Três novos poemas
Postado em February 19, 2009
Categoria Poemas | 19 comentários
Após muito tempo perambulando em outras áreas e outros bares, o bom filho à casa torna. Antes para marcar seu território e não deixar que um blogueiro sem blog invada esta pequena propriedade. Os poemas abaixo, escritos entre outubro de 2008 e fevereiro de 2009, na verdade não são coisas que se publiquem; mas como aqui se equivale a uma mesa de bar, leiam os amigos que ainda não o fizeram. Seguem em ordem cronológica para que se possa, mesmo que pouco, observar o mínimo do caminho que os poemas têm trilhado. Quanto ao blog, está que nem uma casa abandonada, eu sei: vou ter que cortar o mato, pregar uns parafusos, passar uma mão de tinta e me esforçar para meu lado underground não continue a preferir os casebres abandonados.
(Perícope)
Como um fotógrafo,
Contornar-te-ei,
Coisa amorfa num
Espaço em transe.
Não resistes à palavra,
Exista esse tenso limite
— Sem que te vejas parar.
Minha poesia é um corpo
Oco: sem que o sintas
………………………………..ei-lo a ti
……………………………………………….(és feito um peito)
***
O pulo do gato é o movimento muscular
da ascese, abrir a boca quem tem fome de viver:
como um tigre, num lapso, lançar-se sobre a presa.
Riscar-se o vidro da vida em silêncio tátil, assim é
o pulo do gato (nele cabiam meus olhos, cabia meu ser):
momento em que, do ápice, se avistarão os estilhaços.
O pulo do gato são palavras
Recolhidas em papel, sem poder:
Conceito em natureza morta.
***
Pouco
Gota a gota,
a gotas
A agonizar-me de não ter vindo o jorro
que eu já fui
Sou
aos poucos
Vi-
me no escuro
E outros ângulos
Pude
apavorar-me com novos cacos de velhas asceses
Ou não poder
nada
À espera
da medida
que em segredo
arranquei de vocês
, fraco
fiz
poemas
vãos para livrar-me de mim e de nós
vendo
seus espectros
se descolorirem na bola cega do sol
Só
Pouco
engendrei-
me
aonde
não doía
ter caído
Pouco pouco pouco.
A abraçá-los para que não vissem comigo.
Vinham os dias
Um sonho repentino
fazia-se
chance
Brilhava
esperança
Um sonho repetido
fazia-se
ranço
Esmaeci-me
no relicário
de meus clichês
Vivi a miséria
que não vira
em poesia
Feito zumbi
que viera dum livro
de Camus
sem crime
O que não assusta
A greve
de si ao menos
não agrava
uma garantida dor
Mas
nunca os vi
zumbis
Nem a cidade de São Paulo
:
transeunte zumbi
na imensa
Av. Paulista
Descobri-la
foi transgredir
as montanhas de Minas
Mas, Sampa,
não vira sua
saudade de nunca
ter se visto
Passo em falso é não
colocar-se alerta pro
tropeço
Poesia é para
consumar: seu sumo
some o ser,
como uma fruta
que a polpa
nadifica
e a casca
da palavra
é o cicerone
por mundos
maus e bons
que posso viver
Que me criaram
sem saber
a que levariam
Às vezes
ando ruas
vazio
Sento-me para fumar
Continuo escrevendo
para livrar-me
de por exemplo
ser feliz
aos poucos
lindos!
“Pude apavorar-me com novos cacos de velhas asceses”
Daia, obrigado pelo comentário!
sim, perambulo bastante! ando mais diurna porque a boemia tirou quase tudo de mim, mas ainda assim fico a saltitar por aí
O gato não pula errado!
“basta, ou é o suficiente”
Licença?, perdão, a correção
senti radiação boa, positiva
passando lá fora, entrei e
quem eu encontro?
“Sento-me para fumar
Continuo escrevendo
para livrar-me
de por exemplo
ser feliz
aos poucos”
aquele abraço
José, desculpe mas eu realmente não entendi o seu comentário…
Isso é ótimo
o entendimento não está em manuais
apesar da escola insistir
está no Tempo
quase sempre perdido no espaço
e acho que voce achou
Localize meu comentário
onde é seu lugar
mais a frente
isso é somente uma orientação
e falando nisso, lê Cortazar?
Assistiu ao filme da Jennifer Lynch?
Criaturas que apareceram e aparecem
sempre, não importa o clima do planeta
para confundir e jamais explicar
são uma raça quase em extinção
foda esses ignorantes Homens Famigerados
mas tento seguir em frente ouvindo Mile
Aquele abraço
Pois é, soube do Ibotirama da pior forma possível. No último sábado à tarde dei com a cara na porta e morri no velho BH. O que me aborrece é que nem fui ao andar superior, aquele novo, cheio de pompa (ao menos pelo lado de fora).
A boemia tira de um lado e compensa do outro. Vive a me enganar.
não sendo azul (tenho problemas com drinks azuis)
daialeide@yahoo.com.br
não sendo vago (tenho problemas com longos vagões)
expresso do oriente – paralamas (indico ^^)
“Malditos Cromossomos”
um pé aqui
outro aonde?
Acho que preciso tambem d’uma mãozinha
tão claro tão escuro
Ah, é uma festinha
never blue drink, entendo
never blue drink, hahaha
Always drink beer, entenda
não, é sobre extremos. caricaturas de nós mesmos.
http://www.teatroparaalguem.com.br/casa/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=1&Itemid=2
Ah, o comentário não tinha sido publicado pq o sistema pensou que fosse spam.
é uma festinha.
tunts tunts tunts tunts tunts tunts tunts tunts tunts!
Virou chat poético
Virou.
Bom, deixando registrado. Já trocamos idéia sobre esses três poemas e: “O pulo do gato” é excelente. O primeiro é neutro. E o último, se já era intragável até certa parte, fica muito mais com essas coisas que você fez com a pontuação.
What a lovely day for a 3396815! SCK was here