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	<title>Perambulagens &#187; Cotidiano</title>
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		<title>O clã vulgar</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 04:04:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[“Todas as companhias são más – menos a dos iguais” (Nietzsche) Percorrendo os misteriosos labirintos que conduzem da direita à esquerda, não é difícil descobrir que os aparentemente tortuosos caminhos não passam, afinal de contas, de uma simplicíssima linha reta como que em gradiente: de um lado as afetações socialistas, de outro umas afetações mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Todas as companhias são más – menos a dos iguais” (Nietzsche)</em></p>
<p>Percorrendo os misteriosos labirintos que conduzem da direita à esquerda, não é difícil descobrir que os aparentemente tortuosos caminhos não passam, afinal de contas, de uma simplicíssima linha reta como que em gradiente: de um lado as afetações socialistas, de outro umas afetações mais ou menos liberais, e no meio termo disso há indivíduos reunidos em clãs que vão se definindo por um senso de comuns inteligência, elegância e justiça. Quem se importa com a verdade!</p>
<p>Afirmam-se pela sua inteligência superior embora, de fato, seja toda a gente um pouquinho humilde em suas colocações, ó mundo complicado, como é precária a nossa educação! Como eu preferia viver em uma era de áurea educação – e ter sido eleito para viver entre os aristocratas, brada um deles. Quem os entende? Pouco importa onde se encontra algum tipo de razão, onde a verdade é mais suculenta ou a ética, mais universal &#8212; oras, mas não é apenas em nós próprios que elas existem, ainda que possuam um fundamento inevitavelmente natural, tão provavelmente selvagem? Nós, homens cosmopolitas, como cedemos a instintos tão mesquinhos!</p>
<p>Mas não é propriamente de esquerda ou direita que quero falar, aliás tanto faz se o que reúne indivíduos em grupo é certo ideal antifascista dos que se aglomeram nas academias de humanas, se é o ideal antiacadêmico dos liberais aristotélicos que tiveram a academia surrupiada pelos marxistas ou ainda o ideal não menos digno dos marombados que freqüentam academias de musculação à procura do corpo sarado. Se há algo um tanto quanto romântico que os séculos não apagaram e que decerto há de acompanhar o indivíduo hoje já moderno também pelas décadas vindouras, e cada vez mais e mais modernas, “avançadas”, é o digamos assim &#8220;arquétipo de ideal&#8221;, uma gregária forma oca e muito semelhante em qualquer um dos clãs que se encontram por aí (o emo, o comunista, o direitista, etc.), fórmula essa que é recheada com ideologias como que escolhidas em um restaurante self-service &#8211; no Subway por exemplo. Preferem o Bob’s? Desse modo, os indivíduos agem por maneiras mais ou menos iguais, apenas defendendo a sua causa e tratando de nomear os inimigos – para se definir. Quanta insegurança!</p>
<p>O mais curioso de tudo, como seria de esperar, é que dentro desse panorama a <em>minha verdade</em> não tem qualquer tipo de valor, e esta é curiosamente descartada em nome da <em>nossa verdade</em>­ – nós, iguais até na verdade; entretanto, não há nada de novo em se pensar numa verdade coletiva, afinal não são hoje praticamente os mesmos seres humanos que há poucos séculos se amontoavam sob guarda-chuvas de uma cultura que os fazia semelhantes a podar-lhes qualquer liberdade pelo bom convívio? Lembrem do filho pródigo: educa-se mesmo o mais indignado a preparar a sua volta, não é Michael Corleone? Os mais iguais, os mais previsíveis, não serão por conseqüência os mais revoltados? Pois bem, é improvável que nisso não haja uma característica do que seja a “natureza humana”, com o perdão da expressão assim deselegante, tão gasta. Será muito absurdo afirmar que o projeto de indivíduo nunca passou de um golpe de marketing de uns primeiros burgueses que pagavam a bons poetas por uma mentirazinha sincera e assim pudessem construir impérios tão poderosos? Até hoje, o que mais se vende é a idéia de liberdade, e para isso é preciso aprisionar o consumidor.</p>
