamente perceberá que, desde os <a href="http://breviario.org/perambulagens/2009/02/19/tres-novos-poemas/">Três novos poemas</a> a este de agora, passando pelos <a href="http://breviario.org/perambulagens/2009/04/29/poemas-cariocas/">&#8220;Cariocas&#8221;</a>, há uma evolução interna e de alguma forma coerente. &#8220;Evolução&#8221; sobretudo no sentido de se escrever avaliando o resultado anterior e, a partir dessa autocrítica, o desenvolvimento do novo poema. Comecei com um poema fechado, quadrado, teórico, &#8220;<a href="http://breviario.org/perambulagens/2009/02/19/tres-novos-poemas/">(Perícope)</a>&#8220;, e pouco a pouco fui aplicando em novos poemas o que esse prometia e não existia no próprio poema &#8211; ainda que o resultado não fosse melhor. Mas claro que surgem novas dificuldades, temas, formas, idéias, influências, etc.</p>
<p>Talvez não fique claro para todos o que tento explicar e nem posso exigir isso de meu leitor. E se o digo, é porque sinto que meus poemas ainda precisam dessa precaução. Entretanto, cada vez mais os poemas recentes têm se desprendido desse <em>projeto</em> que impus à minha poesia. Leiam vocês mesmos:<br />
 <br />
<strong>Poema que não será de amor</strong><br />
<em>Ao contrário de</em> Não sobre o amor<em>, peça de Felipe Hirsch</em></p>
<p>Sobre a escrivaninha,<br />
ainda os poemas são<br />
a cena de que paredes</p>
<p>perambulam igual a procura<br />
da palavra: rascunho a punho</p>
<p>madrugada afora,<br />
em silêncio sem vertigem.</p>
<p>Encorpam-se então<br />
no que da vida se ausenta;<br />
no traço magro do verso,<br />
o desterro onde encerrar<br />
um cadáver que te quero<br />
longe, amor, engendram:</p>
<p>de resto são corpo<br />
aberto em seu fim.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Sem querer conscientemente, reescrevi em <em>Poema que não será de amor </em>aquele que era o meu primeiro poema:</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><strong>(Perícope)</strong></p>
<p>Como um fotógrafo,<br />
Contornar-te-ei,</p>
<p>Coisa amorfa num<br />
Espaço em transe.</p>
<p>Não resistes à palavra,<br />
Exista esse tenso limite</p>
<p>— Sem que te vejas parar.<br />
Minha poesia é um corpo</p>
<p>Oco: sem que o sintas<br />
<span style="color: #ffffff">………………………………..</span>ei-lo a ti<br />
<span style="color: #ffffff">……………………………………………….</span>(és feito um peito)</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Por um lado gostei do <em>Poema que não será de amor</em>, arrisco até dizer que é o melhor de todos os poemas que escrevi. Por outro, é estranho essa quase <em>reescrita</em> do primeiro poema, essa semelhança, essa volta a um princípio depois de tanto tempo. Ou o que seria pior: a retomada da mesma promessa que se fazia no <em>(Perícope)</em>, embora de alguma forma tenha sido renovada no <em>Poema que não será de amor</em>. Por mais chegar a isto fosse o que eu queria a princípio.</p>
<p>Mas a favor dele, existe uma problematização que não é resolvida. O <em>que não será de amor</em> tem uma descrição do processo de escrita, sob a vista da tese de que o poema que nele vai se escrevendo não será sobre amor. Como disse, ele não se resolve, mesmo que tente definir &#8220;de resto [os poemas] são corpo/ aberto em seu fim&#8221;, que ao mesmo tempo afirma e nega o resto do poema. E esse poema que se escreveu, além de não ser sobre amor, é sobre o quê?</p>
<p>Já no (Perícope) tudo é resolvido: o poema está como uma mera fantasia, um corpo cujo coração baterá se o leitor o fizer. Aliás, para saber, &#8220;perícope&#8221; é o recorte de um texto geralmente religioso ou literário usado para fins de pregação ou análise e que consegue se remeter ao seu todo. O objetivo era que o poema &#8220;recortasse&#8221; o que nele próprio era &#8220;oco&#8221; (ou seja, algo nele mesmo vazio), mostrando/pedindo que o leitor devesse dar sentido ao que não tinha e explicitando em seu verso o traço do recorte, por onde se fez o recorte. Mas isso acaba ficando meio que sem sentido&#8230;</p>
<p>Além disso, é como se o <em>Poema que não será de amor</em> demonstrasse que aquele projeto inicial chegou a algum ponto que eu planejava. O <em>que não será de amor</em>, menos de uns e mais de outros, tem um pouco de todos os meus poemas. É quase uma síntese, tanto dos poemas quanto do processo de escrita.</p>
