De quando o lugar se torna seu
Postado em October 23, 2007
Categoria Coisas |
Em São Paulo o clima tem oscilado entre o calor sudoríparo e um frio chuvoso e agradável. Dizem que não há mais garoa em São Paulo, mas deve se parecer com estes dias. Apesar de nunca ter me importado muito com o frio (tenho boa resistência a temperaturas), eu gostava mesmo é do verão. Não pelo carnaval, mas pela tranqüilidade de não precisar levantar da cama para calçar uma meia.
Nascido em Salvador, passei mais de dez invernos em Minas sempre esperando a hora de ou ir a Salvador de férias ou passar um verão nostálgico pela ausência da praia. Pensei que sempre seria assim, no entanto ultimamente tenho me encantado com os prazeres dessa ventania amena. Acho que estou amando São Paulo.
São Paulo também te ama, Diego. Apesar de ter nome de santo moço, jogou seu laço mágico e te prendeu aqui como a mais astuciosa das mulheres. Ou - para usar imagem mais interessante - te deu uma chave de pernas que você jamais vai esquecer.
Aprendeu a amar o frio como a gente aprende a gostar dos defeitinhos dos nossos amantes. E você que se julgava um coração de pedra…
Eu nasci em São Paulo. Vivi toda a minha vida nesta cidade, mas a maior parte dela ansiava pelas férias, quando podia então escapar daqui, ver o mar, sentar na areia e esquecer do relógio.
Não tenho verdadeiras férias há 5 anos. E descobri que não sinto mais vontade de sair daqui: tenho muito o que fazer. Os filmes não se esgotam nunca, a cerveja nos bares está sempre gelada, livros novos se amontoam nas livrarias todos os dias, os parques estão com floradas novas que nem vi ainda, os amigos querem me contar as novas, o trabalho me espera no dia seguinte. Como sair? Impossível.
São Paulo exerce um poder estranho sobre as pessoas, que geralmente a rejeitam. Não é meu caso - preferi aceitar a pequena vida de prédios e fumaça e sentir, pouco a pouco, meus pés fazendo parte do asfalto e se movimentando independentemente de minha vontade.
Prefiro o inverno acima de tudo e só vou a praias à noite, porque não pego sol. Onde eu estou, meu deus?
Olá, Diego:-)
Mesmo nascendo em S. Paulo, tive minha época de ojeriza contra a cidade. Morava em Recife, sol, praia, areia e outros esteriótipos e desgastava-me em discursos contra o pastiche que é São Paulo. Cidade sem fundo, só referências; amontoado de culturas que mal dizem bom dia umas para as outras. Ah, no entanto, tudo isto é passado, revolta adolescente: no momento que voltei para cá, depois de 7 anos longe, percebi que sou muito paulistano, meu. E amo esta cidade.
obs: Onde você se esconde, Diego? O Vinícius disse-me que você ainda visita a Letras mas ainda não nos reencontramos…
Tudo o que conheço de São Paulo é uma noite naquela tal Augusta cheia de pessoas-monstro de todos os tipos…
E o valor, impossível de quantificar, de um zoológico?
Diego,
Amo São Paulo. Cansada, penso morar no interior. Para ter mais qualidade de vida ou o tédio? O que precisamos é trabalhar menos, trabalhar melhor. Saber que existe o bairro das Perdizes e nem precisamos correr. Voltar a ir ao cinema. Sair da máquina que nos tritura, os tecnoburocratas sobre nossas cabeças boicotando a vida que brota de nossos livros.
Gostei doseu texto. Emocionei-me com ele.
Atuali-ZA!
A cerveja de São Paulo não embebeda. Pelo menos a que você pede.
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