<p>Nossa memória é curta, caros amigos, e não nos caberá, portanto, deixar de notar as nuances de um mundo contemporâneo que inevitavelmente se define pelo seu passado mais recente – isto é, pelo século mais vulgar e sublime de todos, aquele século 20 em que se vivenciou o amálgama das delícias e absurdos de uma cultura de massa como oposição à aristocracia ainda vigente, de ideologias de massa, o nazismo, o comunismo; jamais se proliferaram tantos e tão sutis matizes de pensamento, ó século onde os gênios se multiplicaram como leporídeos, a sem dúvida nenhuma mais profícua era das diferenças radicais que, como era de se esperar, encontraram o acordo para a convivência pacífica desses radicais que já não suportavam a própria radicalidade. Um acordo político, covarde na medida em que a qualquer custo evita-se o combate das diferenças, procuram-se as semelhanças entre os chamados indivíduos senhores das próprias vontades, o que permite compartilhar um mesmo espaço, ideologicamente se proteger. É a primeira vez que vemos o fim das lutas, ainda mais da luta de classes, e agora a realidade praticamente sem nenhuma dureza e muitas afetações típicas de clãs –  e o que dizer do Brasil cujo Governo que faz a economia dos mais pobres crescer 12% e agrada tanto aos pobres quanto aos mais ricos – exceto pelo preconceito puro e simples de o presidente ser &#8220;analfabeto&#8221;, embora economicamente eles o amem, esses conservadores natos. Nada restou de perigoso, não há nem mesmo um ideal pelo que lutar ou um inimigo real, digno, a combater. Nada restou, e quem sabe o próprio nada é que talvez seja o inimigo: onde ele está? Não digo, não está em lugar nenhum. – Acaso estará em toda a parte? Isso já é intriga da oposição.</p>
<p>Somos quase iguais uns aos outros; a democracia nos poliu, o passado amargo nos tornou bons, embora seja verdade que para isso a própria verdade tenha de ter perdido o seu valor: ela própria é esvaziada de sentido assim como a vida. Ser existencialista <em>lato sensu</em>, com maior ou menor grau de consciência disso, não é mais tarefa exclusiva de filósofos meio vesgos e esse exercício cabe a qualquer indivíduo, o mais cristão dos homens precisará constantemente reafirmar a sua fé combatendo o nada, idem para a fé do ateu. Não há tarefa mais ingrata que a afirmação ou, em outras palavras, combater os diferentes em busca de comprovar racionalmente uma verdade, que só é o valor em que se acredita – porque só a razão salva! A dificuldade, talvez impossibilidade, reside no fato meio óbvio de que não há qualquer tipo de argumento que se comprove completamente através da razão, e mesmo a realidade mais simples &#8211; eu estou aqui, eu existo, este papel está em minhas mãos &#8211; exige uma fé desgraçada. Mas evitemos falar de <em>duvidar</em>, que se conduz a própria dúvida a um estado de loucura irreversível.</p>
<p>A mais cruel das invenções humanas foi uma palavrinha maldita, utilizada em tantos contextos e com a intenção que mais convinha, a recair sobre nós como uma pedra sobre os ombros: liberdade. Haverá homens livres? Mas é claro que sim, <em>eu</em> sou livre, tenho pensamentos privilegiados, não me igualo à massa irracional, à massa cega incapaz de perceber um elefante à frente dos olhos! Eu sou livre, mas não sou o único a ser livre, tenho amigos igualmente livres, tenho meu grupo reduzido em quantidade mas valoroso em qualidade que é avalista de minha liberdade: ouso dizer que obtive muita sorte do destino em encontrar pessoas tão inteligentes, tão livres quanto eu, ah! já diziam que os fortes se reúnem, as boas companhias andam juntas para combater a turba frenética e medícore que habita esse mundo de meu deus! Quanto aos reles: diz com quem andas e direi quem és.</p>
<p>Não consigo evitar a digressão dentro de digressões, é mais forte do que eu. E se falávamos de amigos, sou levado por um impulso de repentina sinceridade a acrescentar que uma amizade só é boa com o seu dessemelhante: para se tornar amigo e não um bajulador ideológico, é indispensável desprezar completamente a ideologia daquele com o qual se relaciona, no sentido de combatê-la, provocá-la. Somente assim, será possível – mas não garantido &#8211; que essa relação de amizade ao invés de se concretizar nas aparências se construa tão forte que supere questões irrelevantes como a moral ou a <em>verdade</em>. Estas devem ser reservadas aos inimigos. Concordo contigo, logo te desprezo tanto quanto a mim mesmo – eis meu emblema.</p>
<p>Os homens só se reúnem para atividades esdrúxulas, mas não necessariamente indignas como um chope gelado, futebol no Maracanã ou uma passeata contra o maltrato aos animais; o único mal é se crêem nas suas certezas! Hum, vejam como pude um pensamento tão profundo, tão metafísico, que só poderia vir de minha natureza inevitavelmente superior. Vocês viram aquele filme do Bope? Que fascista, como pode usar de tanta violência, isso só engedra mais violência mesmo&#8230; por isso eu nem posso andar à noite no meu bairro, se não roubam meu BlackBerry. Opa – Asdrúbal, traz a conta aí! – Você chama um taxi?</p>