<p>Mas a precaução acima continuará valendo.</p>
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		<title>Aprovada lei antifumo em São Paulo</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 18:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem foi aprovada a lei que proíbe o fumo em ambientes fechados, como bares e restaurantes. Agora aos fumantes resta fumar em sua própria casa (e na de amigos fumantes) ou na rua. Ok, há ainda a brecha da lei que pelo menos permite o fumo em tabacarias &#8211; e pelo visto até o Bar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem foi aprovada a lei que proíbe o fumo em ambientes fechados, como bares e restaurantes. Agora aos fumantes resta fumar em sua própria casa (e na de amigos fumantes) ou na rua. Ok, há ainda a <em>brecha</em> da lei que pelo menos permite o fumo em tabacarias &#8211; e pelo visto até o Bar do Seu Vital vai se tornar uma, em mais ou menos tempo.</p>
<p>A <a href="http://aceitumdrink.blogspot.com">Daia</a> me lembrou um artigo do <strong>João Pereira Coutinho</strong> que comenta muito bem esse anti-tabagismo. Reproduzo na íntegra o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult2707u1.shtml">texto</a>:</p>
<h2>Lauren Bacall, por favor</h2>
<p>Conheço pessoas que não fumam. E conheço pessoas que não fumam e não querem que os outros fumem. As primeiras são infelizes. As segundas são miseráveis. Miseráveis mas realizadas: no mundo moderno, não fumar é marca de saúde física, mental &#8211;e, atenção, gente, moral também. Basta ver as medidas sanitárias que a Europa pretende aplicar. A curto prazo, os pacotes de cigarros dos europeus terão imagens-choque para afastar fumantes ativos ou passivos, presentes ou futuros. Como no Brasil. Mas pior, muito pior que o Brasil: corpos mutilados pelo câncer, cadáveres putrefatos. E, claro, a imagem triste de um pênis triste, precocemente arruinado. A idéia não é prevenir. Os fanáticos querem mais: querem humilhar o fumante, enfiar o fumante numa jaula de circo e dizer: &#8220;Olhem só como é decadente! Olhem só como é impotente!&#8221; Hitler não faria melhor.</p>
<p>Exagero? Longe disso. Robert Proctor, que as patrulhas higiênicas deviam ler, explicou tudo em The Nazi War on Cancer (Princeton University Press, 379 pp.). A leitura de Proctor é arrepiante mas a tese é magistral: as campanhas antitabagistas do mundo moderno nasceram na Alemanha das décadas de 1930 e 1940. Nasceram com a preocupação nazi em combater o vício e, óbvio, humilhar publicamente os viciosos. Humilhar consumidores de morfina. Cocaína. Coca-Cola. E enfiar os fumantes no gueto da vergonha social. Quando Hitler chegou ao poder em 1933, o tabaco era reconhecido como semente do mal. Causa de tudo.</p>
<p>Infertilidade. Impotência. Câncer. Enfarte. Comunismo. Uma ameaça direta à pureza da raça ariana e sua excelência física e mental. O próprio Adolfo se empenhou pessoalmente no caso. Ele não fumava. Ele gostava de dizer que não fumava. Nem ele, nem Mussolini, nem Franco &#8211;tudo boa gente. Pelo contrário: Churchill e Roosevelt eram conhecidos fumantes, exemplos de ruína pessoal e moral. A evitar.</p>
<p>Falou e disse: a partir de 1933, as campanhas estavam nas ruas. Gigantescas imagens onde o fumante típico era tratado como débil sem dignidade ou vergonha (tradução: um judeu manipulador que introduzira o cigarro na Alemanha para exterminar o povo nativo). Ninguém escapou. As donzelas viciosas eram pintadas em pose masculina, a versão clássica da &#8216;mulher com barba&#8217;, fenômeno de circo para horrorizar a burguesia. E homens fumantes eram seres sexualmente arruinados, com traços femininos, lânguidos, tristemente adocicados. O tabaco surgia em sagrada aliança com tudo que era condenável. Jazz. Swing. Álcool. Jogo. Cupidez. Devassidão. Orgia.</p>
<p>Azar: seis anos depois, os alemães estavam fumando a dobrar. Em 1933, o alemão médio fumava 570 cigarros por ano. Em 1939, antes da Segunda Guerra, fumava 900. Proctor avança razões. Todas elas sublinham o essencial: fruto proibido é mais apetecido. Histórica clássica. Bíblica. Razão de nossos prazeres e nossas desgraças. Ninguém deixa de fumar por causa do fanatismo de terceiros. Pior: o fanatismo de terceiros acaba por ser inútil &#8211;e até contraproducente. Conheço gente que não fumava &#8212; e começou só por rebeldia. O velho spleen de que falava Baudelaire. Existe nos seres humanos um mecanismo de destruição que é preciso compreender, aceitar e tolerar. Se o mundo fosse feito de anjos, etc e tal.</p>
