Poemas cariocas
Postado em April 29, 2009
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São poemas cariocas só porque os escrevi no Rio de Janeiro, neste feriado da semana santa.
Poema sonâmbulo
Para Fabiano Calixto
As lojas as pessoas muros
ficam tudo é estanque
da partida ao destino
a janela é um sonífero
o ônibus na volta
ninguém vem em pé
uma senhora muito gorda
espera dois assentos
sentar-se não lhe alegra
a boca que é um parêntese
ontem um rascunho uns versos
te renderam e não há
desculpa nem uma nova idéia
me bastava escrever um poema
como a lenda moçambicana
a terra anda quando se sonha
em São Paulo gente
nenhuma vive sem insônia
nem se atenta mas se espanta.
*
Poema à beira da loucura
Este poema procura
tornar-se livre
rimbaudianamente
Ir-se na torrente
que ao poeta escape
e do papel se rapte
Lembra o potencial
louco na fronteira
de não voltar a não sê-lo
Segura-se por um fio
que é a rédea do poema
e pode acabá-lo
*
Poema autopunitivo
Quanto mais distante
mais o seu princípio
lhe dava as caras.
Pune-se explicitando
que antes já era clara
a sua punição.
O que se opta então
é só passar de
um a outro verso.
Redima a redundância,
sua punição
de apenas se repetir.
*
Poema fraturado
Para Emmanuel Santhiago
O meu verso bonito
soa falso e manca Ainda
assim é bonito Mas se a minha
palavra manca quando procura marchar
como um poema bonito Forço então um poema
não mais bonito Manco a fraturar-se pela própria marcha
*
Escrevendo este poema
Que o poema
ainda revele
o seu resvalo.
Que se leve
no fluxo das associações,
assim como vivo.
Cada dia não precise
que o seu instante
remeta-se à véspera.
O apartamento de temporada
que os lençóis desconheço
há muito é o meu lar.
What a lovely day for a 811817! SCK was here