<p>Um clã começa por um valor compartilhado e esse valor pode ser o mais diverso possível: um time de futebol, uma posição política, uma música que se ouve, uma religião, enfim qualquer motivo que permita idealizar uma situação melhor -  e mesmo um clã de suicidas mira-se num tempo melhor, o tempo futuro em que terão fugido desse mundo de sofrimento; é certo que falar da morte, seduzirem-se uns aos outros pele comum aniquilamento, proporciona-lhes um prazer hedonista! É preciso mirar-se num totem invisível: seja um deus, uma ideia, uma banda, uma filosofia, um objetivo. Outra coisa: é preciso demonizar, por isso há de se encontrar um clã rival, mesmo que esse clã seja afinal de contas toda a sociedade – em geral todavia é sempre algo muito próximo do clã (a direita e a esquerda, os médicos e os enfermeiros, etc.)  e via de regra simplesmente se invertem determinados valores para termos a justificativa sublime para o embate ideológico, em outras palavras, para debate de ideias, para o questionamento da Verdade. É A, não: é B, seus burros: é C. Está aí o ABC dos clãs, com o perdão do trocadilho. Por que o sapo-cururu, transido de frio, soluça lá da beira do rio?</p>
<p>No caso do futebol a relação entre clãs se dá de uma maneira bastante infantil, todos sabem – mas quem disse que não temos direito a ser infantis! Todos ali afinal são futebolistas, são iguais ao menos naquele instante, no grito enérgico do gol – e são ainda mais iguais quando se negam, cada qual com o seu time de coração. Há clãs onde se encontram pessoas mais sutis, é verdade, e por isso elas não podem parecer tão vulgares quanto um: corintiano! Tudo é mera questão de linguagem, e para se diferenciar de seus inimigos, demonstrar a sua superioridade, o sujeito utiliza-se de termos técnicos compartilhados pelo clã: é preciso ser hermético para o inimigo, que ele jamais possa saber como atacar, afinal o ataque é fácil diante de uma falta de perspectivas generalizada, é preciso que os indivíduos reunidos em clãs jamais possam ser atacados – por vezes eles até criam seitas secretas em cavernas protegidas do convívio com a turba. Há nisso uma grande lição a se retirar, um profundo ensinamento: afaste o inimigo sem deixá-lo questionar o que você tem de pensamento, use palavras como barricadas, chame-o de fascista ou de feio. Em oposição a tudo o que foi dito, só um grande homem, como o artista por exemplo, poderá discutir as suas principais questões sem precisar recorrer a cientificismos baratos – ele as levará a um estado de realidade, sem preconceitos cuja única função é proteger-se de ataques rivais. Só o artista não é covarde, não se rebaixa ao ponto de pedir o aval de seu próximo: caso o artista não seja um cavaleiro solitário, que ao menos a sua criação o seja – e é.</p>
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		<title>Aniversário em pleno carnaval</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Feb 2008 00:44:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>

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		<description><![CDATA[Este post vem meio atrasado. Comecei a escrevê-lo ainda na Rodoviária de Belo Horizonte, terça-feira última, numa lan house. Eu voltava de Ouro Preto e teria de esperar umas horas até vir meu ônibus. Acabou o tempo contratado e, chegando a São Paulo, trabalhei muito, sem tempo de respirar. Eis o post, às pressas. * [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este post vem meio atrasado. Comecei a escrevê-lo ainda na Rodoviária de Belo Horizonte, terça-feira última, numa lan house. Eu voltava de Ouro Preto e teria de esperar umas horas até vir meu ônibus. Acabou o tempo contratado e, chegando a São Paulo, trabalhei muito, sem tempo de respirar. Eis o post, às pressas.</p>
<p>*</p>
<p>Pois é, meus caros. Imaginem que meu aniversário veio a cair em pleno carnaval. Não me lembrava de já me ter acontecido isso, que teoricamente é uma catástrofe. Mas explicar-vos-ei por que não foi tão mau assim. Fui passar carnaval em Ouro Preto pelo simples motivo de lá ainda estarem vários amigos que fazem o curso de Letras da UFOP, que abandonei. O carnaval não me agrada, mas s companhias e as bebidas sim. Além do mais, era a única folga visível.</p>
<p>Não é por ser uma cidade com uma bela arquitetura que as comemorações lá são menos vulgares, esteticamente falando. Como era de se esperar, muita música ruim e dança de ir mexendo até o chão, que está sempre imundo (suor, cerveja e urina). Vocês sabem, eu não sei dançar.</p>
