Ainda são perambulagens
Postado em September 12, 2007
Categoria Coisas |
Julguei por bem continuar com este blog. Já havia algum tempo, preparava uma despedida cujo título seria “Não são mais perambulagens”. Por eu estar muito aborrecido com o nome deste blog e outras coisinhas mais que ele viesse a significar. Ele, que me acompanha já há quase dois anos, começou no Blogger, teve seu próprio .org e agora convive no condomínio do Breviário, temporariamente não mostrará uma placa de “fechado”. Até porque, imaginem o problema: arranjar outro nome e outra imagem (esta, porque se deve seguir o modelo dos breviários).
Para aproveitar a oportunidade, e poder dizer que postei o mínimo, contarei uma cena que me aflige se de repente vem à tona. Na faculdade, há uma menina que tem um olhar e um riso nitidamente idiotas e que usa uma calça xadrez e anda para cima e para baixo, talvez planejando uma revolução e, não há dúvida, vestindo uma hering com o silk do Guernica. E é isto o que faz nítida a idiotice.
Tive medo do coração desta singularíssima pessoa. Quanto ódio no coração pode haver. A vergonha não podia ser tão grande, aliás a falta de vergonha. A cada passo saber que o que você mostra é uma destruição. Como aqueles indiscretos que adoram falar de suas intimidades, porque afinal “isso” todo mundo tem.
E agora na Wikipedia vejo o que o próprio Picasso dizia: “No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo.”
No meu modo de ver, a menina é o inimigo.
Diego, parabéns: você - ou melhor, a sua ausência - houve por bem arruinar a minha vida na faculdade.
Por um lado (ainda nem bom nem ruim), Vinícius e eu estamos tendo que dar conta de aguentar um ao outro e conversar sobre nada e sobre tudo para preencher o seu lugar vazio no bandejão; um nítido exercício.
Já por outro - horrível, irremediável -, não há mais conversas no banco, não há mais CF (agora provou-se que não era nem nunca foi o mais importante!), não há, enfim, aquele nariz gentil despontando na paisagem, os cabelos revoltos, o andar ritmado como um poema de Blake! Tudo insubstituível!
Não, não me contento com os sábados! Não, nada de migalhas! Diego, seu desgraçado, eu desejo que você… eu desejo que você passe na SanFran e seja muito feliz. (Com ar de extrema penúria, leva aos mãos em nó ao peito, arqueja e sai de cena)
Nossa! obrigado, Lorena. Será que essa abstinência não passa? E lembre-se que aos sábados é só até a meia-noite, se for.
E como foram as heinekens, as bavárias sem álcool e a imitação de vinho?
Primeiro que meu modo de ver é o mesmo que o do caro Vinicius.
Segundo: que gracinha a demonstração de saudade da Lorena, poxa vida. Você deve ter deixado um buraco - intelectual - por lá.
Bom que voltou.
Intelectual ou não; é um buraco. E buracos a gente tapa com caixões, terra e uma boa lápide bem pesada.
Só até meia-noite?! (URRO ABSURDO DE DOR)
Nem fodendo. Mas neeeeeeeeeeeeeem fodendo, ouviu?
Diego, deixa eu te contar uma historinha. 2005 foi o ano mais louco e cansado da minha vida até hoje. 2005 foi o ano em que estudei para o vestibular. Estudava num colégio chamado Ideal Militar, que já dispensa explicações. Tinha aula de manhã e de tarde; chegava em casa, de segunda a sexta, às sete horas da noite, quando finalmente… você pensou “descansava”? Errado!: estudava. Estudava, estudava, estudava! Qualquer dos meus amigos de Belém pode confirmar isso.
Agora, você me pergunta, Lorena, você sendo quem é, como conseguiu isso? Diego, eu te respondo: o meu segredo, o meu consolo, o elemento mantenedor de minha sanidade durante aqueles doze meses infernais era um só: OS SÁBADOS.
Um vestibulando precisa dos sábados. O melhor dos vestibulandos sabe que sem eles não há matéria que se aprenda nem questão difícil que se acerte.
Eu me matava a semana toda no mau sentido, mas aos sábados me matava no bom. E então renascia: e às segundas-feiras - não faltei sequer uma! - estava lá, de prontidão, com olhos espertos sentada na primeira carteira para assistir às sete aulas seguidas de matemática características do primeiro dia da semana no colégio Ideal Militar (juro!).
…então, amanhã te ligo.
Espero que não abandone a poesia.
Aliás, acho que vai perceber que isso não é, na verdade, um ato que depende da sua vontade. Pensamos dominar algo, mas algumas vezes nós é que somos dominados.
Torço por vc, de verdade.