<p>Fumar faz mal. Mas também faz bem: as pessoas que fumam são mais tolerantes, mais calmas, mais interessantes. E invulgarmente mais pecaminosas. Uma mulher é uma mulher. Uma mulher que fuma é uma mulher que arrasa. Por isso proponho: todos os pacotes de cigarros deviam ter duas imagens. De um lado, o pênis caído. Do outro, Lauren Bacall chupando um Marlboro clássico. De um lado, pulmões enfiados em sujeira. Do outro, o rosto de Bacall enfiado em fumaça.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult2707u1.shtml">Fonte: Folha de São Paulo</a></p>
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		<title>Conhecimentos de tecnologia e a poesia</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jan 2008 21:49:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Não pouca gente diz que eu, enquanto poeta, saio na frente por ter bons conhecimentos de informática e web. E que eu deveria usar meus conhecimentos na poesia. Para a poesia, de certa forma, uso-os. Não especificamente em poesia, sim para os bons textos. Veja-se o Breviário, por exemplo. De certa forma ele foi possível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Não pouca gente diz que eu, enquanto poeta, saio na frente por ter bons conhecimentos de informática e web. E que eu deveria usar meus conhecimentos na poesia. Para a poesia, de certa forma, uso-os. Não especificamente em poesia, sim para os bons textos. Veja-se o Breviário, por exemplo. De certa forma ele foi possível por eu ter conhecimentos, digamos, “avançados” de tecnologia. Mas, oras, não há poesia que precise de tecnologia.</p>
<p class="MsoNormal">Podem os poetas escrever diretamente no computador (o que deve ser difícil, já que não se alcançam as possibilidades do papel), podem poetas entre si se comunicarem via e-mail, e até chat. Tudo isso pode ser uma facilidade ao aspirante de poeta, e mesmo ao poeta formado. Contudo, façam-me o favor, poesia nada tem a ver com tecnologia, à parte essa chula rima.</p>
<p class="MsoNormal">Desculpem se desprezo estes movimentos todos que se utilizam da tecnologia para pretensamente produzir arte. Pode até ser que, um dia, quem sabe? Mas qualquer coisa deste sentido nas próximas décadas está absolutamente fadada ao fracasso, posto que, em menos de cinco anos, <span> </span>uma solução informática pode ser percebida claramente ultrapassada (tecnologicamente limitada).</p>
<p class="MsoNormal">Um instrumento musical é capaz de sons que nem o ouvido humano nem os formatos digitais são capaz de perceber/gravar. Uma câmera digital, para determinadas necessidades, é inviável: porque sua resolução de 10mb pixels inviabiliza que seja impressa a foto em determinado tamanho (tamanho gigantesco, claro) mantendo-se a qualidade.<span>  </span>As pinturas, pobres elas. Sofremos porque não podemos vê-las como merecem ser vistas –<span>  </span>no original, inclusive sem os limites de correntes e faixas amarelas de um museu, devem ser avaliadas de perto. Quem dirá na tela de um computador!, onde tudo é dividido em meros pixels. Meros mesmo, porque muitas vezes o formato em pixel não é suficiente aos próprios profissionais de web.</p>
<p class="MsoNormal">Conservador? Devo sê-lo, afinal prefiro um livro a um pdf; se gostasse tanto de música, um cd (se é que ele é suficiente) a uma mp3 de alta qualidade; uma tela original a uma reprodução em jpeg. O texto, no entanto, ainda pode ser reproduzido em qualquer meio, porque é o mais artificial, o mais “abstrato” dos meios. E o maior inconveniente deve ser mesmo a luz que um monitor emite.</p>
<p class="MsoNormal">A poesia, portanto, ainda que seja a mais fácil das artes de ser transportada, é a que menos aproveitaria os benefícios da tecnologia. Ou diga-se, então, como eu deveria utilizar meus conhecimentos de informática <strong>na poesia</strong>? O máximo, o máximo, pode ser a reflexão que este mundo em seu auge e tão limitado pode me proporcionar. E se eu tiver arte suficiente para fazer isso em verso. O que é outra história.</p>
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