<p>O aniversário. Após ter acordado lá pelo meio-dia, vislumbrei pela janela uma merencória chuva. Entre um cigarro e outro, um telefonema que me parabenizava e outro, uma tarde semi-entediante foi-se acabando. Como só havia três pessoas na casa, jogávamos buraco um contra o outro, bebendo muita Coca-Cola, sendo que o vencedor jogava contra quem estava &#8220;de fora&#8221;. E todo mundo só queria estar <span>de fora</span>. Mas não mais do que de repente, eu e os meu amigos nos aprumamos. Bem vestidos, cabelos penteados e lavados, demos a graça de nosso ar na rua entupida de gente. Rompemos a multidão com nossos passos ritmados numa espécie de fuga, entretanto jamais fora do compasso intuitivo.</p>
<p>Dirigimo-nos, pois, ao melhor restaurante da cidade. Aqui, nas paredes havia quadros que podiam ser bons e a mobília, de madeira de lei, nos abrigou enquanto pessoas vindas do carnaval iam e viam. Comemos algumas boas coisas, bebemos boa cerveja etc. E então fechamos a conta brindando a superioridade de nossos espíritos aristocráticos com doses de Chivas 12 anos.</p>
<p>Em seguida, dirigimo-nos a pé até um bar que não é de meus tempos de estudante em Ouro Preto (oh! esqueço de dizer: eu estava em Mariana na verdade &#8211; eu uso OP para me referir a ambas as cidades, saibam) . Mais uma vez passando pela multidão que, em plenos farrapos morais e estéticos, estranhava aonde iam pessoas de tamanho requinte. Quer dizer, eles deviam exclamar para si mesmos, indignados, <em>que porra é essa, estamos em </em>carnaval etc.</p>
<p>Mas nós, meus caros, antes de tudo estávamos indo ao Scotch Art,  bar construído em uma casa de arquitetura barroca, com boa música popular, bebidas e charutos. Sabíamos de nossa responsabilidade para com a estética universal. Comemos alguma coisa mais (era poética a culinária de lá), conversamos e &#8211; para que a noite se fechasse com uma chave de ouro parnasiana &#8211; bebi sublimes doses de absinto e acendi um charuto cubano, soltando baforadas densas. No bar dançava sensual a fada verde, que reprimia qualquer átomo que estivesse alheio ao nossa espírito dândi.</p>
<p>*</p>
<p>E lá ela continua eterna, e nós em sua retina que se surpreendera e petrificara-se.</p>
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		<title>Dia da coincidência negra</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Nov 2007 17:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Logo hoje, neste dia tão marcante e fundamental, feriado em São Paulo, saudoso dia da coincidência negra, para mim não há nada de coincidente à parte o fato de a terça-feira ser o mesmíssimo dia laborioso e cotidiano, mas eu não trabalhar. Tudo igual, imutável, ainda que eu tenha levantado tarde. Agora vou sair de casa e tomar cerveja, para não ver o domingo passar. O dia de mais alguém terrivelmente se coincide com o meu?</p>
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		<title>A tal da &#8216;blitz cultural&#8217;</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Sep 2007 18:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguém aí sofreu os mesmos danos morais que eu? É assim: você, após um dia do martírio de ter de trabalhar, pega seu ônibus pensando que agora tudo acabou, que logo estará em casa e assistirá ao jogo. Mas eis que, nesse ônibus, há um sujeito que você evita olhar: veste um casaco batido, usa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguém aí sofreu os mesmos danos morais que eu? É assim: você, após um dia do martírio de ter de trabalhar, pega seu <span>ônibus</span> pensando que agora tudo acabou, que logo estará em casa e assistirá ao jogo. Mas eis que, nesse <span>ônibus</span>, há um sujeito que você evita olhar: veste um casaco batido, usa luvas meticulosamente rasgadas nos dedos e, pasmem, agora põe um nariz de palhaço. Deus do céu, o que será? Hum, um criativo assalto no <span>ônibus</span>. A perda de um real e pouco não seria má, posta a história que eu legaria.</p>
<p>Vejo-o saindo de onde estava, usava uma calça de marca. E não é que o rapaz já de meia-idade começa então a <span>sutilmente</span> gritar alto no <span>ônibus</span> como se falasse a um hipotético celular e, alguns minutos depois de muita &#8216;conversa&#8217; com um suposto &#8216;<span>diretor</span>&#8216;, anuncia que esta é a <span>blitz</span> cultural, trazendo alegria ao <span>busão</span>! E não é que ele passa toda a viagem gritando e fazendo piada com os passageiros? E não é que o rapaz se acha um artista! Por sorte, desci logo. Me segurei, mas desci no ponto certo. Quase parava numa dessas ruas escuras clamando que me assaltassem.</p>
<p>E se nosso digno palhaço fosse um assaltante fantasiado, eu pelo menos teria uma história para contar aos netos que não terei. Mas que graça haveria contar como foi, contar de uma personagem cujo nome é P.M.: &#8220;palhaço maluco&#8221;? E contar que a <span>platéia</span> foi participativa? Ah, coisa de quem assistiu muito à <span>Xuxa</span>.</p>
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