Divirtam-se com meus velhos tempos: Infernando Pessoa
Postado em January 31, 2009
Categoria Poemas | 4 comentários
Infernando Pessoa
Tu ecoas palavras à legião,
Dizes poeta ser um fingidor
e, fingindo em três, é mal que finges!
Oh verme! Oh… poeta?
Teus toscos versos do Tejo,
e todos aqueles que causam tédio,
todos daquela noite
todos d’Os Lusíadas do século vinte,
ou qualquer um do peito aberto:
não importa – antes são teus,
e sendo teus eu já detesto.
Seja até que como poeta eu não preste
mas tu prestas tanto menos,
pois és poeta de arestas.
De arestas, oh verme!
Mas se tu achas que
poeta é fingidor,
que aches!
Poeta não é fingidor:
Poeta é o brincador,
o ator que interpreta,
quem interpela sobre a dor
em ódio consigo mesmo e em amor.
E ele se acha que
de amor não sofre tanto,
é de amor que vem a sofrer,
por de amor não sofrer
ou nem ou nunca amar.
E eu que achava que o Perambulagens nunca sairia do limbo. Pois que saiu trazendo coisas de outro limbo.
“Poeta é o brincador”, sim, nesses seus velhos tempos de infames trocadilhos.
Abraço
Ah, e aproveitando a deixa, por que não republicar os punques desafinados?
Brincadeira.
Rimando amor e dor, hein!
Para você que gosta de poesia, sugiro o seguinte
http://www.ericonogueira.blogspot.com/
O cara é gênio